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Citação do dia do ícone da música David Bowie: “Envelhecer é um processo extraordinário pelo qual você se torna a pessoa que você é…”; lições de como envelhecer com elegância, vindas do ícone da música britânica
Frase de David Bowie muda a forma de enxergar o envelhecimento
Em uma cultura que trata o envelhecimento como declínio e a juventude como o único período em que a vida vale a pena ser vivida, David Bowie ofereceu uma perspectiva radicalmente diferente: “Envelhecer é um processo extraordinário pelo qual você se torna a pessoa que você sempre deveria ter sido.” Não uma consolação para quem perdeu algo. Uma descrição genuína de um movimento que só o tempo torna possível, o de chegar, finalmente, a si mesmo.
O que Bowie quis dizer ao chamar o envelhecimento de processo extraordinário?
A palavra “extraordinário” na frase de David Bowie não é eufemismo nem otimismo forçado. É uma inversão deliberada da narrativa dominante sobre o que significa envelhecer. A cultura pop, a publicidade e boa parte da medicina estética tratam o envelhecimento como problema a ser retardado, disfarçado ou revertido. Bowie estava dizendo o contrário: que o processo tem uma direção, e que essa direção é em direção a algo, não de saída de alguma coisa.
A segunda parte da frase é onde o peso real está: “a pessoa que você sempre deveria ter sido.” Não a pessoa que os outros esperavam, não a pessoa que o mercado de trabalho precisava, não a pessoa que cabia no papel social disponível aos vinte anos. A pessoa que estava lá desde o início, esperando que o tempo, a experiência e a perda das ilusões criassem espaço para ela aparecer de forma mais completa.
Como a trajetória de David Bowie ilustra essa transformação ao longo do tempo?
David Bowie é um dos artistas que mais conscientemente documentou sua própria transformação ao longo das décadas. De Ziggy Stardust nos anos 1970 ao Thin White Duke, passando pelo Bowie berlinense dos álbuns experimentais e chegando ao Bowie maduro de Blackstar, lançado dois dias antes de sua morte em 2016, cada fase representou não uma versão diferente de uma mesma performance, mas um aprofundamento progressivo de quem ele era.
O que a trajetória de Ziggy Stardust para Blackstar ilustra é que as personas que Bowie adotou ao longo da carreira não eram máscaras sobre um vazio. Eram experimentos de identidade que foram sendo refinados até que o que restou, na última fase da vida, era algo mais essencial e mais honesto do que qualquer personagem anterior. Blackstar, gravado enquanto ele sabia que estava morrendo, é frequentemente descrito por críticos como o trabalho mais autêntico de toda a sua carreira. A frase sobre envelhecimento foi vivida de forma literal.

O que a psicologia diz sobre identidade e autenticidade na meia-idade e além?
A psicóloga Susan Krauss Whitbourne desenvolveu o conceito de flexibilidade de identidade para descrever o processo pelo qual adultos mais velhos integram experiências acumuladas numa narrativa de si mesmos mais coerente e menos defensiva. Pesquisas em psicologia do desenvolvimento mostram que muitas pessoas relatam maior senso de autenticidade após os cinquenta anos do que em qualquer período anterior, não apesar das perdas e limitações que a idade traz, mas em parte por causa delas.
A pressão de corresponder a expectativas externas, de provar capacidade, de competir por posição e de manter uma versão de si mesmo palatável para diferentes audiências tende a diminuir com o tempo. O que fica, quando essas pressões afrouxam, é com frequência uma pessoa mais próxima do que sempre foi por baixo de tudo isso. A autenticidade que Bowie descreve não é alcançada apesar do envelhecimento. É alcançada por meio dele.
Por que envelhecer com elegância tem menos a ver com aparência do que com identidade?
A expressão “envelhecer com elegância” é usada com frequência em contextos estéticos, referindo-se a cuidados com a pele, postura, vestimenta e aparência geral. Mas a frase de David Bowie aponta para uma elegância de outro tipo: a de quem parou de se desculpar por quem é, parou de se moldar para caber em expectativas que nunca foram suas e parou de adiar a vida que queria viver esperando a aprovação que talvez nunca chegasse.
Comportamentos que definem esse tipo de elegância incluem:
- Abandonar relacionamentos, papéis e ambientes que exigiam versões falsas de si mesmo, não com raiva, mas com a clareza de quem finalmente sabe o que vale seu tempo
- Desenvolver tolerância crescente para a própria imperfeição, substituindo a autocrítica crônica pela curiosidade sobre o que ainda está sendo construído
- Permitir que gostos, opiniões e valores evoluam sem interpretar essa evolução como incoerência ou fraqueza
- Reduzir o investimento em aprovação social e aumentar o investimento em consistência interna, fazendo escolhas que fazem sentido para si mesmo mesmo quando não são as escolhas que os outros fariam
O que se perde e o que se ganha no processo que Bowie descreve?
A frase de David Bowie não romantiza o envelhecimento a ponto de ignorar o que ele custa. O processo inclui perdas reais: de pessoas, de capacidades físicas, de oportunidades que fecharam, de versões de si mesmo que não puderam se desenvolver. Reconhecer isso não contradiz a frase. Faz parte do que ela está descrevendo. A pessoa que emerge do outro lado dessas perdas é formada por elas, não apesar delas.
O que se ganha, conforme documentado tanto pela psicologia quanto por quem atravessou esse processo com consciência, inclui:

O que a frase de Bowie oferece para quem ainda está no meio do processo
Para quem está na meia-idade ou além, a frase de David Bowie funciona como reorientação: o que parece perda de algo pode ser chegada a algo. O afrouxamento das pressões externas não é declínio. É espaço. E o que cada pessoa faz com esse espaço, quem ela decide ser quando as obrigações de prova e performance diminuem, é onde o processo extraordinário que Bowie descreveu acontece de verdade.
Para quem ainda é jovem, a frase oferece algo diferente: a informação de que a identidade não está fixada no ponto em que a vida começou a fazer sentido pela primeira vez, e que o tempo, longe de ser o inimigo da versão mais verdadeira de quem se é, pode ser exatamente o que a torna possível. David Bowie passou décadas se transformando em público. O que a frase revela é que tudo isso foi, no fundo, o mesmo movimento contínuo em direção a si mesmo.