A psicologia confirma: pessoas que costumam caminhar enquanto falam ao telefone podem não estar só inquietas, mas estimulando a criatividade - Super Rádio Tupi
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A psicologia confirma: pessoas que costumam caminhar enquanto falam ao telefone podem não estar só inquietas, mas estimulando a criatividade

Pesquisa da Universidade Stanford mostrou que andar aumenta em média 60% a produção de ideias criativas, efeito ligado ao pensamento divergente

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Andar enquanto fala ao telefone pode favorecer o surgimento de ideias novas, segundo a psicologia
Andar enquanto fala ao telefone pode favorecer o surgimento de ideias novas, segundo a psicologia - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Tem gente que atende o celular e, sem perceber, já está dando voltas pela sala, pelo corredor ou pelo quintal. Para a psicologia, esse vaivém pode ter um lado útil. Uma pesquisa da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que a caminhada aumenta a produção de ideias novas. O ganho de criatividade aparece enquanto a pessoa anda e continua por um tempo depois que ela volta a se sentar.

O que o estudo de Stanford revelou sobre caminhar e criar?

O estudo mostrou que andar quase dobra a quantidade de respostas criativas em comparação com ficar sentado. A pesquisa foi conduzida por Marily Oppezzo e Daniel Schwartz e publicada em 2014 no periódico Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition.

Segundo a Escola de Pós-Graduação em Educação de Stanford, 176 pessoas, entre universitários e outros adultos, participaram dos testes. Na média, a produção criativa subiu 60% durante a caminhada em esteira. Andar ao ar livre ou numa sala, de frente para uma parede branca, deu resultados parecidos.

Para os autores, o que pesa é o movimento do corpo, e não a paisagem. A própria Oppezzo contou que esperava uma vantagem enorme para quem passeava pelo campus, o que não se confirmou. Num teste de analogias, porém, todos os voluntários que andaram ao ar livre criaram ao menos uma comparação de alta qualidade, contra metade dos que ficaram sentados num ambiente fechado.

Em Stanford, caminhar elevou em média 60% a produção criativa, tanto na esteira quanto ao ar livre
Em Stanford, caminhar elevou em média 60% a produção criativa, tanto na esteira quanto ao ar livre – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por que andar ao telefone favorece o pensamento divergente?

A caminhada estimula justamente o pensamento divergente, aquele que abre várias saídas para um mesmo problema. No teste usado em Stanford, os voluntários tinham quatro minutos para listar usos alternativos de objetos comuns. As respostas eram avaliadas pela novidade e pela adequação.

O estudo não envolveu ligações, mas a lógica ajuda a entender o hábito. Numa chamada telefônica para combinar um plano, resolver um problema ou dar uma resposta, o cérebro precisa levantar alternativas. Quem anda nessas horas pode estar, sem saber, criando condições melhores para as ideias aparecerem.

Esse costume de andar para lá e para cá também surge quando a gente só está pensando, sem ninguém do outro lado da linha. A Tupi já explicou o que a psicologia diz sobre esse comportamento.

Quando a caminhada atrapalha em vez de ajudar o raciocínio?

Andar atrapalha quando a tarefa exige uma única resposta certa, o chamado pensamento convergente. Num teste de associação de palavras, em que era preciso achar o termo que liga outros três, quem caminhava se saiu um pouco pior do que quem estava sentado.

Ao ligar andando na rua, a atenção ao trânsito vem antes da conversa
Ao ligar andando na rua, a atenção ao trânsito vem antes da conversa – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por isso, conferir os números de um boleto ou anotar um endereço pode render mais com a pessoa parada. Oppezzo deixou claro que nem toda tarefa do trabalho deve ser feita andando. Ela também brincou que caminhar não transforma ninguém em Michelangelo, mas pode ajudar nas fases iniciais de um processo criativo.

A pesquisadora resumiu esses achados numa palestra curta publicada no canal oficial do TED no YouTube. Em pouco mais de cinco minutos, ela explica como uma caminhada pode ajudar na próxima vez em que você precisar de ideias.

Como usar a caminhada nas ligações sem perder a conversa?

Dá para aproveitar o movimento nas conversas que pedem ideias, como planejar um aniversário, resolver um problema da família ou discutir um projeto. Os autores de Stanford sugerem incluir pausas ativas na rotina, como reuniões feitas andando no trabalho. Na rua, porém, a atenção ao trânsito vem antes de qualquer chamada telefônica, seja no Centro do Rio, seja numa avenida movimentada da Baixada.

Schwartz lembra que a ciência ainda precisa explicar exatamente por que o movimento solta as ideias. Enquanto isso, quem não para quieto ao telefone não precisa se sentir estranho. Na próxima ligação importante, experimente dar uma volta pela casa ou pela pracinha do bairro e repare se as ideias não chegam mais fácil.

Se a cabeça já está aquecida, que tal testar o raciocínio com números também? Um desafio de matemática aparentemente simples tem enganado muita gente.