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Após passar 9 anos juntando dinheiro para comprar um terreno, mulher encontra uma solução incomum e ergue a própria casa com 7 toneladas de resíduos plásticos reciclados

Mulher passa 9 anos juntando dinheiro para comprar terreno e consegue erguer a própria casa com 7 toneladas de plástico reciclado

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Após passar 9 anos juntando dinheiro para comprar um terreno, mulher encontra uma solução incomum e ergue a própria casa com 7 toneladas de resíduos plásticos reciclados
Sete toneladas de plástico descartado viraram 850 blocos e ajudaram uma mulher a finalmente construir a casa que esperou por 9 anos

Durante nove anos, Cindy Mora trabalhou e economizou com o objetivo de conquistar um terreno para viver com o filho na Costa Rica. Quando finalmente conseguiu comprar a área, porém, praticamente não havia dinheiro disponível para construir. A saída veio de um projeto de casa que substituiu parte dos materiais convencionais por 850 blocos produzidos com cerca de 7 toneladas de resíduos plásticos reciclados.

Como nove anos de economia terminaram em um terreno sem dinheiro para a casa?

Cindy trabalhava como empregada doméstica e criava sozinha o filho Fabrizio. Durante nove anos, guardou dinheiro enquanto tentava transformar o sonho da moradia própria em realidade. Com a ajuda de um empréstimo, conseguiu finalmente adquirir um lote no bairro de Lámparas, em Alajuelita, na região metropolitana de San José.

O terreno já era uma conquista importante, mas trouxe um novo problema: depois da compra, não sobraram recursos suficientes para levantar uma residência convencional. Foi nesse momento que sua situação chamou a atenção de um programa de habitação voltado a famílias que enfrentavam dificuldades para conseguir uma casa adequada.

De onde surgiu a ideia de construir paredes usando plástico reciclado?

Cindy foi selecionada pela Habitat for Humanity com base em critérios socioeconômicos. O projeto reuniu diferentes parceiros para testar em uma residência completa um sistema desenvolvido pela organização Ekojunto, capaz de transformar resíduos plásticos em blocos de construção chamados Bloqueplas.

A iniciativa reuniu materiais que normalmente poderiam terminar em aterros ou no ambiente:

  • Garrafas plásticas descartadas;
  • Embalagens usadas;
  • Outros resíduos plásticos aproveitáveis pelo processo;
  • Cerca de sete toneladas de material ao todo;
  • 850 blocos destinados à formação das paredes.

Como funcionam os 850 blocos usados para montar a casa?

Os blocos foram projetados para se encaixar uns nos outros de maneira semelhante às peças de brinquedo de montar. Esse formato facilita o alinhamento e permite que parte do trabalho seja realizada por voluntários, desde que exista supervisão técnica adequada.

O sistema plástico, entretanto, não substituiu todos os componentes tradicionais. Fundações, telhado, instalações hidráulicas e elétricas, portas e janelas continuaram utilizando soluções convencionais. Depois de concluídas e revestidas, as paredes davam à residência aparência semelhante à das outras casas modestas da região.

Após passar 9 anos juntando dinheiro para comprar um terreno, mulher encontra uma solução incomum e ergue a própria casa com 7 toneladas de resíduos plásticos reciclados
Sete toneladas de plástico descartado viraram 850 blocos e ajudaram uma mulher a finalmente construir a casa que esperou por 9 anos

Quanto trabalho foi necessário para transformar os resíduos em uma moradia?

A construção começou em abril de 2018 e mobilizou mais de 800 horas de trabalho voluntário. Engenheiros e profissionais acompanharam o processo, enquanto parceiros do projeto participaram da obtenção do material e da execução da residência.

Entre os principais envolvidos estavam:

  • Habitat for Humanity na seleção e condução social do projeto;
  • Ekojunto no desenvolvimento dos blocos de plástico reciclado;
  • Urbarium na coordenação técnica da construção;
  • Procter & Gamble no fornecimento de plástico reciclado;
  • Voluntários responsáveis por centenas de horas de trabalho.

A casa inteira é realmente feita de plástico?

Não. A expressão se refere principalmente às paredes produzidas com os blocos reciclados. A estrutura combina esses componentes com materiais tradicionais necessários para garantir fundação, cobertura, instalações e acabamento.

Os responsáveis pelo sistema afirmam que os blocos apresentam características de isolamento térmico e foram concebidos levando em consideração exigências sísmicas da Costa Rica. Ainda assim, é importante distinguir essas afirmações do desempenho comprovado durante várias décadas, já que a tecnologia residencial ainda não possui o mesmo histórico de uso de sistemas construtivos tradicionais.

Por que usar sete toneladas de resíduos chama tanta atenção?

A quantidade ganha dimensão quando considerada dentro do problema dos resíduos plásticos. Na época da construção, o Costa Rica descartava centenas de toneladas de plástico diariamente, enquanto apenas uma parcela relativamente pequena seguia para reciclagem.

Transformar parte desse material em componentes de longa duração apresenta algumas possibilidades interessantes:

Benefícios do reaproveitamento de resíduos

Como resíduos ganham novo uso

  • 1Desviar resíduos de destinos inadequados.
  • 2Reduzir a necessidade de matéria-prima virgem em determinados componentes.
  • 3Produzir peças modulares para construção.
  • 4Experimentar alternativas para projetos de habitação social.
  • 5Dar uso prolongado a materiais que seriam descartados.

O que aconteceu quando Cindy finalmente recebeu as chaves?

Em 26 de maio de 2018, poucas semanas depois do início das obras, Cindy e Fabrizio receberam a residência. Depois de nove anos economizando para chegar ao terreno, ela finalmente tinha uma casa permanente no mesmo bairro onde havia conseguido comprar sua parcela de terra. O projeto não divulgou um custo total que permita afirmar quanto a solução economizou em comparação com uma construção tradicional semelhante.

A história chama atenção justamente porque conecta dois problemas que normalmente aparecem separados: dificuldade de acesso à moradia e excesso de resíduos plásticos. Sete toneladas de material descartado se transformaram em 850 blocos e, reunidas a fundações, telhado, instalações e centenas de horas de trabalho, ajudaram a criar algo muito diferente do destino habitual daquele plástico: as paredes de uma casa para uma família que havia esperado quase uma década por ela.