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Em apenas 38 dias, 3,5 milhões de pessoas e R$ 740 milhões movimentados: os números do Maior São João do Mundo impressionam

O Maior São João do Mundo movimentou R$ 740 milhões e impressionou pelos números.

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Em apenas 38 dias, 3,5 milhões de pessoas e R$ 740 milhões movimentados: os números do Maior São João do Mundo impressionam
A partir do segundo ano, a festa já contava com 30 dias de forró. / Imagem ilustrativa

Nem toda festa popular brasileira cabe em um único mês. O Maior São João do Mundo, realizado em Campina Grande, no agreste da Paraíba, se estende por 38 dias consecutivos e movimenta uma cidade cenográfica erguida em cerca de 40 mil metros quadrados. Só na edição de 2025, a festa atraiu mais de 3,5 milhões de visitantes e injetou aproximadamente R$ 740 milhões na economia local, segundo levantamento divulgado pela imprensa oficial.

Como o Maior São João do Mundo começou em Campina Grande em 1983?

A festa nasceu de uma decisão política. Em 1983, o prefeito Ronaldo Cunha Lima resolveu centralizar as celebrações juninas de Campina Grande com o objetivo de criar um grande potencial turístico para a cidade. O espaço escolhido já era usado pelos moradores: era o antigo Palhoção, criado pelo ex-prefeito Enivaldo Ribeiro em um terreno conhecido como Coqueiros de Zé Rodrigues.

A partir do segundo ano, a festa já contava com 30 dias de forró. O sucesso rápido levou à pavimentação completa do espaço e à construção de uma estrutura permanente que virou marco da festa. Segundo o portal Paraíba Criativa, em 1987, o evento entrou no calendário oficial do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), então presidido por João Dória Júnior, o que ampliou definitivamente o alcance nacional da festa.

Essa cidade brasileira respira forró 365 dias por ano
Em Campina Grande, forró vibrante e São João épico inspiram alegria nordestina, celebrando tradição e inovação na Borborema. – Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Por que a Pirâmide do Parque do Povo virou o cartão-postal da festa?

A resposta está em um erro de percepção que acabou virando identidade. A estrutura foi projetada pelo arquiteto Carlos Alberto de Almeida a pedido do prefeito Ronaldo Cunha Lima, construída pela empresa Enarq. A inspiração original era representar uma fogueira, símbolo maior das festividades juninas, e o nome oficial escolhido foi Forródromo, em alusão direta ao Sambódromo do Rio de Janeiro.

Pouca gente relacionou o formato da obra a uma fogueira. O apelido informal Pirâmide, dado pelo público por conta do desenho geométrico, prevaleceu e se firmou como nome popular. O Parque do Povo foi oficialmente inaugurado em 14 de maio de 1986, e a primeira grande festa aconteceu no dia 31 do mesmo mês, com o local completamente lotado. Desde então, a Pirâmide virou palco de casamentos coletivos, apresentações de quadrilhas juninas e cerimônias de despedida de figuras importantes da cultura popular nordestina, entre elas o próprio Ronaldo Cunha Lima.

O que fez o Parque do Povo crescer até quase 40 mil m² em 2024?

A resposta acompanha a evolução da festa. O parque original tinha cerca de 27 mil metros quadrados no ano de inauguração e passou por sucessivas ampliações ao longo das décadas. Em 1989, uma primeira expansão criou espaço à direita da pirâmide, onde hoje fica o palco principal dos grandes shows.

Segundo a Agência Brasil, veículo oficial da EBC, em 2024 o parque passou por sua maior expansão, incorporando o vizinho Parque Evaldo Cruz e chegando a quase 40 mil metros quadrados. O espaço passou a comportar até 76 mil pessoas por dia, com fechamento quando atinge a lotação máxima. A área foi organizada como uma cidade cenográfica, com réplicas da Catedral, do Cassino Eldorado e do prédio do Museu Histórico, além de uma fogueira junina gigante e um espaço dedicado à Vila da Imprensa.

Como a festa movimenta R$ 740 milhões e recebe 3,5 milhões de pessoas em 38 dias?

A resposta está no formato ininterrupto do evento. A edição de 2025 se estendeu por 38 dias, de 30 de maio a 6 de julho, com programação diária no Parque do Povo e em espaços paralelos espalhados pela cidade. A movimentação econômica calculada em R$ 740 milhões abrange hospedagem, alimentação, transporte, comércio local, artesanato e prestação de serviços.

A edição de 2026, a 43ª da festa, acontece entre 3 de junho e 5 de julho, com 33 dias de programação ininterrupta. Palcos paralelos e eventos temáticos ampliam ainda mais o alcance da festa. Os shows reúnem grandes nomes do forró tradicional e da nova geração, além de artistas de MPB e da música regional. O público supera em várias vezes a população fixa do município, chegando a receber, no total do período, um contingente equivalente a diversas vezes o número de moradores.

O que é o Expresso Forrozeiro que leva forró até Galante?

É uma das tradições ferroviárias mais originais do calendário junino. Todo mês de junho, um trem de 800 passageiros parte da Estação Velha, no centro de Campina Grande, em direção ao distrito de Galante, no extremo leste do município, no Planalto da Borborema. A viagem dura em média duas horas em cada trecho.

Durante o percurso, trios de forró se revezam animando os vagões. Ao chegar em Galante, o passeio ganha ares de arraial rural, com barracas de comida típica, apresentações de quadrilhas e ambientação junina montada no distrito. O Expresso Forrozeiro tornou-se marca registrada da festa e opção para quem quer combinar a experiência ferroviária com o forró tradicional, longe da concentração do Parque do Povo.

Essa cidade brasileira respira forró 365 dias por ano
Campina Grande, Rainha da Borborema, destaca-se pelo Maior São João do Mundo no Parque do Povo, Açude Velho e polo tecnológico paraibano. // Campina Grande – Créditos: depositphotos.com / [email protected]

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Uma cidade cenográfica que se ergue todo ano no agreste paraibano

Poucas festas populares brasileiras conseguem manter, ao longo de quatro décadas, a mesma cadência sem perder a essência. O Maior São João do Mundo cresceu do palhoção improvisado dos anos 1980 até se transformar em um evento com programação de mais de um mês, orçamento na casa das centenas de milhões e uma pirâmide-fogueira que ninguém sabia bem como chamar quando foi construída. A Pirâmide continua no mesmo lugar, com o mesmo formato geométrico que a fez virar apelido, e agora completa 40 anos como marca visual reconhecida em todo o Brasil.

Na escala de uma noite no Parque do Povo, o forró pé de serra convive com os grandes shows do palco principal, e a cidade cenográfica preserva as réplicas dos prédios históricos que apontam para o passado da própria Campina Grande. Na escala das décadas, o São João virou um dos maiores fenômenos culturais e econômicos do calendário brasileiro, com um público que a cada junho equivale a muitas vezes a população da cidade que o inventou.