Cachorro aparece com o focinho inchado depois de brincar no quintal e a família descobre os sinais de picada de cobra em animais e por que cada minuto conta para levar ao veterinário - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Cachorro aparece com o focinho inchado depois de brincar no quintal e a família descobre os sinais de picada de cobra em animais e por que cada minuto conta para levar ao veterinário

Estudos com cães mostram que o inchaço na cabeça é o sinal mais frequente e que chegar à clínica em até quatro horas está ligado a menos lesão no músculo

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Inchaço rápido no focinho é o sinal mais comum de picada de cobra em cães, presente em 88,7% dos casos de um estudo gaúcho
Inchaço rápido no focinho é o sinal mais comum de picada de cobra em cães, presente em 88,7% dos casos de um estudo gaúcho - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quando o cachorro volta da brincadeira no quintal com o focinho inchado, a família precisa considerar uma picada de cobra, e não há tempo a perder. Nos cães, a serpente costuma atingir a cabeça, e o edema, nome técnico do inchaço, é o sinal mais comum. Pesquisas com animais mostram que chegar rápido ao veterinário diminui a lesão no músculo e ajuda na recuperação.

Quais são os sinais de picada de cobra no focinho do cachorro?

O principal sinal é um inchaço que cresce rápido, geralmente no focinho, na cara ou no pescoço. Um levantamento com 53 cães atendidos pelo Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul encontrou edema em 88,7% dos casos. O estudo foi publicado na revista Pesquisa Veterinária Brasileira.

No mesmo trabalho, cabeça e pescoço foram atingidos em 76,3% dos animais em que o local da picada foi identificado. Quem tem cachorro entende o motivo: o bicho fareja, cutuca e tenta abocanhar o que se mexe no mato ou no entulho.

O inchaço costuma vir acompanhado de outros sinais que merecem atenção. A tabela reúne os principais registros do estudo gaúcho.

Sinais em cães picadosESTUDO
Frequência dos sinais em 53 cães picados por serpentes do gênero Bothrops
Sinal Casos
Edema (inchaço) 88,7%
Sangramento no local, manchas roxas ou sangue pelo nariz 41,5%
Apatia 13,2%
Dor 11,3%

Os sintomas nem sempre aparecem de uma vez. Os autores descrevem quadros que se instalam em menos de 30 minutos e outros que evoluem por até cinco dias. Por isso, esperar para ver se melhora é arriscado.

Os cães do estudo foram picados por serpentes do gênero Bothrops, o grupo da jararaca. Segundo o Ministério da Saúde, esse grupo causa a grande maioria dos acidentes com cobras no Brasil.

Mato alto e entulho no quintal atraem cobras, e cabeça e pescoço são atingidos em 76,3% dos cães picados
Mato alto e entulho no quintal atraem cobras, e cabeça e pescoço são atingidos em 76,3% dos cães picados – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por que cada minuto conta para levar o cão ao veterinário?

Cada minuto conta porque o veneno continua agindo enquanto o animal não é tratado, e a lesão no músculo aumenta com a demora. Pesquisadores da Universidade Nacional de Chungnam, na Coreia do Sul, compararam 59 cães atendidos antes e depois de quatro horas da picada. O trabalho saiu no periódico Toxins.

Nos cães que chegaram depois desse prazo, a creatina quinase, enzima que indica lesão muscular, ficou cerca de três vezes mais alta. A inflamação pelo corpo também foi mais frequente nesse grupo. Lá, a cabeça e o focinho foram as regiões mais atingidas, e todos os cães tiveram edema.

Segundo os autores, o prognóstico foi excelente, principalmente com atendimento em até quatro horas. Na clínica, o profissional avalia a gravidade e decide sobre o soro antiofídico, aplicado em 58% dos cães daquela pesquisa, além do tratamento dos sintomas.

O perigo começa antes da picada, no ambiente em volta da casa. Esta reportagem do site mostra o que costuma atrair serpentes para perto.

O que a família deve fazer logo depois de notar o inchaço?

O primeiro passo é colocar o animal no carro e seguir direto para uma clínica com atendimento de emergência. Ligar no caminho ajuda a confirmar se o local atende urgência e adianta o trabalho da equipe.

Cães atendidos depois de quatro horas tiveram lesão muscular cerca de três vezes maior, por isso é preciso ir direto à clínica
Cães atendidos depois de quatro horas tiveram lesão muscular cerca de três vezes maior, por isso é preciso ir direto à clínica – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

No trajeto, algumas atitudes simples evitam piorar o quadro. Elas não substituem o atendimento e servem só para ganhar tempo até ele.

  • Mantenha o cão calmo e, se possível, carregue no colo para ele não andar.
  • Não corte, não esprema, não amarre e não passe nada no ferimento.
  • Fotografe a cobra só de longe e sem se arriscar, para ajudar na identificação.
  • Não dê remédio de gente nem receita caseira: só o veterinário pode indicar o soro antiofídico e outros medicamentos.

Se alguém da família também for picado, o Ministério da Saúde orienta acionar na hora o SAMU (192) ou o Corpo de Bombeiros (193). Pessoas recebem soro em hospitais de referência para soroterapia.

Como proteger o cachorro de picadas de cobra no quintal?

A prevenção começa por deixar o quintal menos convidativo para as serpentes. Mato alto, entulho e lixo que atrai ratos oferecem abrigo e comida. No estudo gaúcho, 49% dos atendimentos aconteceram no verão, época de calor e chuva forte no Rio.

Casas com quintal perto de áreas verdes, comuns na Zona Oeste, na Baixada e na Região Serrana, pedem atenção redobrada quando o cão fuça cantos escondidos. Se o focinho inchar depois da brincadeira, não espere: pegue a chave, ligue para o seu veterinário de confiança e vá. Seu amigo de quatro patas agradece.

Quem gosta de costumes antigos da casa também encontra no site uma explicação sobre um hábito curioso na hora de dormir.