Condomínio troca síndico morador por síndico profissional de R$ 4.800 por mês para acabar com as brigas e no primeiro balanço a taxa sobe 22% - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Condomínio troca síndico morador por síndico profissional de R$ 4.800 por mês para acabar com as brigas e no primeiro balanço a taxa sobe 22%

O honorário do gestor contratado é dividido entre todas as unidades, e o Código Civil diz como os moradores podem exigir as contas e até destituir o síndico

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Síndico profissional de R$ 4.800 por mês pesa no boleto e a taxa de condomínio sobe 22% no primeiro balanço
Síndico profissional de R$ 4.800 por mês pesa no boleto e a taxa de condomínio sobe 22% no primeiro balanço - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Contratar um síndico profissional parece o jeito mais rápido de acabar com as brigas no prédio. Só que esse serviço tem preço, e ele vai parar no boleto de todo mundo. Na situação do título, o condomínio passa a pagar R$ 4.800 por mês a um gestor de fora. No primeiro balanço, a taxa de condomínio sobe 22%. Saber o que a lei permite e para onde foi o dinheiro evita que a confusão só mude de endereço.

O que a lei permite na troca por síndico profissional?

Sim, a lei permite a troca. O artigo 1.347 do Código Civil (Lei 10.406/2002) diz que o síndico escolhido pode não ser condômino. O mandato vai até dois anos e pode ser renovado. Por isso, o gestor contratado é tão legítimo quanto o síndico morador.

Quem decide, porém, é sempre a assembleia de condomínio. É lá que os moradores votam o nome, discutem os honorários e aprovam o orçamento do ano. Quem falta à reunião corre o risco de conhecer o novo custo só quando o boleto chegar.

Para o Código Civil, o síndico tem as mesmas obrigações, more ele no prédio ou não. A tabela abaixo resume os pontos que mais pesam no bolso de quem paga o condomínio.

O que diz o Código CivilLEI 10.406
Regras sobre o síndico e as contas do prédio
Artigo O que determina
1.347 Síndico pode ser de fora, com mandato de até dois anos, renovável
1.348, VI e VIII Fazer o orçamento anual e prestar contas todo ano e quando exigido
1.349 Destituição por maioria absoluta em caso de irregularidade ou falta de contas
1.350 Assembleia anual aprova orçamento, contribuições e contas

Repare: ser pago não dá ao síndico profissional nenhum poder a mais. Ele presta contas à mesma assembleia e segue as mesmas regras do vizinho que ocupava o cargo antes.

Por que a taxa de condomínio pode subir depois da troca?

O primeiro motivo é matemático: os honorários entram como despesa fixa. R$ 4.800 por mês somam R$ 57.600 por ano, divididos entre todas as unidades. Num prédio de 40 apartamentos, isso dá R$ 120 a mais por unidade, todo mês.

A lei permite síndico de fora, mas quem decide o nome e os honorários é a assembleia de condomínio
A lei permite síndico de fora, mas quem decide o nome e os honorários é a assembleia de condomínio – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A conta muda quando a convenção dava isenção ou remuneração ao síndico morador. Nesse caso, a diferença real é o que ele custava contra o que o profissional cobra. A troca de gestão também pode trazer à tona contratos revistos, manutenção atrasada e um fundo de reserva reforçado.

Ignorar esse boleto mais caro não é saída, porque a dívida de condomínio acompanha o imóvel. Um caso recente mostra até onde isso pode chegar.

Como a prestação de contas explica o reajuste de 22%?

A prestação de contas mostra se os 22% vieram do salário do síndico ou de outros gastos. O artigo 1.348 obriga o síndico a prestar contas à assembleia todo ano e sempre que alguém exigir.

Peça o balancete detalhado e compare item a item com o ano anterior para saber de onde veio o aumento de 22%
Peça o balancete detalhado e compare item a item com o ano anterior para saber de onde veio o aumento de 22% – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Peça o balancete detalhado, os contratos novos e a comparação item a item com o ano anterior. Se o honorário explica só parte do aumento, o resto precisa de justificativa: obra, reajuste de fornecedor, inadimplência ou reforço do fundo de reserva.

Quando as contas não aparecem ou não fecham, a lei oferece saída. Pelo artigo 1.349, uma assembleia convocada para isso pode destituir o síndico pelo voto da maioria absoluta. E se ele não chamar a reunião anual, um quarto dos condôminos pode convocá-la, diz o artigo 1.350.

Trocar o síndico morador pelo profissional vale a pena?

Pode valer, desde que a decisão seja tomada com números na mesa. O síndico profissional pode trazer distância das brigas e dedicação de quem vive do ofício. Mesmo assim, é um serviço pago, e o preço entra na taxa de condomínio de todos.

Antes de votar, peça na assembleia de condomínio uma simulação do impacto por unidade e compare com o custo do síndico morador. Depois, acompanhe cada prestação de contas de perto. Se o seu prédio aí no Rio está nessa discussão, conta pra gente como foi a votação no seu condomínio.

Briga de vizinhança nem sempre envolve dinheiro do condomínio. Às vezes, o motivo cai literalmente do pé.