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A Cidade Jardim inaugurada em 1897 virou a Capital Nacional dos Botecos e do modernismo brasileiro

A cidade brasileira onde nasceram o modernismo e a tradição dos botecos.

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A Capital Mundial dos Botecos está sendo elogiada por especialistas pela qualidade e estilo de vida leve
Viva Belo Horizonte, metrópole verde de botecos animados, mirantes panorâmicos e cultura mineira que pulsa com hospitalidade e inovação. // Créditos: depositphotos.com / losak.napior

Projetada em 1894 pelo engenheiro Aarão Reis e inaugurada em 12 de dezembro de 1897, Belo Horizonte foi a primeira capital planejada do Brasil moderno. Poucas décadas depois, virou berço da carreira de Oscar Niemeyer e ganhou o único conjunto arquitetônico moderno reconhecido como Paisagem Cultural pela UNESCO.

Do Curral Del Rey à capital desenhada em pranchetas

A história começa em 1701, quando bandeirantes fundaram o arraial Curral Del Rey na região mais rica em minérios do estado. Após a Proclamação da República em 1889, cresceu a ideia de substituir Ouro Preto por uma capital sem limitações topográficas.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o traçado geométrico de Aarão Reis foi inspirado em capitais europeias e norte-americanas. A Avenida Afonso Pena, com 50 metros de largura, virou o eixo central que conecta o centro à Pampulha. O plano quadriculado ainda define a orientação da cidade.

A Capital Mundial dos Botecos está sendo elogiada por especialistas pela qualidade e estilo de vida leve
Belo Horizonte conquista com Mercadão cheio de queijos, bares de boteco na Savassi e vistas do Mirante das Mangabeiras. // Créditos: depositphotos.com / PedroTruffi

A obra que projetou Niemeyer para o mundo

Em 1942, o então prefeito Juscelino Kubitschek convidou um arquiteto ainda pouco conhecido para desenhar quatro edifícios em torno de uma lagoa artificial. Foi o primeiro grande trabalho de Oscar Niemeyer, executado com painéis de Cândido Portinari, jardins de Roberto Burle Marx e esculturas de Alfredo Ceschiatti.

Em 16 de julho de 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO em Istambul. Foi o primeiro bem cultural do planeta a entrar na lista como Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno. A Igreja de São Francisco de Assis, protegida pelo IPHAN desde 1947, já havia sido o primeiro monumento moderno tombado no Brasil.

Como é morar na Cidade Jardim de altitude?

A capital mineira reúne cerca de 2,7 milhões de habitantes e IDH de 0,797, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A altitude média de 858 metros garante clima ameno o ano todo, com invernos secos e verões chuvosos que raramente ultrapassam 30°C.

A rotina do belo-horizontino combina bairros arborizados, custo de vida mais acessível que São Paulo e Rio de Janeiro e uma cena cultural intensa em torno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O calçadão da Lagoa da Pampulha soma 18 km e virou point de caminhada e corrida nos fins de semana.

O que fazer na Capital Nacional dos Botecos?

O roteiro cabe em três dias e mistura arquitetura modernista, mercados centenários e mirantes na Serra do Curral. A maioria das atrações fica em raio de 20 minutos do centro.

  • Conjunto Moderno da Pampulha: os quatro edifícios de Niemeyer em torno da lagoa, com painéis de Portinari na Igreja de São Francisco de Assis e jardins de Burle Marx.
  • Mercado Central: aberto desde 1929, reúne cachaça, queijo mineiro, feijão tropeiro e centenas de barracas em um dos maiores mercados urbanos do país.
  • Circuito Cultural Praça da Liberdade: 15 espaços culturais em prédios históricos, incluindo o Memorial Minas Gerais Vale e o CCBB, com jardins inspirados em Versalhes.
  • Parque das Mangabeiras: um dos maiores parques urbanos da América Latina, aos pés da Serra do Curral, com trilhas em meio à Mata Atlântica.
  • Mercado Novo: prédio revitalizado que virou destino de gastronomia autoral e design contemporâneo no centro da cidade.
  • Feira Hippie: uma das maiores feiras a céu aberto da América Latina, aos domingos na Avenida Afonso Pena, com artesanato e comidas típicas.

