Ele recolheu mais de 100 mil garrafas plásticas e as transformou em uma ilha artificial com casa e lago - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Ele recolheu mais de 100 mil garrafas plásticas e as transformou em uma ilha artificial com casa e lago

Ele junta 100 mil garrafas plásticas e ergue uma ilha de 743 m² no mar: casa de três andares, dois lagos e energia solar

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Ele recolheu mais de 100 mil garrafas plásticas e as transformou em uma ilha artificial com casa e lago
Homem junta 100 mil garrafas plásticas e constrói ilha de 743 m² com casa de três andares (Imagem ilustrativa)
♻️

Ele mora sobre o lixo que o mundo joga fora

Passou anos catando garrafas na praia até virar dono do próprio pedaço de mar. O que essa história diz sobre o seu saco de lixo? ⬇️

Uma casa de três andares, dois lagos, uma cascata e painéis solares, tudo boiando a poucos metros da costa sobre embalagens que alguém descartou. A ilha artificial construída pelo britânico Richart Sowa no Caribe mexicano parece invenção de roteirista, mas existe e virou atração turística. Por trás da excentricidade há uma conta bem concreta sobre o destino do plástico que sai da sua cozinha todo dia.

Como 100 mil garrafas conseguem sustentar uma casa?

O segredo é o ar preso dentro de cada embalagem vazia e bem fechada. Sowa amarrou milhares de garrafas PET dentro de redes de pesca e formou uma base flutuante contínua. Por cima dessa camada colocou tábuas de madeira, areia e raízes de plantas que ajudam a segurar o conjunto.

A construção começou no fim de 2007 e levou cerca de um ano. O terreno flutuante chegou a 743 metros quadrados, ficou a poucos metros do litoral de Isla Mujeres e ganhou o nome de Joyxee Island. Uma versão anterior, erguida em 1998, tinha sido destruída por um furacão em 2005.

A ilha flutuante nunca foi apenas uma balsa decorada. O artista queria provar que dava para viver ali com pouquíssima dependência externa.

  • Casa de três pisos, com cozinha, banheiro seco e banheira ao ar livre
  • Dois lagos artificiais e uma cascata movida por energia solar
  • Área de cultivo para produzir parte dos alimentos consumidos
  • Uma máquina de lavar acionada pelo movimento das ondas
Britânico usa 100 mil garrafas PET para erguer ilha com casa, dois lagos e energia solar (Foto: Richart Sowa)

Quanto plástico o Brasil realmente recicla hoje?

Bem menos do que o senso comum imagina. O índice de reciclagem mecânica de embalagens plásticas pós-consumo chegou a 24,4% em 2024, enquanto o número geral, somando todos os tipos de resina, ficou em 21%. Os dados são do levantamento anual da consultoria MaxiQuim para o PICPlast, parceria entre a ABIPLAST e a Braskem.

No mesmo ano o país produziu 1,012 milhão de toneladas de resina reciclada pós-consumo. O PET responde sozinho por 39% desse volume, à frente do PEAD, com 20%. Sudeste e Sul concentram a maior parte do processamento.

Os números ganham outro peso quando você acompanha o caminho de uma garrafa depois que a tampa é enroscada pela última vez. Cada etapa desse trajeto depende de uma decisão tomada dentro de casa.

O trajeto de uma garrafa depois do descarte

🗑️
Separação em casa
Garrafa vazia, sem líquido e sem resto de comida rende material limpo. Molhada e suja, ela contamina o lote inteiro.
🚛
Coleta e triagem
Cooperativas e centrais de triagem separam por tipo de resina. É aqui que a maior parte do material se perde no Brasil.
🔁
Volta como produto novo
O PET reciclado vira embalagem, fibra têxtil e peça técnica. Foi 39% de toda a resina reciclada produzida em 2024.
Fonte: estudo MaxiQuim para o PICPlast (ABIPLAST e Braskem), dados de 2024.

O que diz a lei brasileira sobre esse tipo de resíduo?

A regra está na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei nº 12.305/2010. Ela criou a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, que divide a conta entre fabricantes, comerciantes, poder público e você. A norma também tornou obrigatória a logística reversa em várias cadeias e proíbe lançar resíduos em praias, rios e no mar.

Na prática, cada elo dessa corrente recebeu uma tarefa própria. A divisão funciona assim:

  1. Fabricantes e importadores estruturam sistemas de retorno de produtos e embalagens
  2. Comerciantes mantêm pontos de entrega e devolvem o material recolhido
  3. Prefeituras oferecem coleta seletiva e apoiam cooperativas de catadores
  4. Moradores separam o resíduo seco e o encaminham ao ponto correto

Dá para construir uma ilha dessas no Brasil?

Não por conta própria. O mar territorial e os terrenos de marinha são bens da União, segundo a Constituição Federal, então qualquer estrutura fixa ou flutuante em área costeira depende de autorização da Secretaria do Patrimônio da União e de análise da Marinha do Brasil. Obras em corpos d’água ainda exigem licenciamento do órgão ambiental competente.

Em açudes e lagos dentro de propriedade particular a burocracia diminui, mas a lógica continua a mesma. Projeto, licença e cuidado com o material usado. Uma plataforma feita de embalagens mal amarradas vira poluição na primeira cheia.

Vale a pena repensar o que você joga fora?

A obra de Sowa não resolve a crise do plástico, e ele nunca prometeu isso. O mérito dela é forçar quem vê as fotos a fazer uma conta desconfortável sobre o próprio consumo. Cem mil garrafas cabem no descarte de um bairro pequeno em poucos meses.

Fica o convite: nesta semana, separe suas garrafas e procure o ponto de coleta mais próximo da sua casa. Depois me conta se ele já existia ali e você nunca tinha reparado.