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Borra de café como adubo e outras técnicas caseiras de jardinagem que viraram tradição entre gerações

Práticas populares utilizam materiais acessíveis como cascas de ovo e canela para cuidar de plantas; entenda o que há por trás delas

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Pessoa rega planta em vaso no parapeito da janela com regador amarelo sob luz solar
O cuidado diário das plantas em casa, como a rega, integra um conjunto de práticas populares de jardinagem. Créditos: depositphotos.com / ronstik

Enrolar um fio de cobre no caule do tomateiro ou espalhar borra de café usada na terra pode parecer estranho em pleno maio de 2026. No entanto, muito antes dos vídeos virais, a sabedoria popular já aplicava soluções que, em alguns casos, encontram respaldo em princípios científicos e continuam sendo usadas na jardinagem doméstica.

Essas técnicas, passadas entre gerações, representam uma forma sustentável de cuidar das plantas. Elas utilizam materiais de baixo custo e facilmente acessíveis para tentar solucionar problemas comuns, como pragas e deficiências nutricionais, sem a necessidade de produtos químicos sintéticos.

Por que esses truques antigos ainda são populares?

Pilha de borra de café usada sobre uma mesa de madeira com parte de um filtro de metal
A borra de café usada é um fertilizante natural rico em nutrientes, uma das dicas sustentáveis para o cuidado do jardim. Créditos: depositphotos.com / Alcofan

A eficácia de algumas dessas práticas reside nos princípios químicos e biológicos por trás de cada material. O que parecia apenas um costume pode ser a aplicação prática de conhecimentos sobre as propriedades de elementos como o cobre, o nitrogênio do café e o cálcio das cascas de ovo. Ainda assim, muitas dessas técnicas carecem de validação científica robusta, funcionando mais com base na experiência popular.

O cobre possui conhecidas propriedades fungicidas quando aplicado em formulações agrícolas comerciais. A técnica caseira do fio de cobre no caule, embora popular, ainda carece de validação científica robusta em larga escala. Alguns produtores relatam resultados positivos no combate a doenças fúngicas como o míldio, mas especialistas alertam que a prática deve ser vista como um complemento, e não como substituta de tratamentos consolidados.

5 práticas populares para testar no jardim

Mão segura filtro de café usado com borra de café em fundo branco
Borra de café, um fertilizante natural acessível, é destaque nas dicas para uma jardinagem sustentável e eficaz. Créditos: depositphotos.com / modesto3
  1. Borra de café para nutrir a terra: Rica em nutrientes como nitrogênio, a borra de café pode ser usada como fertilizante natural. Sua aplicação moderada ajuda a melhorar a estrutura do solo e pode beneficiar plantas que preferem solos ligeiramente ácidos, como samambaias, azaleias e hortênsias.

  2. Casca de ovo como fonte de cálcio: Triturar cascas de ovo e misturá-las ao solo ajuda a prevenir a podridão apical em culturas como tomate e pimentão. O carbonato de cálcio presente nas cascas é liberado lentamente, contribuindo para fortalecer a estrutura celular das plantas e dos frutos.

  3. Canela em pó contra fungos em mudas: O cinamaldeído, um dos compostos ativos da canela, possui propriedades antifúngicas. Polvilhar uma fina camada de canela em pó sobre o solo de sementeiras pode ajudar a evitar o “damping-off”, uma doença fúngica que costuma apodrecer a base de mudas jovens.

  4. Papel alumínio para afastar pragas: Acredita-se que envolver a base do tronco de algumas plantas com papel alumínio pode ajudar a afastar certas pragas. O reflexo da luz solar supostamente desorienta insetos como pulgões e a mosca-branca, que se guiam pela luz para encontrar as folhas.

  5. Chá de camomila para mudas: O chá de camomila frio, aplicado com um borrifador, é popularmente usado por suas supostas propriedades antifúngicas leves, que poderiam auxiliar na germinação de sementes e reduzir o estresse de plantas recém-transplantadas.

É importante lembrar que essas são práticas baseadas no conhecimento popular e em evidências anedóticas. Os resultados podem variar, e elas não substituem a orientação de um engenheiro agrônomo ou o uso de tratamentos específicos em casos de infestações severas ou doenças.