Entretenimento
Brincadeiras que ensinavam paciência e convivência nas tardes simples da infância antiga
Passar anel e telefone sem fio reuniam crianças em roda, com atenção, risadas e expectativa
A lembrança das brincadeiras de infância costuma aparecer associada a sentimentos de segurança, descoberta e convivência em grupo. Em muitas cidades brasileiras, principalmente até o início dos anos 2000, atividades simples como sentar em roda, dar as mãos ou correr pelo quintal faziam parte do cotidiano de crianças que aprendiam, sem perceber, a esperar a vez, ouvir o outro e lidar com frustrações em meio a risadas e descobertas.
O que as brincadeiras infantis ensinam sobre convivência em grupo?
Jogos coletivos tinham papel central na formação de laços entre colegas de escola, vizinhos e primos. Sem depender de objetos caros ou tecnologias digitais, bastava um grupo disposto a participar para que surgissem rodas de risadas, pequenos segredos e regras combinadas ali mesmo, de forma espontânea.
Ao mesmo tempo em que divertiam, essas brincadeiras serviam como primeiro contato com noções de cooperação, respeito ao tempo do outro e convivência em grupo. As experiências presenciais estimulavam empatia, negociação e a capacidade de lidar com conflitos, habilidades valiosas também na vida adulta.

Como as brincadeiras de roda desenvolvem paciência e socialização?
Brincadeiras tradicionais de roda, como passar anel e telefone sem fio, fazem parte de um conjunto maior de jogos infantis que valorizam o contato cara a cara. Neles, a criança precisa aguardar o momento certo para agir, observar as reações dos colegas e adaptar seu comportamento às regras combinadas pelo grupo.
Em um ambiente em que o tempo parecia correr mais devagar do que na rotina digital atual, essas atividades favoreciam a escuta atenta e a concentração. Além disso, o grupo aprendia a negociar quem participa, quem conduz a rodada e como resolver desentendimentos sem a intervenção constante de adultos.
Como funciona a brincadeira de passar anel?
A brincadeira de passar anel é simples, mas envolve expectativa, atenção e confiança. Tradicionalmente, as crianças sentam em roda e estendem as mãos em concha. Uma delas segura um pequeno objeto — anel, pedrinha ou botão — e passa pelas mãos dos participantes, fingindo deixar o objeto em cada uma delas, até realmente soltá-lo de forma discreta.
Depois de “passar” em todas as mãos, quem conduziu o anel escolhe alguém para tentar adivinhar com quem o objeto ficou. Nesse processo, as crianças trabalham diversas habilidades socioemocionais importantes para o desenvolvimento infantil, como:
- Paciência: é preciso aguardar o contato do passador e o momento de saber se o anel está em sua mão.
- Leitura de sinais: todos observam expressões faciais e movimentos em busca de pistas.
- Controle emocional: quem recebe o anel tenta não demonstrar surpresa para não ser descoberto.
- Respeito às regras: o grupo fiscaliza se o combinado está sendo seguido, ajustando regras conforme necessário.
Conteúdo do canal Manual do Mundo, com mais de 20 milhões de inscritos e cerca de 1.1 milhões de visualizações:
Telefone sem fio ainda é relevante na era digital?
O telefone sem fio é outra brincadeira frequentemente lembrada quando se fala em nostalgia de infância. As crianças formam uma fila ou círculo, e a primeira pessoa recebe uma frase ao pé do ouvido para sussurrar ao próximo, até chegar ao último integrante, que revela a versão final, quase sempre bem diferente da original.
Na era das mensagens instantâneas e áudios enviados em segundos, o telefone sem fio mostra de forma concreta como uma informação pode se transformar ao ser repetida diversas vezes. Essa percepção ajuda crianças a entender a importância da comunicação clara e da verificação de informações, reduzindo mal-entendidos e boatos.
Qual é o papel social e cultural dessas brincadeiras tradicionais?
A nostalgia de infância em relação a jogos como passar anel e telefone sem fio está ligada ao ambiente coletivo em que aconteciam. Pátios de escola, calçadas, salas de estar e quintais funcionavam como espaços de encontro, onde crianças aprendiam a dividir atenção, criar regras próprias e conviver com diferentes personalidades.
Especialistas em educação e desenvolvimento infantil destacam que a socialização presencial desenvolve empatia, cooperação e senso de pertencimento. Ao serem transmitidas entre gerações, essas brincadeiras preservam elementos da cultura popular brasileira, mantendo expressões, gestos e formas de interação típicas de cada região vivas no imaginário coletivo.
Como resgatar essas brincadeiras em casa e na escola hoje?
Mesmo com o avanço da tecnologia, muitas famílias e escolas têm resgatado essas dinâmicas em atividades coletivas, semanas culturais e projetos pedagógicos. Adaptadas a novos contextos, elas podem conviver com jogos digitais, oferecendo pausas saudáveis de tela e fortalecendo vínculos presenciais.
Ao propor passar anel, telefone sem fio e outras brincadeiras de roda, adultos criam oportunidades de diálogo entre gerações. Pais, avós e professores compartilham memórias, enquanto crianças descobrem um jeito mais simples de aprender sobre paciência, convivência e comunicação, integrando tradição e atualidade no dia a dia.