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Em 1902, o Havaí introduziu manguezais-vermelhos para estabilizar o litoral e, 124 anos depois, as árvores invasoras bloqueiam canais e ameaçam aves nativas

A decisão de 1902 que ainda transforma o litoral e preocupa cientistas

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Em 1902, o Havaí introduziu manguezais-vermelhos para estabilizar o litoral e, 124 anos depois, as árvores invasoras bloqueiam canais e ameaçam aves nativas
A introdução buscava estabilizar o litoral e reduzir erosão

Em 1902, o Havaí introduziu manguezais-vermelhos para estabilizar o litoral, reduzir erosão e proteger áreas costeiras vulneráveis. A decisão parecia prática na época, mas, 124 anos depois, virou um problema ambiental complexo. As árvores invasoras se espalharam por zonas úmidas, bloquearam canais, alteraram o fluxo da água e passaram a ameaçar habitats usados por aves nativas em perigo.

Por que o Havaí introduziu manguezais-vermelhos em 1902?

Os manguezais-vermelhos foram levados ao Havaí com uma função aparentemente útil. Suas raízes densas ajudavam a segurar sedimentos, reduzir erosão e tornar margens costeiras mais estáveis. Em ilhas expostas a ondas, tempestades e mudanças no nível da água, essa parecia uma solução simples para proteger o litoral.

Naquele período, era comum mover espécies de uma região para outra com objetivos agrícolas, ornamentais ou ambientais. A preocupação com impactos ecológicos de longo prazo era muito menor. O que parecia uma intervenção inteligente para controlar a erosão acabou criando um novo desafio para os ecossistemas havaianos.

Como essas árvores se espalharam pelas áreas úmidas?

O manguezal-vermelho se espalha com facilidade porque produz propágulos, estruturas alongadas que flutuam na água e podem viajar por canais, marés e áreas costeiras. Quando encontram lama, água salobra e condições favoráveis, essas estruturas criam raízes e formam novas plantas.

No Havaí, o clima quente e as áreas costeiras protegidas facilitaram esse avanço. Com o passar das décadas, as árvores foram ocupando margens, estuários e zonas úmidas. Suas raízes formaram redes densas em águas rasas, enquanto a copa fechada mudou a luz, a circulação e a estrutura desses ambientes.

Por que os manguezais-vermelhos viraram invasores no Havaí?

Em muitas partes do mundo, manguezais são ecossistemas importantes. O problema é que o Havaí não tinha florestas naturais de mangue antes dessa introdução. As plantas, animais e aves locais evoluíram em ambientes costeiros abertos, com lamaçais, canais rasos e vegetação diferente.

Quando o manguezal-vermelho se expande nesses locais, ele altera a paisagem. As mesmas características que ajudam a segurar o solo também podem gerar impactos negativos:

  • As raízes prendem sedimentos e podem entupir canais rasos;
  • A vegetação densa fecha áreas antes abertas;
  • A sombra reduz a luz disponível para plantas nativas;
  • O fluxo da água muda dentro das zonas úmidas;
  • Os lamaçais usados por aves ficam menores e fragmentados.
Em 1902, o Havaí introduziu manguezais-vermelhos para estabilizar o litoral e, 124 anos depois, as árvores invasoras bloqueiam canais e ameaçam aves nativas
Mais de 120 anos depois, as árvores viraram problema ambiental

Como as aves nativas são afetadas?

Aves nativas ameaçadas dependem de áreas abertas, água rasa e lamaçais para se alimentar, caminhar, nidificar e criar filhotes. Espécies como o aeʻo, conhecido como pernilongo-havaiano, e a ʻalae keʻokeʻo, conhecida como galeirão-havaiano, precisam desses espaços para sobreviver.

Quando as árvores invasoras avançam, os canais ficam mais fechados e o acesso ao alimento diminui. As raízes dificultam o deslocamento, a copa reduz a visibilidade e as mudanças no nível da água afetam pequenos organismos que servem de alimento. Para aves que já enfrentam perda de habitat, predadores, doenças e perturbação humana, o manguezal-vermelho adiciona mais pressão.

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O que os pesquisadores e gestores ambientais estão fazendo?

Pesquisas apoiadas por órgãos como o USGS ajudam a entender em quais condições as mudas de manguezal-vermelho crescem melhor. Salinidade, sombra, água e luz influenciam a sobrevivência das plantas jovens. Com essas informações, gestores conseguem prever áreas mais vulneráveis e planejar ações de controle.

A remoção das árvores exige esforço contínuo e acompanhamento. Não basta cortar plantas adultas se novos propágulos continuam chegando pela água. Entre as medidas usadas ou estudadas estão:

Recuperação das zonas úmidas

Medidas para controlar invasoras e restaurar o ambiente

  • 1Corte e retirada de árvores invasoras em áreas prioritárias;
  • 2Controle de rebrota e remoção de mudas novas;
  • 3Restauração de plantas nativas nas zonas úmidas;
  • 4Monitoramento para evitar nova ocupação dos canais;
  • 5Planejamento para proteger aves durante a nidificação.

Uma decisão antiga que ainda transforma o litoral

A história dos manguezais-vermelhos no Havaí mostra como uma solução ambiental pode gerar consequências inesperadas quando não considera a ecologia local. Em 1902, as árvores pareciam úteis para estabilizar margens. Em 2026, seus efeitos aparecem em canais bloqueados, habitats alterados e aves nativas sob maior risco.

O caso não significa que todo manguezal seja ruim. Significa que uma espécie pode ser valiosa em seu ambiente natural e problemática onde foi introduzida. Para o Havaí, o desafio agora é restaurar áreas abertas, proteger aves ameaçadas e corrigir, com paciência, uma decisão tomada há mais de um século.