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A psicologia diz que pessoas que falam consigo mesmas na terceira pessoa não são excêntricas, mas podem estar criando a distância emocional necessária para se acalmar
Usar o próprio nome em momentos de tensão pode acalmar o cérebro
A psicologia aponta que pessoas que falam consigo mesmas na terceira pessoa não são necessariamente excêntricas, dramáticas ou estranhas. Em muitos casos, usar o próprio nome em um momento de tensão pode criar uma distância emocional útil para organizar pensamentos e reduzir o nervosismo. Em vez de dizer “eu não vou conseguir”, a pessoa passa a se orientar como orientaria um amigo, com mais clareza e menos fusão com o problema.
O que significa falar consigo mesmo na terceira pessoa?
Falar consigo mesmo na terceira pessoa acontece quando a pessoa usa o próprio nome ou pronomes como “ele” ou “ela” para se orientar internamente. Em vez de pensar “eu estou muito nervoso”, ela pode dizer mentalmente: “Gustavo está nervoso, mas já enfrentou situações difíceis antes”.
Esse pequeno deslocamento muda a posição mental da pessoa diante do problema. Ela deixa de olhar a situação apenas de dentro da emoção e passa a enxergar o próprio estado com um pouco mais de distância, como se estivesse aconselhando alguém querido.
Por que usar o próprio nome pode acalmar?
Quando alguém está sob pressão, o pensamento em primeira pessoa pode aumentar a sensação de urgência. O “eu” fica colado ao medo, à vergonha ou à preocupação. Já o uso do próprio nome cria uma separação simbólica entre a pessoa e a emoção que ela está sentindo.
Veja abaixo por que essa técnica pode funcionar em momentos difíceis:
- Ajuda a pessoa a observar o problema com mais distância.
- Reduz a sensação de estar completamente tomada pela emoção.
- Facilita um tom interno mais parecido com conselho.
- Pode diminuir a autocrítica em situações de pressão.
- Permite reorganizar pensamentos rapidamente antes de agir.

O que os estudos observaram?
Pesquisas citadas por Jason Moser e Ethan Kross investigaram como pessoas reagiam ao usar linguagem em primeira ou terceira pessoa durante situações emocionalmente difíceis. Os resultados indicaram que a terceira pessoa pode ajudar na regulação emocional e exigir pouco esforço mental adicional.
Em um dos experimentos, participantes observaram imagens perturbadoras enquanto sua atividade cerebral era monitorada. Quando se referiam a si mesmos na terceira pessoa, a atividade emocional diminuiu rapidamente. Em outro estudo, pessoas refletiram sobre memórias dolorosas, e o mesmo padrão de distanciamento apareceu.
Isso significa que todo mundo deve falar assim?
Não necessariamente. A técnica pode ser útil, mas não é uma obrigação nem substitui outras formas de cuidado emocional. Algumas pessoas preferem respirar fundo, escrever, caminhar, conversar com alguém ou esperar a emoção baixar antes de decidir algo importante.
Antes de usar essa estratégia, vale entender quando ela pode ajudar:
- Antes de uma entrevista, prova ou apresentação.
- Durante uma conversa difícil.
- Ao sentir vergonha depois de um erro.
- Quando a ansiedade cresce antes de uma decisão.
- Em momentos de autocrítica intensa.

Como praticar sem parecer artificial?
A prática pode ser silenciosa. A pessoa não precisa falar em voz alta diante do espelho nem transformar isso em ritual. Basta trocar a frase interna por uma formulação mais distante, como “Calma, Ana, você consegue responder uma coisa de cada vez” ou “João pode resolver isso sem decidir no impulso”.
Confira abaixo algumas formas simples de aplicar no cotidiano:
- Use seu nome em frases curtas e realistas.
- Evite frases exageradamente positivas se elas parecerem falsas.
- Fale consigo como falaria com um amigo nervoso.
- Troque julgamento por orientação prática.
- Use a técnica antes da reação, não apenas depois do conflito.
Distância emocional não é fugir do problema
Falar consigo mesmo na terceira pessoa não significa ignorar emoções nem fingir que está tudo bem. A estratégia serve para criar espaço entre o sentimento e a reação. Esse espaço pode ser suficiente para respirar melhor, pensar com mais clareza e escolher uma resposta menos impulsiva.
A reflexão principal é que o cérebro nem sempre precisa de uma grande técnica para se reorganizar. Às vezes, uma mudança pequena na linguagem interna já ajuda a transformar pânico em orientação. Quando a pessoa usa o próprio nome com gentileza, ela deixa de ser apenas quem está sofrendo e passa a ser também quem pode se acompanhar naquele momento.