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Com 96,8% das ruas arborizadas e fundada por ingleses, a “Pequena Londres” brasileira está se tornando famosa pra quem busca qualidade de vida
Ruas arborizadas e qualidade de vida elevada.
Londrina nasceu em 1929, quando uma companhia britânica marcou o início da ocupação em meio à floresta fértil do norte paranaense. Em menos de um século, virou a segunda maior cidade do estado, com mais de 580 mil habitantes, um cartão-postal como o Lago Igapó, com paisagismo de Burle Marx e um apelido que nunca saiu de cena: Pequena Londres.
Como é o dia a dia de quem mora na Pequena Londres?
O cotidiano em Londrina combina organização urbana com qualidade de vida. Com IDH de 0,778, considerado alto pelo IBGE, a cidade mantém ruas largas e arborizadas graças ao planejamento do engenheiro Jorge Macedo Vieira, inspirado no conceito de cidade-jardim. Segundo o Censo 2022, 96,8% das vias urbanas têm arborização, algo que impacta diretamente no conforto térmico e na paisagem.
O custo de vida é mais acessível que o de Curitiba, principalmente em moradia e alimentação. Regiões como Gleba Palhano concentram imóveis de alto padrão, enquanto bairros como Jardim Shangri-Lá atraem quem busca tranquilidade. A Zona Sul, próxima à Universidade Estadual de Londrina, reúne estudantes, comércio e serviços. Além disso, Londrina aparece entre as cidades com melhores índices de saneamento do país, segundo o Instituto Trata Brasil — um diferencial que se reflete no dia a dia de quem vive ali.

Café, colonização inglesa e a geada que mudou o rumo
Em 1924, o escocês Lord Lovat percorreu o norte do Paraná e identificou o potencial da terra roxa. A partir daí, surgiu a Paraná Plantations Ltd. e sua subsidiária, a Companhia de Terras Norte do Paraná, responsável pela colonização planejada da região. O nome Londrina foi sugerido por João Domingues Sampaio como homenagem à capital inglesa, reforçada pela neblina frequente que lembrava o cenário europeu.
A fundação oficial aconteceu em 10 de dezembro de 1934, e o crescimento foi acelerado pelo café. Nos anos 1950, a cidade se tornou um dos maiores polos produtores do mundo, recebendo o título de Capital Mundial do Café. Esse ciclo mudou drasticamente com a Geada Negra de 1975, que destruiu lavouras inteiras, mas também abriu caminho para a diversificação econômica que transformaria Londrina em um centro regional de serviços, educação e tecnologia.
O vídeo do canal Vida leve com mais de 30 mil inscritos e apresenta uma jornada visual por Londrina, no Paraná, destacando por que ela é frequentemente citada como uma das melhores cidades do Brasil para se viver.
UEL, cooperativas e um mercado que não para
A Universidade Estadual de Londrina (UEL), fundada em 1970, reúne cerca de 25 mil pessoas na comunidade acadêmica e é referência em medicina, direito e agronomia. O Hospital Universitário atende pacientes de toda a região. A UTFPR e a Unifil completam a oferta de ensino superior.
A economia combina agronegócio, indústria alimentícia e comércio forte. Cooperativas gigantes como Cocamar têm sede na cidade. A ExpoLondrina, uma das maiores feiras agropecuárias do país, atraiu mais de 470 mil visitantes em sua última edição. A diversidade de imigrantes, italianos, japoneses, árabes e alemães, moldou uma gastronomia multicultural que vai do pierogi ao yakisoba sem sair do mesmo bairro.
Onde o morador passeia no fim de semana?
Londrina concentra parques, cultura e lazer ao ar livre a poucos minutos do centro.
- Jardim Botânico: trilhas ecológicas, lagos e arboreto com mais de 100 espécies nativas. Entrada gratuita.
- Lago Igapó: cartão-postal com mais de 4.500 m de extensão, revitalizado com projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Ciclovias, pistas de caminhada e esportes náuticos.
- Museu Histórico Padre Carlos Weiss: instalado na antiga estação ferroviária, preserva a saga da colonização britânica e do ciclo do café.
- Zerão: pista de cooper de 1.050 m em formato oval, quadras poliesportivas e anfiteatro a céu aberto para 6 mil pessoas.
- Parque Arthur Thomas: 85 hectares de Mata Atlântica a 3 km do centro, com trilhas, cachoeira e o sítio da primeira usina hidrelétrica da cidade (1939).

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Quando o clima favorece cada atividade?
O clima subtropical úmido garante estações bem definidas. A altitude de 610 metros suaviza o calor e produz a neblina matinal que lembrava os ingleses de casa.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pequena Londres
Londrina fica a 390 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 4h de carro. O Aeroporto Governador José Richa, a 3 km do centro, opera voos para São Paulo, Curitiba e outros destinos. De Maringá, a distância é de apenas 100 km pela BR-369. A rodoviária recebe linhas de todo o país.

A cidade que trocou o café pelo futuro sem derrubar as árvores
Londrina nasceu derrubando mata para plantar café e hoje é referência em arborização urbana. A cidade conseguiu equilibrar crescimento com qualidade ambiental, reunindo cultura, gastronomia e natureza em um mesmo cenário. Eventos como o festival latino-americano de teatro, restaurantes de diferentes partes do mundo e áreas preservadas de Mata Atlântica mostram como o município se reinventou sem perder o verde.
No centro dessa transformação está o Lago Igapó, que virou extensão da casa de quase 600 mil moradores. Caminhar por suas margens ao entardecer é entender, na prática, por que tanta gente escolheu viver na chamada Pequena Londres, uma cidade que cresceu, se modernizou e manteve o essencial: sombra, água e qualidade de vida.