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Emprestar açúcar para o vizinho era um costume simples que aproximava as casas antigas
Emprestar açúcar era um gesto simples que reforçava confiança, proximidade e convivência entre vizinhos
Em muitas cidades brasileiras, gestos simples que marcavam o cotidiano algumas décadas atrás se tornaram raros. Pedir uma xícara de açúcar para o vizinho, brincar na rua até anoitecer ou guardar moedas em cofrinhos físicos faziam parte de uma rotina compartilhada por boa parte das famílias. Hoje, com novos hábitos de consumo, maior uso de tecnologia e mudanças na organização das cidades, essas situações aparecem mais como lembrança do que como rotina, alimentando um sentimento de nostalgia de infância em diferentes gerações.
O que é nostalgia de infância e por que ela é tão marcante?
A nostalgia de infância costuma estar ligada a experiências simples: conviver com vizinhos, circular com liberdade pela rua, usar a imaginação em vez de depender de telas e viver um tempo em que o relógio parecia andar mais devagar. Esse clima nostálgico surge em conversas entre gerações, quando alguém compara a liberdade de antes com a vida mais conectada e, ao mesmo tempo, mais isolada dos dias atuais.
Não se trata de afirmar que um tempo era melhor do que o outro, mas de observar como alguns costumes perderam espaço, deixando apenas memórias afetivas e histórias de família. Muitos adultos recordam, por exemplo, o costume de tocar a campainha do vizinho para pedir açúcar, sal ou café quando algum ingrediente faltava na receita, gesto que fortalecia vínculos e criava um senso de comunidade no bairro.

Como era a infância nos anos 80, 90 e 2000 no Brasil?
Para quem cresceu nas décadas de 80, 90 e 2000, a infância foi marcada por brincadeiras de rua, convivência intensa com vizinhos e menos dependência de tecnologia digital. Dividir figurinhas no recreio, brincar de queimada ou esconde-esconde e acompanhar desenhos na TV aberta em horários fixos faziam parte de um roteiro quase comum em muitas cidades brasileiras.
A comunicação entre amigos passava por telefonemas em linha fixa, bilhetes dobrados e encontros combinados com antecedência, sem aplicativos de localização ou confirmação a todo momento. Gravar fitas cassete ou CDs com seleções personalizadas e ouvir música em rádio de pilha também eram rituais que ajudavam a construir memórias compartilhadas entre colegas e familiares.
Quais costumes do passado se tornaram raros atualmente?
Vários hábitos que eram corriqueiros se tornaram exceção em muitas regiões, principalmente nas grandes cidades. A expressão “emprestar açúcar para o vizinho” virou quase um símbolo de um conjunto de pequenas práticas sociais que reforçavam a confiança e a proximidade entre moradores, hoje substituídas por rotinas mais fechadas e individualizadas.
Esses costumes aparecem em lembranças sobre brincadeiras na rua, casas de portas abertas e pequenos recados deixados em papel, que mostravam um cotidiano com mais contato direto. A seguir, alguns exemplos de práticas que perderam espaço, mas ainda vivem na memória de quem as experimentou:
- Emprestar açúcar para o vizinho: gesto ligado à confiança e à ideia de que a casa ao lado era quase uma extensão da própria.
- Crianças brincando na rua: rodinhas de bicicleta, futebol no asfalto, amarelinha e carrinho de rolimã dominavam calçadas e quarteirões.
- Portas abertas ou encostadas: em alguns bairros, a porta ficava semiaberta, sinalizando que a casa estava receptiva para visitas rápidas.
- Telefonemas em orelhões: fichas e cartões telefônicos eram itens indispensáveis para se comunicar fora de casa.
- Recados em papel: anotações presas na geladeira ou deixadas sob a porta substituíam mensagens instantâneas.
Por que esses costumes de infância ficaram menos frequentes?
A diminuição dessas práticas está ligada a uma combinação de fatores, como mudanças na segurança pública, no desenho urbano e na forma de trabalhar e consumir. Ruas mais movimentadas por carros, jornadas de trabalho extensas e maior preocupação com riscos fazem com que muitos responsáveis evitem que crianças circulem sozinhas em espaços abertos por longos períodos.
O avanço da tecnologia também transformou a maneira de se relacionar e resolver problemas cotidianos. Conversas antes presenciais foram substituídas por chamadas de vídeo, áudios e mensagens rápidas, enquanto compras de emergência, como um pacote de açúcar, podem ser feitas por aplicativos de entrega, reduzindo o impulso de pedir algo emprestado ao vizinho.
Conteúdo do canal Receitas de Pai, com mais de 12 milhões de inscritos e cerca de 205 mil de visualizações:
Como a nostalgia de infância se manifesta na vida atual?
Mesmo que muitos costumes tenham ficado raros, a nostalgia de infância continua presente em conversas, redes sociais, filmes e séries que resgatam imagens de ruas cheias de brincadeiras e vizinhos que se conheciam pelo nome. Em festas de família, é comum que adultos contem histórias sobre “como era na época da escola” ou “quando todo mundo se reunia na calçada depois do jantar”, aproximando gerações em torno dessas memórias.
Algumas pessoas tentam recriar parte desse ambiente promovendo encontros de rua, festas juninas de bairro, trocas de livros e brinquedos ou pequenos mutirões de ajuda entre moradores. Em muitos locais, grupos de mensagens servem para avisar sobre objetos emprestados, atualizando em formato digital um comportamento que antes era totalmente presencial.
Como as memórias de infância ainda conectam diferentes gerações?
Para crianças que crescem em 2026, jogos online, videochamadas com parentes distantes e acesso a conteúdos variados em poucos cliques fazem parte do dia a dia. Ao mesmo tempo, as histórias sobre brincadeiras de rua, cadernos de recados e visitas improvisadas ajudam a construir uma ponte entre gerações, despertando curiosidade sobre um período recente, mas muito diferente do cenário atual.
Essas lembranças funcionam como um registro informal de modos de vida que já não são predominantes, mas ainda influenciam gestos cotidianos e escolhas de convivência. Quando alguém oferece ajuda ao vizinho, organiza uma roda de conversa na calçada do prédio ou incentiva uma tarde sem telas para que crianças brinquem juntas, elementos desse passado reaparecem como referência para construir vínculos em um mundo mais conectado e, em muitos casos, mais individualizado.