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Especialistas explicam por que aparecem mais cobras nos quintais entre outubro e março: “O aumento pode estar relacionado ao calor, às chuvas e ao período de reprodução dessas espécies”
Entre outubro e março, cobras podem se aproximar mais das casas em busca de abrigo, alimento e áreas secas
Encontrar cobras nos quintais pode se tornar mais frequente nos meses quentes e chuvosos, especialmente em áreas próximas de matas, terrenos e cursos d’água. Entre outubro e março, condições comuns à primavera e ao verão em parte do Brasil favorecem a atividade desses animais. A procura por alimento, abrigo e as diferentes etapas do ciclo reprodutivo também ajudam a explicar esses encontros.
Como o calor influencia a movimentação das serpentes?
As serpentes são ectotérmicas, ou seja, dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura corporal. Essa condição influencia a locomoção, a digestão e outras funções do organismo. Com temperaturas favoráveis, elas podem ficar mais ativas e se deslocar em busca de recursos, aumentando a possibilidade de serem vistas pelas pessoas.
O intervalo entre outubro e março não funciona como um calendário único para todo o país. O regime de chuvas, o clima regional e as espécies presentes modificam essa dinâmica. Também não significa que quanto mais quente, maior será a atividade: em situações de calor excessivo, uma cobra pode procurar um local mais fresco para se proteger.

Por que as chuvas podem levar cobras para perto das casas?
Alagamentos podem inundar abrigos e obrigar os animais a procurar áreas secas. Nesse deslocamento, jardins, garagens e quintais podem aparecer no caminho. A presença de esconderijos e alimento também favorece a permanência nas proximidades. Alguns elementos do ambiente doméstico merecem atenção:
- Pilhas de madeira, telhas e materiais de construção oferecem espaços protegidos;
- Entulho e vegetação alta dificultam perceber um animal antes da aproximação;
- Lixo acumulado pode favorecer roedores, que servem de alimento para algumas serpentes;
- Frestas em portas, muros e paredes podem permitir o acesso a áreas internas;
- Imóveis próximos de fragmentos de vegetação podem ter maior contato com a fauna local.
O período de reprodução também participa desse aumento?
O ciclo reprodutivo pode influenciar a presença de cobras, mas varia conforme a espécie e a região. Acasalamento, gestação, postura de ovos e nascimento dos filhotes não acontecem necessariamente na mesma estação. Em diversas espécies brasileiras, os filhotes chegam nos meses mais quentes, quando as condições ambientais e a disponibilidade de alimento favorecem seu desenvolvimento.
Assim, o aumento dos encontros pode reunir fatores diferentes: adultos em deslocamento, nascimento de filhotes e animais procurando abrigo após as chuvas. Ver uma serpente pequena, porém, não permite concluir que existe um ninho no terreno. Também não é motivo para tentar pegá-la: a identificação e o manejo exigem conhecimento, independentemente do tamanho do animal.
Como reduzir os encontros com serpentes no quintal?
A prevenção envolve diminuir esconderijos e evitar o contato direto. A manutenção deve ser feita com atenção, principalmente depois de chuvas fortes ou ao mexer em materiais que ficaram parados por muito tempo. Se uma cobra já estiver visível, interrompa a atividade e mantenha distância. Para cuidar do espaço:
Medidas para diminuir esconderijos, vedar acessos e trabalhar com mais proteção ao redor da casa
- 1Evite acumular entulho, telhas, tijolos e madeira junto à residência;
- 2Mantenha a vegetação próxima da casa aparada;
- 3Guarde o lixo em recipientes fechados e reduza condições que favoreçam roedores;
- 4Vede frestas e buracos que possam servir de passagem;
- 5Use calçados fechados, botas e luvas adequadas nas tarefas de jardinagem;
- 6Não coloque as mãos em buracos ou espaços entre materiais sem verificar o local.
Distância e atendimento rápido são os cuidados diante de uma ocorrência
Ao encontrar cobras nos quintais, afaste crianças e animais domésticos e procure o serviço responsável pelo resgate de fauna na região, como os bombeiros ou a Polícia Ambiental. Não tente capturar, encurralar ou matar o animal. Uma fotografia pode ajudar na identificação apenas quando for possível obtê-la de longe, sem aproximação ou exposição ao risco.
Em caso de picada, procure atendimento de saúde imediatamente. Mantenha a pessoa em repouso, retire anéis e outros objetos que possam apertar com o inchaço e, se possível, lave o local com água e sabão. Não faça torniquete, cortes ou sucção e não aplique receitas caseiras. O tratamento depende da avaliação médica, sem necessidade de capturar a serpente para levar ao hospital.