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Com 1,73 metro e menos de 60 kg, novo robô humanoide consegue levantar até 200 kg e foi criado para assumir tarefas que exigem grande esforço físico, representando um problema para quem realiza trabalho braçal
Robô humanoide pesa menos de 60 kg, levanta até 200 kg e coloca o trabalho braçal em debate
O RayNex G3 mede 1,73 metro, pesa menos de 60 kg e foi apresentado como um robô humanoide capaz de realizar tarefas de grande exigência física. Desenvolvido pela NineRay Technology, o equipamento pode transportar cargas durante operações, manipular objetos com os dois braços e atingir entre 100 e 200 kg em levantamento do tipo peso morto. A proposta coloca robótica, inteligência artificial e automação diretamente no debate sobre o futuro do trabalho braçal.
Como um robô de menos de 60 kg consegue levantar até 200 kg?
A força do RayNex G3 não depende apenas de motores potentes. O humanoide utiliza um sistema de controle de força distribuído pelo corpo, acompanhado por 44 conjuntos de sensores de precisão. Esses sensores ajudam a detectar cargas e ajustar movimentos enquanto a máquina procura manter estabilidade e equilíbrio durante uma operação pesada.
Segundo as especificações divulgadas pela fabricante, suas capacidades variam conforme a tarefa executada:
Força, carga e precisão
- 1Transportar cerca de 30 kg em operações regulares.
- 2Sustentar aproximadamente 60 kg utilizando os dois braços.
- 3Executar levantamento do tipo peso morto entre 100 e 200 kg.
- 4Realizar movimentação de materiais e operações de precisão.
- 5Responder a comandos durante atividades físicas programadas.
O que o RayNex G3 demonstrou durante sua apresentação?
A NineRay Technology apresentou o humanoide no Hong Kong Science Park em 17 de agosto de 2026. Durante uma demonstração pública, a máquina caminhou transportando uma barra pesada e executou movimentos destinados a mostrar sua capacidade de manipulação de cargas. O equipamento também respondeu a instruções por voz durante a apresentação.
A demonstração foi importante porque aproximou as especificações técnicas de uma situação real de trabalho. Em vez de mostrar apenas movimentos de dança ou equilíbrio, comuns em apresentações de humanoides, a empresa direcionou o RayNex G3 para atividades semelhantes às encontradas em fábricas, depósitos e operações de transporte de materiais.
Como a inteligência artificial controla um corpo tão forte?
O sistema responsável por coordenar boa parte do funcionamento é chamado RayBrain. Desenvolvido pela própria NineRay Technology, ele utiliza uma arquitetura de inteligência artificial que procura integrar percepção, planejamento e execução. Assim, informações captadas pelo robô humanoide podem ser transformadas em movimentos sem depender de uma sequência totalmente separada de módulos.
Essa combinação de inteligência artificial e sensores é especialmente importante quando o equipamento precisa manipular peso. Um deslocamento inesperado da carga modifica o centro de gravidade e exige correções rápidas. O RayBrain trabalha junto ao controle corporal para adaptar força e posição durante essas situações.

Que tipos de trabalho esse humanoide poderá assumir?
O foco apresentado pela empresa inclui tarefas repetitivas, pesadas ou realizadas em ambientes onde existe risco para trabalhadores humanos. O fundador da NineRay Technology afirmou que empresas de diferentes setores já demonstraram interesse em possíveis aplicações, incluindo atividades industriais e operações relacionadas ao setor de energia.
Entre os cenários apresentados para o uso da tecnologia estão:
- Transporte de cargas pesadas em fábricas e depósitos;
- Movimentação repetitiva de materiais;
- Trabalho em ambientes com radiação;
- Atuação em locais com gases tóxicos ou perigosos;
- Operações em condições de calor ou umidade extremos;
- Tarefas que combinam força física e manipulação precisa.
Isso significa que empregos braçais serão substituídos?
A capacidade física do RayNex G3 torna inevitável a discussão sobre automação. Se máquinas humanoides conseguirem transportar cargas, trabalhar por períodos prolongados e operar em espaços originalmente projetados para seres humanos, algumas tarefas hoje executadas manualmente poderão ser automatizadas. Isso não significa, porém, que a apresentação de um único modelo represente a substituição imediata de profissões inteiras.
Custo, confiabilidade, manutenção, velocidade, segurança e adaptação a situações imprevisíveis ainda determinam onde um robô humanoide realmente pode ser economicamente vantajoso. Ao mesmo tempo, equipamentos desse tipo podem assumir justamente atividades com maior risco de lesões, exposição a substâncias perigosas ou esforço repetitivo, enquanto trabalhadores passam a atuar em supervisão, manutenção e operação dos sistemas.
Por que esse lançamento chama atenção para o futuro das fábricas?
O RayNex G3 mostra uma mudança importante na robótica humanoide: a disputa já não envolve apenas fazer uma máquina andar ou reproduzir movimentos humanos. O objetivo agora é combinar força, precisão e inteligência artificial em um equipamento capaz de executar trabalho economicamente útil. A NineRay Technology pretende direcionar a tecnologia para aplicações industriais e outros cenários em que força física ainda é essencial.
O próximo desafio será provar essa capacidade fora das demonstrações do Hong Kong Science Park. Levantar uma carga em um ambiente controlado é diferente de passar horas movimentando materiais entre pessoas, máquinas e obstáculos. Se sistemas como o RayBrain conseguirem tornar esse comportamento seguro e previsível, humanoides com força superior à humana poderão deixar de ser curiosidades tecnológicas e começar a disputar espaço justamente nas tarefas mais pesadas das fábricas e centros logísticos.