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A Ilha Grande, em Angra dos Reis, virou parque em 1971 para receber turistas e hoje produz 3 mil mudas por ano onde funcionou um presídio até 1994
De território marcado por um presídio a refúgio de biodiversidade.
Algumas paisagens são preservadas por acaso, outras por decisão. Na Ilha Grande, em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, as duas coisas aconteceram juntas: um decreto de 1971 transformou a ilha em parque pensado para o turismo, e a antiga área do presídio virou espaço de ciência e memória.
Por que a Ilha Grande virou parque estadual?
Para unir proteção da natureza e turismo. O Decreto Estadual nº 15.273, de junho de 1971, criou o Parque Estadual da Ilha Grande com cerca de 15 mil hectares, com dois objetivos declarados no próprio texto: implantar uma zona de apoio turístico e preservar a reserva florestal. A demarcação ficou a cargo da Flumitur, a companhia estadual de turismo da época.
O decreto seguinte, que demarcou o parque, definiu os pontos que deveriam concentrar a estrutura para visitantes. A norma de demarcação apontou como prioridade a sede do distrito do Abraão e as praias de Lopes Mendes e Freguesia de Santana, os mesmos lugares que até hoje recebem a maior parte dos turistas.

Qual o tamanho da Ilha Grande?
São 193 km² de extensão, uma área maior que a da cidade de Niterói, e a ilha é tida como a terceira maior do país, segundo estudo do Ecomuseu Ilha Grande, museu da UERJ. Os indígenas a chamavam de Ipaum Guaçu, nome tupi que significa justamente ilha grande.
A ilha é coberta por Mata Atlântica e funciona como corredor ecológico da região. Artigo publicado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) lembra que ela integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO, desde 1992.

O que existe hoje na antiga área do presídio?
Um museu, um centro de pesquisa e um jardim em formação. A Vila Dois Rios abrigou o Instituto Penal Cândido Mendes de 1940 a 1994, como registra estudo publicado pela Coppe/UFRJ. Depois da desativação, a área passou à UERJ, que implantou a partir de 2001 o Ecomuseu Ilha Grande, com o Museu do Cárcere, e manteve de pé prédios como a padaria, o cinema e um galpão de uma fazenda de café do século XIX, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O projeto mais simbólico é o Parque Botânico Ilha Grande. De acordo com o informativo UERJ em Dia, a iniciativa produz cerca de 3 mil mudas por ano e quer contar a história da ilha através da vegetação. O acesso é feito pela trilha entre o Abraão e Dois Rios, que segue o traçado da antiga estrada do presídio.
O que fazer na Ilha Grande?
O roteiro combina praias, trilhas e memória. Estes pontos resumem a visita.
Qual a melhor época para visitar Angra dos Reis?
O verão é quente e chuvoso, com janeiro somando 302 mm. No inverno, agosto é o mês mais seco, com 61 mm, e julho tem mínimas de 16°C, condições que favorecem as trilhas da Ilha Grande.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Ilha Grande?
Angra dos Reis fica a cerca de 150 km da cidade do Rio de Janeiro, com acesso pela BR-101, a Rodovia Rio-Santos, que corta a Costa Verde. Do centro da cidade, barcas e lanchas fazem a travessia até a Vila do Abraão.
A viagem de barco também faz parte do passeio, porque cruza a baía entre ilhas e enseadas. Na ilha, os deslocamentos são feitos a pé pelas trilhas ou de barco entre as praias.
A ilha que trocou as grades pelas mudas
A Ilha Grande mostra como um território pode ganhar novos significados ao longo do tempo. A ilha que o governo decidiu proteger para o turismo em 1971 hoje guarda museu, pesquisa e um jardim que cresce onde antes havia celas.
Você precisa conhecer a Ilha Grande e caminhar até Dois Rios para ver de perto a natureza ocupando o lugar da antiga prisão.