Carlos Drummond de Andrade, poeta: “No meio do caminho tinha uma pedra”, o verso de 1928 que foi ridicularizado na época e hoje ensina a encarar obstáculos que se repetem - Super Rádio Tupi
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Carlos Drummond de Andrade, poeta: “No meio do caminho tinha uma pedra”, o verso de 1928 que foi ridicularizado na época e hoje ensina a encarar obstáculos que se repetem

A reação dos críticos e a resposta irônica do poeta ajudam a explicar como a pedra se tornou um clássico

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Carlos Drummond de Andrade, poeta: “No meio do caminho tinha uma pedra”, o verso de 1928 que foi ridicularizado na época e hoje ensina a encarar obstáculos que se repetem
O poema apareceu em 1928 e transformou uma pedra comum num dos símbolos da literatura brasileira - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Poucos versos da literatura brasileira são tão conhecidos quanto “No meio do caminho tinha uma pedra”. Hoje ele é citado em salas de aula e em conversas do dia a dia. Quando surgiu, em 1928, o poema de Carlos Drummond de Andrade virou alvo de zombaria e de críticas duras.

Quando o poema “No meio do caminho” foi publicado?

O poema saiu pela primeira vez em julho de 1928, na primeira página do terceiro número da Revista de Antropofagia. A informação consta de um texto do Instituto Moreira Salles, assinado pela coordenadora de literatura Elvia Bezerra.

Dois anos depois, em 1930, os versos entraram em “Alguma poesia”, o livro de estreia do poeta mineiro. A partir daí, a pedra passou a acompanhar Drummond por décadas, ora como piada, ora como símbolo do modernismo.

Carlos Drummond de Andrade, poeta: “No meio do caminho tinha uma pedra”, o verso de 1928 que foi ridicularizado na época e hoje ensina a encarar obstáculos que se repetem
A repetição e a linguagem coloquial provocaram críticas duras quando os versos foram publicados – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A trajetória do poema pode ser resumida em algumas datas. A tabela abaixo reúne os marcos registrados pelo instituto.

A VIDA DE UM POEMA
CRONOLOGIA
Marcos da trajetória de “No meio do caminho”
Ano Acontecimento
1928 Primeira publicação na Revista de Antropofagia
1930 Entra no livro “Alguma poesia” e recebe críticas duras
1967 Drummond reúne o que se disse sobre os versos em livro
2010 IMS lança edição ampliada e grava leituras em 12 línguas

Por que o verso foi tão ridicularizado na época?

A repetição insistente e a linguagem coloquial soaram como provocação para parte da crítica. Em 8 de junho de 1930, o crítico Medeiros e Albuquerque escreveu no Jornal do Comércio que não havia poesia no volume.

O próprio Drummond, segundo o instituto, lembrou mais tarde a irritação que o poema provocou nos círculos literários e até em esferas administrativas. Houve quem chegasse a questionar a capacidade mental do autor.

Visto hoje, o episódio mostra como o modernismo desafiava o gosto da época. Um poema curto, sem rima rebuscada e construído sobre a repetição parecia, para muitos, uma brincadeira sem valor literário.

Essa não foi a única frase curta de Drummond a atravessar gerações. Outra, sobre o amor, também cabe em poucas palavras e segue atual.

Como Drummond respondeu às críticas sobre a pedra?

Com ironia e paciência. Em 1967, para marcar os 40 anos do poema, ele publicou “Uma pedra no meio do caminho: biografia de um poema”. O livro reúne uma ampla seleção do que havia sido dito sobre os versos.

Em vez de rebater cada ataque, o poeta preferiu organizá-los. Críticas, elogios e brincadeiras passaram a formar uma espécie de biografia da pedra, contada pelas vozes de quem a leu.

Em 2010, o IMS lançou uma nova edição do livro, ampliada pelo poeta Eucanaã Ferraz. A obra ganhou a seção “Ainda a pedra”, com textos, charges e ilustrações posteriores a 1967. Também recebeu “Biografia da biografia”, com comentários sobre o próprio livro.

Carlos Drummond de Andrade, poeta: “No meio do caminho tinha uma pedra”, o verso de 1928 que foi ridicularizado na época e hoje ensina a encarar obstáculos que se repetem
Drummond reuniu ataques, elogios e brincadeiras para construir a biografia do próprio poema – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Como parte desse lançamento, o instituto gravou a leitura do poema em diferentes idiomas, feita por 12 convidados. O vídeo mostra como os versos resistem à tradução e mantêm a força em qualquer idioma.

O que a pedra de Drummond ensina sobre obstáculos?

A repetição que irritou os críticos é justamente o que dá força ao poema. Muitos leitores enxergam na pedra que volta a aparecer os problemas que insistem em cruzar o nosso caminho. Na insistência do verso, veem uma forma de encará-los.

Da próxima vez que um obstáculo reaparecer, lembre que até o poema mais criticado virou clássico com o tempo. Conte para a gente qual pedra já apareceu no seu caminho e compartilhe esta história com quem ama literatura.

Outros grandes nomes das letras brasileiras também deixaram frases sobre recomeçar. Machado de Assis escreveu uma delas com a imagem de uma lousa.