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A planta de 3000 a.C que os antigos usavam para a memória que é quase tão antiga quanto os dinossauros está ganhando fama entre os jovens
A "fóssil vivo" de 3.000 a.C. que era valorizada pela memória.
Uma árvore que atravessou 290 milhões de anos de história, testemunhou a existência dos dinossauros, resistiu à devastação de bombas atômicas e preservou uma aparência praticamente inalterada ao longo das eras. A mesma planta que era utilizada pelos antigos sábios chineses em práticas voltadas à proteção do cérebro voltou a despertar interesse com o avanço da neurociência e ganhou espaço entre jovens que buscam mais foco e memória. Essa é a trajetória do Ginkgo Biloba, o chamado “fóssil vivo” que ressurgiu no século XX e se tornou um dos fitoterápicos mais estudados do mundo.
O que torna o Ginkgo Biloba um verdadeiro fóssil vivo?
A denominação faz referência a uma característica bastante incomum da espécie. O Ginkgo Biloba é o único representante vivo da ordem Ginkgoales, um grupo de plantas que surgiu há mais de 290 milhões de anos, muito antes de os dinossauros dominarem o planeta. A existência de fósseis com folhas praticamente iguais às observadas atualmente indica que a árvore preservou sua estrutura biológica com pouquíssimas mudanças durante extensos períodos da história geológica.
Nativa do leste asiático, a espécie pode ultrapassar mil anos de vida e alcançar cerca de 40 metros de altura. Sua capacidade de resistência também chama atenção. Em Hiroshima, no Japão, exemplares da árvore voltaram a brotar apenas um ano depois da explosão da bomba atômica de 1945, fazendo com que o Ginkgo Biloba passasse a representar, em diferentes partes do mundo, ideias associadas à longevidade e ao renascimento.

Quais benefícios são associados ao Ginkgo Biloba?
O interesse científico se concentra sobretudo em cognição e circulação. Pesquisas associam o extrato de Ginkgo Biloba à melhora da memória, da concentração e da oxigenação cerebral, além de efeitos antioxidantes que ajudam a proteger as células. Um estudo conduzido na Unifesp com modelos animais observou que, em doses maiores, o extrato favoreceu a retenção da aprendizagem, com significância estatística relevante.
- Cognição e memória: apoio às funções de atenção, aprendizagem e raciocínio, especialmente ligadas ao envelhecimento.
- Circulação sanguínea: melhora do fluxo em extremidades como mãos e pés, graças à vasodilatação.
- Ação antioxidante: combate aos radicais livres, que em excesso danificam células saudáveis.
O que a neurociência moderna descobriu sobre a planta?
A virada científica aconteceu em meados do século XX. Em 1965, o cientista alemão Willmar Schwabe identificou nas folhas do Ginkgo substâncias ativas como flavonoides e ginkgolídeos, dando início ao estudo farmacológico moderno da planta.
Esse extrato concentra cerca de 24% de glicosídeos de flavonoides e 6% de terpenoides. Segundo revisão publicada na SciELO, a ação combinada desses compostos favorece o suprimento sanguíneo cerebral por vasodilatação, reduz a viscosidade do sangue e diminui a presença de radicais livres nos tecidos nervosos.
Como os antigos usavam o Ginkgo para proteger o cérebro?
Na medicina tradicional chinesa, o Ginkgo é cultivado e venerado há milênios. Há registros de que folhas e sementes da planta eram empregadas há cerca de 4 mil anos para tratar problemas de circulação, respiração e memória. A própria palavra “Ginkgo” significa “damasco prateado”, enquanto “biloba” remete ao formato das folhas em leque com dois lóbulos.
Plantada junto a templos, mosteiros e cemitérios na China, a árvore era associada à sabedoria e à introspecção. Algumas autoridades chinesas chegaram a usar suas folhas como moeda de troca, e seus frutos eram consumidos com a intenção de prolongar a vida e fortalecer o organismo.
Como o Ginkgo se tornou tendência entre os jovens?
A planta milenar ganhou nova vida nas prateleiras e nas redes sociais. O Ginkgo Biloba virou um dos suplementos nootrópicos mais procurados por jovens que buscam foco, produtividade e desempenho mental em rotinas intensas de estudo e trabalho. Uma análise bibliométrica recente indexada no NCBI mostra que o interesse acadêmico pela planta como potencializador cognitivo só cresceu na última década.
Hoje, o Ginkgo é cultivado na Ásia, Europa, América do Norte e também na América do Sul, sendo consumido principalmente na forma de extratos, cápsulas e chás. Sua presença em listas de “biohacking” e vídeos virais ajudou a apresentar essa relíquia botânica a uma geração conectada e curiosa sobre saúde cerebral.
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Vale a pena conhecer essa árvore milenar?
Sem dúvida. O Ginkgo Biloba une história fascinante, simbolismo cultural e potencial terapêutico real, sendo uma ponte viva entre a sabedoria ancestral e a ciência moderna. Poucas plantas conseguem reunir tantos atributos: resistência geológica, beleza ornamental com folhas douradas no outono e um histórico de pesquisas que segue ativo em laboratórios do mundo inteiro.
Seja para enfeitar jardins, seja para apoiar a saúde cerebral, essa relíquia da natureza continua encantando gerações. Conhecer sua trajetória é, de certa forma, abrir uma janela para o passado remoto da Terra e, ao mesmo tempo, olhar para o futuro da neurociência com mais curiosidade e admiração.