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Bake Off Brasil estreia a 12ª temporada provando que tradição ainda pesa mais que inovação
Reality do SBT mantém força comercial e um elenco afinado, mas enfrenta o desafio de renovar uma fórmula que já dá sinais de desgaste
Poucos realities da televisão brasileira conseguiram alcançar a marca de doze temporadas consecutivas mantendo uma identidade tão reconhecível quanto o Bake Off Brasil – Mão na Massa. Desde sua estreia, em 2015, o formato britânico adaptado pelo SBT tornou-se uma referência entre os programas de gastronomia da TV aberta, atravessando mudanças de horário, troca de apresentadores, renovação do júri e diferentes fases da emissora.
A estreia da 12ª temporada, exibida em 1º de agosto de 2026, reforça justamente esse paradoxo: o programa continua sendo um dos produtos mais sólidos da casa, mas também evidencia que sua principal batalha hoje é contra o desgaste natural de uma fórmula que pouco mudou ao longo dos anos.
Uma marca consolidada na televisão brasileira
Em um mercado cada vez mais fragmentado pelo streaming e pelas redes sociais, chegar ao décimo segundo ano já representa uma vitória. O Bake Off Brasil construiu uma comunidade fiel de espectadores que acompanha não apenas as provas, mas também a evolução dos confeiteiros amadores, um diferencial que sempre aproximou o reality do público.
A parceria entre SBT e Warner Bros. Discovery também merece destaque. Ela transformou o programa em um produto multiplataforma, com exibição na televisão aberta, TV por assinatura e streaming, ampliando sua relevância comercial muito além dos números do Ibope.
O desgaste existe — e já não pode ser ignorado
Isso não significa, porém, que o programa esteja imune ao tempo. Quem acompanha o Bake Off Brasil desde as primeiras temporadas percebe que a estrutura permanece praticamente inalterada. A dinâmica das provas técnicas e criativas continua eficiente, mas perdeu parte do fator surpresa. O espectador sabe exatamente o que esperar do episódio antes mesmo de ele começar.
Esse é um desafio comum aos realities de longa duração. O conforto da fórmula garante estabilidade, mas dificulta a criação de momentos realmente memoráveis. As novidades anunciadas para esta temporada — como ajustes na dinâmica e maior interatividade — ajudam a modernizar a narrativa, mas ainda soam mais como refinamentos do que como uma reinvenção do formato.
As mudanças de elenco foram assimiladas
Outro mérito do Bake Off Brasil foi conseguir sobreviver às mudanças de elenco. A saída de Ticiana Villas Boas, que marcou a fase inicial do programa, poderia ter abalado a identidade da atração. No entanto, Nadja Haddad conseguiu construir um estilo próprio de apresentação, mais afetivo e próximo dos participantes.
Da mesma forma, a substituição de Olivier Anquier por Giuseppe Gerundino preservou o equilíbrio do júri ao lado de Beca Milano, que continua sendo o principal símbolo da franquia brasileira. Sua autoridade técnica e sua capacidade de equilibrar rigor e empatia permanecem como um dos maiores acertos do programa.
Hoje, o trio transmite segurança, naturalidade e boa química em cena, algo essencial para um reality que depende mais das relações humanas do que de grandes conflitos.
Audiência menor, relevância preservada
Os números de audiência do Bake Off Brasil já não são os mesmos de seus primeiros anos. A atração registrou índices muito superiores em suas temporadas iniciais e passou por uma queda gradual ao longo da década, acompanhando uma tendência observada em praticamente toda a televisão aberta brasileira. Em diferentes fases, o programa alternou momentos de recuperação e novas oscilações, demonstrando que ainda possui um público fiel, embora menor do que no auge.
Analisar esse cenário apenas pelos pontos do Ibope seria simplificar demais a realidade. Hoje, um programa precisa ser avaliado também por sua capacidade de atrair anunciantes, gerar repercussão nas redes sociais, impulsionar conteúdos digitais e fortalecer a imagem da emissora. Sob esse aspecto, o Bake Off Brasil continua sendo extremamente valioso para o SBT.
Um dos realities mais rentáveis da emissora
Talvez o maior patrimônio do Bake Off Brasil atualmente seja justamente sua força comercial. O reality reúne marcas de alimentos, eletrodomésticos, utensílios domésticos e ingredientes premium de maneira orgânica, transformando merchandising em parte natural da narrativa.
Além disso, o programa mantém um ambiente familiar, positivo e acolhedor — características cada vez mais valorizadas por patrocinadores em uma televisão frequentemente dominada por formatos baseados em conflitos e polêmicas. Essa combinação ajuda a explicar por que o SBT continua investindo no formato mesmo diante das oscilações de audiência.
Vale a pena continuar?
Na minha avaliação, sim. O Bake Off Brasil ainda demonstra qualidade técnica, excelente produção e um elenco afinado. Continua sendo um dos realities mais elegantes da televisão aberta e mantém uma identidade muito bem definida.
Entretanto, a 12ª temporada também deixa claro que o formato se aproxima de um momento decisivo. Se quiser permanecer relevante pelos próximos anos, precisará encontrar maneiras mais ousadas de surpreender o público sem perder sua essência.
Nem todo programa precisa ser revolucionário a cada temporada. Mas, depois de doze edições, pequenas mudanças já não bastam para provocar o mesmo encantamento de antes. O Bake Off Brasil continua sendo um bom programa. A questão agora é descobrir como voltar a ser também um programa capaz de surpreender.
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