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Em 1825, o araçá brasileiro chegou ao Havaí; dois séculos depois, drones soltam um inseto também brasileiro para frear a árvore

Pesquisadores da Universidade do Havaí em Hilo usaram drones para levar uma cochonilha brasileira às copas e foram quase cinco vezes mais rápidos que no chão

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Cientistas usam drones para soltar sobre as copas um inseto brasileiro que freia o araçá no Havaí sem veneno
Cientistas usam drones para soltar sobre as copas um inseto brasileiro que freia o araçá no Havaí sem veneno - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Uma árvore frutífera nativa do Brasil atravessou o planeta há dois séculos e hoje é uma das maiores dores de cabeça das florestas do Havaí. O araçá, chamado por lá de strawberry guava, chegou ao arquipélago em 1825. Agora, cientistas usam drones para soltar sobre as copas um inseto minúsculo, também brasileiro, que enfraquece a planta sem uso de veneno.

Como o araçá brasileiro virou problema nas florestas do Havaí?

O araçá virou problema porque se espalhou sem freio pela mata nativa das ilhas. Segundo o Departamento de Agricultura do Havaí, a árvore foi introduzida em 1825 e, desde então, avançou pelas florestas nativas do arquipélago.

O estrago vai além da paisagem. Um estudo da Universidade do Havaí citado pelo órgão mostra que florestas tomadas pela árvore perdem 27% mais água do que as matas nativas de ohia, árvore típica das ilhas. Os frutos caídos também alimentam a mosca-das-frutas oriental, praga que ameaça as lavouras.

Arrancar a planta com as mãos é muito difícil em áreas remotas, o que torna essa espécie invasora ainda mais complicada de conter. Pesquisadores ouvidos pelo departamento contam que caramujos terrestres nativos sumiram onde o araçá se espalhou.

Que inseto brasileiro foi escolhido para frear o araçá?

O escolhido foi o Tectococcus ovatus, uma cochonilha minúscula nativa do Brasil, a mesma terra de origem do araçá. De acordo com o Departamento de Agricultura do Havaí, o Serviço Florestal dos Estados Unidos concluiu que o inseto faz o controle biológico da árvore sem prejudicar plantas nativas ou insetos benéficos.

A cochonilha Tectococcus ovatus provoca galhas nas folhas e reduz o vigor do araçá, mas não mata a árvore
A cochonilha Tectococcus ovatus provoca galhas nas folhas e reduz o vigor do araçá, mas não mata a árvore – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O bichinho passa a maior parte da vida dentro das folhas. Ali ele provoca galhas, pequenos calombos que reduzem o vigor da planta, mas não a matam. A ideia é segurar o avanço da árvore, e não eliminá-la de uma vez.

A relação entre insetos e árvores tem detalhes curiosos, que ajudam a entender por que certas espécies atraem mais bichos que outras. A matéria abaixo explica esse fenômeno.

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Por que insetos se concentram mais em determinadas árvores➔

Por que o drone acelera o controle biológico no Havaí?

O drone acelera o trabalho porque leva o inseto direto ao alto da copa, onde a equipe em terra mal alcança. Um estudo da Universidade do Havaí em Hilo, publicado em junho de 2025 no periódico Journal of Economic Entomology, mostrou o ganho na prática.

No chão, os técnicos usavam uma vara extensível para pendurar nos galhos o material com os insetos. Um drone pequeno, com carga para quatro unidades, foi quase cinco vezes mais rápido. Um ano depois, a taxa de sucesso na infestação das árvores também foi maior.

Drone pequeno foi quase cinco vezes mais rápido que a vara extensível para liberar os insetos nas copas
Drone pequeno foi quase cinco vezes mais rápido que a vara extensível para liberar os insetos nas copas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O projeto foi liderado pelo professor de geografia e ciência ambiental Ryan Perroy, ao lado de Roberto Rodriguez III, Olivia Jarvis e M. Tracy Johnson, do Serviço Florestal americano. Os testes ocorreram em três áreas da Ilha do Havaí, entre elas as reservas de Upper Waiākea e Olaʻa.

Os números ajudam a medir o tamanho do desafio e da novidade. O quadro abaixo reúne três dados confirmados pelas instituições havaianas.

O araçá no Havaí em númerosDADOS

1825: ano em que a árvore foi introduzida no arquipélago.

27%: perda de água a mais nas florestas tomadas pelo araçá.

Quase 5 vezes: quanto o drone pequeno foi mais rápido que a vara.

Fontes: Departamento de Agricultura do Havaí e Universidade do Havaí em Hilo.

As imagens aéreas também se mostraram úteis para detectar as galhas e acompanhar a dispersão do inseto. Drones maiores e helicópteros comuns conseguiram atingir copas escolhidas uma a uma, e os autores consideram viável a aplicação em grandes áreas.

O que a saga do araçá ensina sobre espécie invasora?

A saga do araçá mostra que levar uma planta para longe de casa pode custar caro décadas depois. Longe dos inimigos naturais da terra de origem, uma espécie invasora pode tomar o lugar da vegetação local e mexer até com a água.

A resposta havaiana junta biologia e tecnologia: um inseto avaliado pelo Serviço Florestal e um drone que voa onde o homem não chega. Se você tem um pé de araçá no quintal, lembra dessa história na próxima colheita e conta pra gente o que achou.

Quem gosta de cuidar de plantas em casa também encontra no site orientações práticas para proteger as folhas. Uma delas está logo abaixo.