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A psicologia afirma que as crianças nascidas entre 1955 e 1978 não se tornaram fortes por terem recebido uma criação melhor, mas porque precisaram aprender a gerir as próprias emoções

A geração de 1955 a 1978 cresceu diferente e a psicologia explica o motivo.

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A psicologia afirma que as crianças nascidas entre 1955 e 1978 não se tornaram fortes por terem recebido uma criação melhor, mas porque precisaram aprender a gerir as próprias emoções
Os avós contam de brigas resolvidas na rua, joelho ralado sem drama, tarde inteira sem adulto por perto.

Quem cresceu entre meados dos anos 1950 e o fim dos 1970 não teve uma infância mais fácil, teve uma infância com menos escudo entre a criança e o mundo. A psicologia do desenvolvimento chama isso de resiliência emocional, e associa esse traço a rotinas de brincar livre que quase sumiram na criação moderna, onde tudo é agendado e supervisionado.

Por que essa geração parece tão diferente da atual?

Basta ouvir uma conversa entre avós e netos para notar o contraste. Os avós contam de brigas resolvidas na rua, joelho ralado sem drama, tarde inteira sem adulto por perto. Os netos, muitas vezes, ficam sem saber o que fazer quando um plano cai por terra, e chamam alguém para resolver antes mesmo de tentar.

Essa diferença não é preguiça de geração nova, é histórico de treino. Crianças que precisaram gerir frustração sozinhas ganharam repertório emocional que hoje precisa ser construído aos poucos, já no consultório do psicólogo.

Menos resposta pronta ao choro, mais espaço para o desconforto ser processado antes da fala do adulto.

O que é essa “negligência benigna” das décadas de 1950, 60 e 70?

O termo pode soar duro, mas descreve um estilo de criação bem específico daquele período. Os pais garantiam teto, comida, escola e cobrança de boas notas, e deixavam boa parte dos problemas cotidianos com a própria criança. Discussão com o vizinho, tédio de sábado à tarde, briga por causa da bola: tudo se resolvia entre iguais.

Um estudo publicado em 2023 no Journal of Pediatrics, liderado pelo psicólogo Peter Gray, aponta que a redução da atividade infantil independente desde os anos 1960 caminha lado a lado com o aumento de ansiedade e depressão em crianças e adolescentes.

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Quais habilidades a infância sem supervisão constante desenvolvia?

Sem adulto para arbitrar cada conflito, a criança precisava criar suas próprias saídas. Esse tipo de vivência treinava capacidades emocionais que hoje pesquisadores tentam ensinar deliberadamente em programas escolares. As principais são estas:

1
Tolerância à frustração Aprendeu a esperar, aceitar o “não” e seguir em frente sem cair em crise.
2
Resolução de conflitos Negociava regras de jogo com outras crianças, sem árbitro adulto por perto.
3
Avaliação de risco Subia em árvore, andava de bicicleta na rua e aprendia a medir o próprio limite.
4
Criatividade a partir do tédio Sem tela por perto, precisava inventar a brincadeira, o jogo, a história.
5
Autonomia precoce Ia à padaria, atendia o telefone, resolvia recado da mãe, sem pedir permissão para cada passo.

Por que a criação atual tem tanta dificuldade em produzir isso?

Não é falta de amor nem excesso de zelo dos pais de 2026. É um encaixe de mudanças sociais: cidades mais violentas, agenda escolar cheia, telas o tempo todo e uma cultura que trata qualquer desconforto da criança como problema urgente. A soma disso reduz drasticamente o tempo em que a criança fica com o próprio pensamento.

Vale comparar como cada modelo forma o adulto que sai dali:

Aspecto Geração 1955 a 1978 Criação atual
Supervisão adulta No dia a dia Baixa, com liberdade para brincar na rua. Muito alta
Tempo livre não estruturado Sem agenda Grande parte do dia, sem programação. Escasso
Resposta ao desconforto Da criança Resolvida pela própria criança na maior parte das vezes. Intervenção imediata do adulto
Autonomia Pequenas decisões Estimulada desde cedo. Pode ser resgatada

Dá para resgatar essas habilidades sem voltar aos anos 70?

A ideia não é romantizar uma infância que também teve suas dores, e sim recuperar o princípio que estava ali. Menos agenda cheia, mais tempo em que a criança se vira sozinha. Menos resposta pronta ao choro, mais espaço para o desconforto ser processado antes da fala do adulto.

Quem nasceu entre 1955 e 1978 não foi mais forte por acaso, foi mais forte porque precisou ser. O que a psicologia sugere para 2026 é criar, com intenção, pequenas doses dessa mesma necessidade dentro de uma vida que hoje protege as crianças o tempo inteiro.

💡 Curiosidade Peter Gray é cofundador da Let Grow, uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos justamente para incentivar a autonomia infantil fora do olhar constante dos adultos.