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Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro, sobre o amor: “Amar se aprende amando.” Uma reflexão sobre por que nenhum relacionamento vem pronto e todo casal aprende errando e recomeçando
Verso que dá nome a um livro de 1985 do poeta modernista dialoga com estudo que acompanhou 100 casais depois de brigas e reconciliações
Quatro palavras de Carlos Drummond de Andrade resumem o que todo casal descobre na prática: “Amar se aprende amando”. A frase dá nome a um livro de poemas do autor e abre uma conversa franca sobre o amor de todo dia. Nenhuma relação chega pronta. Ela se constrói no erro, na conversa e no recomeço.
De onde vem a frase “Amar se aprende amando”, de Drummond?
A frase é o título de um livro do próprio poeta. A Editora Record, que reedita a obra, informa que ela saiu originalmente em 1985. A editora descreve o volume como um panorama das diferentes formas de amar.
O livro passa pelo amor romântico, em poemas como “Amor” e “Lira do amor romântico”, e pelo afeto entre amigos, caso de “Companheiro”, feito para os 80 anos de Pedro Nava. A parte final olha o Brasil da volta à democracia. O poeta ainda brinca com palavras inventadas, como “sempreamar” e “pluriamar”.
Um dos maiores nomes da poesia brasileira e do modernismo brasileiro, Drummond foi lembrado pela Câmara dos Deputados nos 120 anos de seu nascimento, em 2022. No encontro abaixo, publicado no canal oficial da Câmara, o escritor Edmílson Caminha fala sobre a obra do poeta e o relançamento dos livros.
Por que nenhum relacionamento amoroso já nasce pronto?
Porque o afeto, no verso de Drummond, é prática, não dom acabado. O poeta foge do sentimentalismo e trata o amor como algo que se exercita, se testa e se renova, como quem aprende uma língua falando.

Isso vale para o casal que divide o aluguel em Madureira ou que acabou de casar em Niterói. Ninguém chega sabendo como o outro reage ao cansaço, ao dinheiro curto ou à saudade da família. O relacionamento amoroso se ajusta em pequenas negociações, muitas delas depois de uma discussão.
A mesma frase do poeta já rendeu aqui na Tupi uma reflexão sobre outra crença comum. É a ideia de que existe hora certa para se apaixonar.
O que a ciência diz sobre casais que brigam e recomeçam?
A pesquisa indica que brigar não condena um casal: pesa muito o jeito de sair da briga. Um estudo com 100 casais, publicado no periódico Journal of Social and Personal Relationships, observou discussões em laboratório e acompanhou os pares por um ano.

Quem conseguia resolver o conflito tinha cerca de duas vezes mais chance de continuar junto. Os autores também mediram a chamada sabotagem da recuperação: remoer a briga, puxar outra discórdia ou desmerecer o que o parceiro disse de positivo.
Quando um dos dois agia assim na hora de esfriar a cabeça, a satisfação do outro caía um ano depois. O recomeço também se aprende, e fazer as pazes conta tanto quanto o motivo da discussão.
O que o verso de Drummond ensina a quem ama no dia a dia?
Ensina que errar faz parte do caminho, desde que o casal volte a conversar. Na obra de Drummond, o amor tem muitas formas, do romance à amizade, e todas pedem convivência para amadurecer.
Isso não significa aceitar tudo em nome do afeto: relação com violência ou humilhação não é aprendizado, é risco, e pede ajuda especializada. No resto, a poesia brasileira dá um bom conselho, que é tentar de novo com paciência. Que tal pegar o livro numa biblioteca e ler um poema em voz alta para quem você ama?
Quais dúvidas sobre o livro de Drummond aparecem mais?
Duas perguntas voltam sempre que o verso circula nas redes. As respostas ajudam a situar a frase dentro da obra.
A frase “Amar se aprende amando” é mesmo de Drummond?
Sim. É o título de um livro de poemas de Carlos Drummond de Andrade, nome central do modernismo brasileiro, publicado originalmente em 1985.
Quais formas de amor aparecem no livro?
O amor romântico, o afeto fraterno entre amigos e um retrato do cotidiano brasileiro na volta à democracia.
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