Planeje a viagem perfeita para a capital mineira. O vídeo é do canal Lu Ferreira, que é referência em vivências locais, e detalha um roteiro de 4 dias por Belo Horizonte, destacando Inhotim, Pampulha, Mercado Central e os tradicionais bares da cidade:

Feijão tropeiro, torresmo e o boteco como identidade

A cozinha belo-horizontina é reverenciada pela UNESCO, que reconheceu a cidade como Cidade Criativa da Gastronomia. A cultura do boteco, oficializada pela Lei Municipal em 2009, virou identidade urbana e inspiração para festivais que atravessaram o país.

  • Feijão tropeiro: mistura de feijão, farinha, torresmo, ovo e couve, prato-símbolo da mesa mineira servida em quase todos os botecos tradicionais.
  • Torresmo de rolo: preparado em forno lento, com pele crocante e carne macia, disputa espaço com o pastel de angu nos concursos de boteco.
  • Comida di Buteco: festival gastronômico nascido em BH em 2000, que hoje acontece em dezenas de cidades e movimenta o calendário local em abril.
  • Queijo Minas artesanal: patrimônio imaterial brasileiro reconhecido pelo IPHAN, produzido em fazendas do estado desde o século 18.

Leia também: A capital brasileira com maior IDH e 100 praias por lei virou também a Capital Nacional das Startups.

A capital brasileira que inventou o pão de queijo e o colocou entre os 4 melhores tipos de pães do mundo
Belo Horizonte mistura horizonte de montanhas com botecos acolhedores e arte urbana pulsante. // Créditos: depositphotos.com / gustavofrazao

Qual a melhor época para conhecer a Cidade Jardim?

O clima tropical de altitude garante quatro estações bem definidas. O inverno seco é a temporada preferida por quem quer aproveitar botecos e o Festival de Inverno de Minas Gerais.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 18-29°C
Chuva: ⛈️ Alta
As elevadas temperaturas e as pancadas frequentes de chuva sugerem alternar entre passeios e complexos culturais protegidos, como o **Circuito Liberdade e Mercado Central**.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 15-27°C
Chuva: 🌦️ Média
O recuo gradual do calor e o clima ameno de transição criam a atmosfera perfeita para saborear o circuito do **Comida di Buteco e Pampulha** ao ar livre.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 10-24°C
Chuva: ☀️ Baixa
A forte estiagem limpa o céu e garante dias firmes com noites frias, excelente oportunidade para aproveitar a programação do **Festival de Inverno e botecos** tradicionais.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 15-28°C
Chuva: 🌦️ Média
O retorno paulatino da umidade e o aquecimento da temporada favorecem as caminhadas em mirantes e parques ecológicos, com destaque para o **Parque das Mangabeiras e Serra do Curral**.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à primeira capital planejada do país?

O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, recebe voos diretos das principais capitais e fica a 40 km do centro. Por terra, a cidade fica a 586 km de São Paulo pela Rodovia Fernão Dias (BR-381) e a 434 km do Rio de Janeiro pela BR-040.

Sente no boteco e conheça a capital de Niemeyer

Poucas capitais brasileiras reúnem urbanismo pioneiro, o primeiro tombamento moderno do país e uma cultura gastronômica reconhecida pela UNESCO no mesmo endereço. Belo Horizonte entrega Niemeyer, Portinari, o Mercado Central e o Comida di Buteco em três dias de viagem.

Você precisa dar uma volta pela Lagoa da Pampulha ao entardecer e depois sentar num boteco da Savassi para entender por que os mineiros têm tanto orgulho da capital.