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A primeira estrada pavimentada do Brasil termina na mesma cidade mineira que acendeu a primeira hidrelétrica de grande porte da América do Sul
A cidade mineira ganhou destaque por estar ligada à primeira estrada pavimentada brasileira.
Duas datas explicam por que Juiz de Fora cresceu antes de boa parte do interior brasileiro. Em 1861, a cidade virou ponta de uma rodovia pavimentada inaugurada pelo imperador. Em 1889, acendeu a luz com energia de uma usina no Rio Paraibuna. As duas obras nasceram do mesmo objetivo: escoar e industrializar o café da Zona da Mata.
Por que a primeira estrada pavimentada do Brasil terminava em Juiz de Fora?
Porque era o caminho do café até o porto. Segundo a Agência Brasil, a Estrada União e Indústria, que liga Petrópolis à cidade mineira, foi inaugurada em 23 de junho de 1861 por Dom Pedro II, construída com mão de obra de colonos alemães e pavimentada pelo método macadame, em que pedras pequenas são comprimidas até se encaixarem umas nas outras.
A escala da obra era incomum para a época. Conforme o portal Memória do Transporte Brasileiro, foram 144 km de extensão, 96 deles em território fluminense e 48 em Minas Gerais, percorridos em 12 horas de diligência, com estações para troca de cavalos ao longo do trajeto. A concessão coube ao comendador Mariano Procópio Ferreira Lage, e a decadência veio rápido: em 1867 a ferrovia chegou a Três Rios e começou a tomar o lugar da estrada.

Como a cidade acendeu a primeira hidrelétrica de grande porte da América do Sul?
Por iniciativa de um industrial têxtil que precisava de energia para a própria fábrica. De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, a Usina de Marmelos foi inaugurada em 1889 por iniciativa de Bernardo Mascarenhas, que queria eletricidade para a Companhia Têxtil que levava seu nome e para a iluminação da cidade.
A planta original era modesta em potência e enorme em significado. Conforme o acervo Memória da Eletricidade, em 1892 foi instalado um terceiro grupo gerador de 125 kW, o que levou a capacidade instalada a 375 kW, e em 1898 entraram em operação os dois primeiros motores elétricos do município, sendo o maior deles usado para acionar 60 teares da tecelagem. A Marmelos Zero foi desativada em 1896, quando usinas maiores passaram a aproveitar melhor a queda d’água da mesma cachoeira.
O que restou dessa herança industrial?
Restou o conjunto inteiro, ainda gerando energia. As usinas construídas depois da pioneira continuam em operação no complexo do Paraibuna, e o prédio original, incorporado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em 1980, foi restaurado e virou museu.
O acervo está sob os cuidados da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), por convênio com a concessionária, e reúne fotos da construção, livros de registro e a mesa de trabalho de Mascarenhas. A edificação em tijolos maciços aparentes, com telhado de duas águas e beirais em lambrequim, fica logo abaixo do traçado da própria Estrada União e Indústria, o que coloca os dois marcos da cidade a poucos metros um do outro. Herança parecida sustenta a vizinha fluminense do ciclo do café, no outro extremo da mesma estrada.
O que visitar na maior cidade da Zona da Mata mineira?
Os pontos principais se concentram no centro e no eixo histórico que acompanha o rio, confira abaixo o que costuma organizar a visita:
- Museu Usina Marmelos Zero: prédio original da usina de 1889, com acervo sobre a chegada da energia elétrica ao país.
- Museu Mariano Procópio: palacete construído para hospedar a família imperial na inauguração da estrada, hoje com acervo de arte e história.
- Parque Halfeld: praça central que leva o nome do engenheiro alemão responsável pelo traçado urbano da cidade.
- Cine-Theatro Central: casa de espetáculos do início do século XX, restaurada e em atividade.
- Morro do Imperador: mirante com vista da cidade inteira, ponto alto de onde Dom Pedro II teria observado o vale.
Como é o clima de Juiz de Fora ao longo do ano?
A cidade tem clima tropical de altitude, com dois períodos bem marcados. Em dezembro caem em média 347 mm, contra 26 mm em julho, uma diferença de mais de treze vezes, veja abaixo como o ano se organiza:
Médias climatológicas de 30 anos publicadas pelo Climatempo. As condições variam de um ano para o outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade que chegou primeiro duas vezes
Juiz de Fora concentra dois pioneirismos que costumam ser atribuídos a capitais: a primeira estrada pavimentada do país e a primeira geração hidrelétrica de porte do continente. Nenhum dos dois foi obra de acaso, e sim consequência de uma economia cafeeira que precisava de transporte rápido e de energia constante para virar indústria.
Você precisa passar alguns dias na Zona da Mata mineira e ver de perto os dois marcos que ainda estão de pé, a poucos metros um do outro.