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Do carvão ao topo da qualidade de vida, esta cidade surpreendeu ao entrar no grupo das 100 melhores do Brasil
O passado ligado à mineração contrasta com a nova posição da cidade.
O título de “Capital do Carvão” remete à história industrial de Criciúma, no sul de Santa Catarina, mas a cidade não ficou limitada à mineração. Maior município da região, com aproximadamente 225 mil habitantes, passou a dar novos usos ao patrimônio subterrâneo, transformando antigas galerias em atrações turísticas e diminuindo sua dependência econômica do carvão. A diversificação das atividades e a busca por qualidade de vida também têm atraído novos moradores para o município, situado a cerca de 200 km de Florianópolis.
Como é viver em Criciúma no dia a dia?
A rotina em Criciúma reúne a estrutura de uma cidade de porte médio e o ritmo mais tranquilo associado ao interior de Santa Catarina. Principal corredor urbano, a Avenida Centenário liga diferentes bairros à região central e facilita os deslocamentos, sem os congestionamentos frequentes nas grandes capitais. O transporte coletivo também conta com uma rede integrada, formada por três terminais e linhas que atendem toda a área urbana.
Com IDH de 0,788, o município aparece entre os 100 melhores do Brasil, segundo o IBGE. Na área da saúde, o Hospital São José é referência em cardiologia e neurocirurgia. Já o ensino superior tem na UNESC uma de suas principais instituições, com destaque para o curso de Medicina. O custo de vida costuma ser mais acessível do que nas capitais do Sul, enquanto o mercado imobiliário oferece alternativas em diferentes regiões, desde o centro até o bairro Comerciário, conhecido pelo padrão mais elevado.

Quais regiões de Criciúma são mais procuradas para morar?
O Centro reúne boa parte do comércio e dos serviços, além da tradicional Praça Nereu Ramos, ponto de convivência cercado por cafés. Para famílias, o bairro Michel chama a atenção pela proximidade com escolas e parques. Santa Luzia atrai quem procura uma região ligada ao ambiente universitário, enquanto Pio Corrêa oferece um perfil predominantemente residencial e tranquilo. Já o Comerciário se diferencia pelos imóveis de padrão elevado e pela estrutura de segurança reforçada.
A influência de Criciúma ultrapassa os limites municipais e alcança mais de 1 milhão de pessoas no sul catarinense. Essa posição de centro regional também aparece na oferta comercial: redes como Angeloni, que tem sua sede nacional na cidade, e Bistek garantem ampla variedade de supermercados e serviços, sem que os moradores precisem viajar até a capital.

Quais são as principais opções de lazer em Criciúma?
O passado ligado à mineração também se transformou em atração turística. Em Criciúma, espaços de memória convivem com parques, equipamentos culturais e estruturas voltadas à ciência e ao entretenimento.
- Mina de Visitação Octávio Fontana: considerada a única mina de carvão aberta à visitação pública na América Latina, oferece um passeio de mini locomotiva por 300 metros de galerias subterrâneas de uma mina real desativada.
- Parque das Nações Cincinato Naspolini: maior espaço de lazer do município, reúne ciclovias, quadras esportivas, playground e monumentos que homenageiam as etnias colonizadoras.
- Parque Astronômico Albert Einstein: localizado no Morro Cechinel, oferece sessões de planetário e observações do céu com telescópios. Nas proximidades, o Mirante Realdo Santos Guglielmi proporciona vista panorâmica de 360° e conta com uma plataforma de vidro.
- Teatro Municipal Elias Angeloni: única sala de espetáculos do sul do estado, fica dentro do Parque Centenário.
- Museu Augusto Casagrande: instalado em um casarão de arquitetura característica do interior da Itália do século XIX, preserva registros da história dos colonizadores.
Como a mineração abriu caminho para a indústria cerâmica?
A formação de Criciúma teve início em 6 de janeiro de 1880, quando 22 famílias de imigrantes italianos, a maioria procedente do Vêneto, percorreram mais de 30 km de mata fechada até se estabelecerem às margens de um rio no sul de Santa Catarina. O nome do município deriva da planta Kyruy-Syiuâ, encontrada em abundância na região e chamada de “cresciuma” pelos colonos.
Inicialmente baseada na agricultura de subsistência, a economia passou a girar em torno da extração de carvão, atividade que predominou durante décadas. Com o tempo, a cidade recebeu imigrantes de diferentes origens, formando uma identidade multicultural que permanece presente na Festa das Etnias. A emancipação ocorreu em 1925. Depois do auge da mineração, entre as décadas de 1930 e 1960, Criciúma diversificou sua economia e se consolidou como referência nacional na fabricação de cerâmicas, além de desenvolver os setores de confecção e indústria química.

Como chegar à maior cidade do sul catarinense?
Criciúma fica a 200 km de Florianópolis e a 250 km de Porto Alegre, com acesso principal pela BR-101. A cidade é atendida pelo Aeroporto Regional de Jaguaruna, a poucos quilômetros do centro, e pela rodoviária com linhas para capitais e cidades da região.
A cidade que trocou a mineração subterrânea pela vida à luz do dia
Criciúma guarda em seu nome a lembrança de um capim quase extinto e, sob o solo, a marca de uma mineração que influenciou gerações inteiras. Mas o que se revela hoje na superfície é uma cidade que passou por uma forte transformação, tornando-se mais diversa, multicultural e com uma estrutura que permite resolver a rotina sem depender das capitais.
Para quem busca uma cidade no Sul com custo de vida mais acessível, oportunidades de trabalho, universidades e um ambiente acolhedor onde diferentes culturas convive, celebradas inclusive na tradicional festa das etnias, Criciúma acaba surgindo como uma opção a ser considerada.