Conta de água de casa simples pula de R$ 80 para R$ 4.500 no mês por vazamento invisível debaixo da terra, concessionária corta o serviço sem aviso e Justiça manda religar em 24 horas com urgência - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Conta de água de casa simples pula de R$ 80 para R$ 4.500 no mês por vazamento invisível debaixo da terra, concessionária corta o serviço sem aviso e Justiça manda religar em 24 horas com urgência

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
A água vazava direto para o solo sem aparecer em lugar nenhum. Nenhum morador tinha como saber.

A família de dona Lourdes vivia com uma conta média de R$ 80 por mês. Casa simples, quatro moradores, banho rápido. Quando o boleto de R$ 4.500 chegou pelo aplicativo, ela achou que era golpe. Semanas depois, veio o corte, sem aviso prévio, no meio de uma quinta-feira quente. A história é fictícia, mas ilustra o que acontece quando uma cobrança injusta encontra um serviço essencial: o corte de água por conta alta costuma parar rapidinho na Justiça.

Como uma casa simples recebeu uma conta de R$ 4.500?

O consumo médio da residência há dez anos girava entre 12 e 15 metros cúbicos por mês. No mês da conta alta, o hidrômetro registrou 340 metros cúbicos. Dona Lourdes não tinha piscina, não tinha jardim grande, não tinha reforma em andamento. Nada explicava aquele salto.

Um encanador de confiança fez a busca e achou o problema: um rompimento em tubulação subterrânea, entre o cavalete da rua e a caixa d’água, sob o cimento do quintal. A água vazava direto para o solo sem aparecer em lugar nenhum. Nenhum morador tinha como saber.

O vazamento não foi culpa da família, e a conta absurda tampouco.

O que aconteceu quando o vazamento foi resolvido?

Dona Lourdes consertou o cano por conta própria, guardou nota do encanador e foi até o balcão da concessionária pedir revisão da fatura. Recebeu um “não” verbal e a orientação de pagar antes que fosse cortada. Ela contestou por escrito, protocolou reclamação na agência reguladora e ficou aguardando resposta.

Onze dias depois, sem qualquer aviso formal, a água foi cortada. A família passou três dias comprando garrafão de galão para lavar prato e dar banho nas crianças. Foi quando ela procurou a Defensoria Pública.

Mas afinal, o que o Código de Defesa do Consumidor diz sobre corte por dívida contestada?

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 22, garante que os órgãos públicos e concessionárias são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e contínuos. Água é serviço essencial por definição. Cortar por dívida contestada, sem decisão final na esfera administrativa, é interrupção indevida.

A Lei das Concessões, no artigo 6º, admite interrupção só em duas hipóteses: emergência técnica ou inadimplência precedida de notificação prévia. Corte silencioso, sem aviso formal e sem decisão sobre a contestação, não se encaixa em nenhuma delas.

Leia também: A “Princesinha do Sul” cresceu com o cacau e hoje reúne praias, paisagens naturais e uma história marcada por um dos ciclos econômicos mais importantes da Bahia.

Quais são os direitos do consumidor em caso de vazamento não visível?

A cobrança bruta pela leitura do hidrômetro não é palavra final. Existe procedimento próprio, previsto em regulamento das agências reguladoras estaduais, para refaturar quando há vazamento oculto comprovado. Os direitos que costumam ser reconhecidos pelo Judiciário são estes:

1
Refaturamento pela média Cobrança recalculada com base no consumo médio dos últimos doze meses, quando comprovado vazamento oculto.
2
Suspensão da cobrança contestada Enquanto durar a análise administrativa, o valor questionado não pode motivar corte do serviço.
3
Notificação prévia obrigatória Aviso formal com prazo mínimo, geralmente quinze dias, antes de qualquer interrupção por inadimplência.
4
Religação urgente Restabelecimento imediato quando o corte for irregular, sob pena de multa diária fixada pelo juiz.
5
Indenização por dano moral Cabível quando a família fica sem água por período prolongado sem causa legítima.

A concessionária não tem direito de receber pelo que forneceu?

Tem, claro. Nenhum juiz manda dar água de graça. O ponto é que a fatura só pode ser executada depois que a discussão administrativa se encerra e o valor devido fica confirmado. As regras existem porque, sem esse freio, uma leitura errada de hidrômetro poderia deixar uma família inteira sem banho durante meses, para depois se descobrir que o erro estava do lado da empresa.

O que muda quando comparamos a conduta da concessionária com o caminho legal?

A diferença entre corte legítimo e corte indenizável não está na existência da dívida, mas no procedimento. A comparação entre o que a empresa fez e o que a lei permite fica clara na tabela:

Etapa O que a concessionária fez O que a lei exige
Análise do salto Consumo 22 vezes maior Manteve a leitura sem vistoria Inspeção obrigatória
Resposta à contestação Após protocolo escrito Não respondeu por escrito Descaso administrativo
Notificação prévia Antes do corte Cortou sem aviso formal Corte irregular
Refaturamento Vazamento oculto Recusou revisão pela média Recálculo devido

O que se aprende com a história de dona Lourdes?

O vazamento não foi culpa da família, e a conta absurda tampouco. Um cano subterrâneo estourado é acidente doméstico invisível, dos que qualquer morador cuidadoso pode enfrentar sem perceber. O problema não estava na conta chegar, estava na empresa tratar essa conta como fato consumado antes mesmo de olhar direito o hidrômetro.

Quem realmente quer se proteger de uma conta absurda por vazamento oculto precisa seguir esse roteiro: registrar o conserto com nota fiscal do encanador e fotos do cano rompido, protocolar pedido de revisão de fatura por escrito na concessionária, abrir reclamação na agência reguladora estadual de saneamento, guardar comprovantes das últimas doze contas para provar o consumo médio, e procurar Defensoria Pública ou Procon caso o corte aconteça antes da resposta administrativa.