Frase de Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês: “Há casamentos que continuam de pé porque ninguém teve coragem de admitir que já não existe uma vida compartilhada ali.” Uma lição sobre permanecer ou escolher novamente - Super Rádio Tupi
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Frase de Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês: “Há casamentos que continuam de pé porque ninguém teve coragem de admitir que já não existe uma vida compartilhada ali.” Uma lição sobre permanecer ou escolher novamente

Casamentos podem continuar de pé mesmo quando a vida compartilhada já se enfraqueceu

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Frase de Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês: “Há casamentos que continuam de pé porque ninguém teve coragem de admitir que já não existe uma vida compartilhada ali.” Uma lição sobre permanecer ou escolher novamente
Permanecer casado nem sempre significa continuar construindo uma vida a dois, e uma reflexão de Kierkegaard explica por quê

Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês do século XIX, colocou temas como escolha, liberdade, angústia e responsabilidade individual no centro de sua obra. Essas ideias ajudam a pensar sobre relacionamentos que continuam formalmente intactos mesmo quando a parceria, os projetos em comum e a intimidade já se enfraqueceram. Nesse cenário, permanecer também pode exigir uma escolha consciente, e não apenas a repetição automática de uma decisão tomada anos atrás.

O que essa reflexão sobre casamento quer dizer?

Um relacionamento pode continuar funcionando por fora enquanto passa por uma transformação profunda por dentro. Contas continuam sendo pagas, compromissos familiares permanecem e a rotina segue seu curso. Ainda assim, duas pessoas podem perceber que quase não existem mais conversas significativas, planos compartilhados ou interesse pela vida uma da outra.

“Há casamentos que continuam de pé porque ninguém teve coragem de admitir que já não existe uma vida compartilhada ali.”

A formulação é apresentada como uma reflexão inspirada no pensamento de Kierkegaard, e não como uma citação literal documentada do filósofo. Ela aproxima o casamento de um tema essencial em sua filosofia: a necessidade de escolher e assumir responsabilidade pelas consequências dessa escolha, inclusive quando permanecer parece mais confortável do que encarar uma mudança.

Curiosidade sobre Kierkegaard

Søren Kierkegaard nunca se casou, embora tenha ficado noivo de Regine Olsen. O rompimento desse noivado marcou profundamente sua vida e aparece relacionado a muitas de suas reflexões sobre escolha, compromisso, amor e responsabilidade individual.

Como perceber quando a relação virou apenas uma rotina compartilhada?

Rotina não é sinal de fracasso. Relacionamentos duradouros naturalmente atravessam períodos menos intensos. A diferença aparece quando a organização prática da casa continua funcionando, mas aquilo que transformava duas vidas em uma parceria deixa de receber atenção.

Alguns sinais podem provocar essa reflexão:

  • Conversas passam a tratar quase exclusivamente de contas, filhos e obrigações;
  • Planos para o futuro deixam de ser construídos em conjunto;
  • Interesse pela vida emocional do outro diminui continuamente;
  • Conflitos importantes são evitados apenas para manter a aparência de estabilidade;
  • Momentos juntos passam a acontecer mais por obrigação do que por desejo.
Frase de Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês: “Há casamentos que continuam de pé porque ninguém teve coragem de admitir que já não existe uma vida compartilhada ali.” Uma lição sobre permanecer ou escolher novamente
Permanecer casado nem sempre significa continuar construindo uma vida a dois, e uma reflexão de Kierkegaard explica por quê

Por que escolher novamente é diferente de simplesmente permanecer?

Em sua obra, Kierkegaard discutiu o casamento dentro de reflexões mais amplas sobre compromisso e existência. Em Ou/Ou, o amor conjugal aparece ligado à capacidade de preservar o amor ao longo do tempo, construindo uma história compartilhada entre passado e futuro. A permanência, nessa leitura, não é apenas duração cronológica: envolve renovar um compromisso por meio das escolhas realizadas dentro da relação.

Por isso, ficar junto durante muitos anos não responde sozinho à pergunta sobre a qualidade da relação. Um casal pode atravessar crises e decidir reconstruir a parceria. Outro pode permanecer porque nenhum dos dois quer enfrentar as consequências de admitir que seus caminhos mudaram. Nos dois casos, existe continuidade externa, mas as razões para permanecer são completamente diferentes.

Leia também: Provérbio filipino que une passado e futuro: “Quem não olha para trás, para o lugar de onde veio, nunca chegará ao destino.” Uma reflexão sobre reconhecer a própria história

O medo pode manter duas pessoas juntas mesmo sem proximidade?

Terminar uma relação longa pode significar enfrentar perdas financeiras, mudanças na rotina, preocupações com os filhos, julgamento familiar e a necessidade de imaginar uma vida que deixou de ser individual há muitos anos. O medo dessas consequências pode tornar a ausência de decisão mais confortável do que qualquer alternativa.

Entre as preocupações capazes de prolongar uma relação estão:

  • Medo de causar sofrimento aos filhos;
  • Receio de começar novamente depois de muitos anos;
  • Dependência financeira ou organização patrimonial conjunta;
  • Temor da reação de familiares e amigos;
  • Insegurança sobre como seria viver sozinho;
  • Esperança de que a relação melhore sem que nada seja discutido.
Frase de Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês: “Há casamentos que continuam de pé porque ninguém teve coragem de admitir que já não existe uma vida compartilhada ali.” Uma lição sobre permanecer ou escolher novamente
Permanecer casado nem sempre significa continuar construindo uma vida a dois, e uma reflexão de Kierkegaard explica por quê

O pensamento de Kierkegaard defendia abandonar relações em crise?

Não. Transformar sua filosofia em um conselho para terminar casamentos seria uma simplificação. Kierkegaard escreveu extensamente sobre compromisso e tratou o casamento, especialmente por meio da figura do Juiz William em Ou/Ou, como uma possibilidade de construir amor por meio do tempo e de escolhas renovadas. Ao mesmo tempo, sua filosofia atribui enorme importância à responsabilidade pessoal diante das decisões que formam uma existência.

A reflexão, portanto, também pode conduzir na direção oposta ao rompimento. Um casal que percebe distância pode escolher conversar, reorganizar prioridades e reconstruir formas de proximidade. O ponto central não está em sair ou ficar, mas em reconhecer aquilo que existe de fato e decidir a partir dessa realidade.

O que significa escolher novamente uma vida a dois?

Escolher novamente não exige recuperar exatamente a relação do início. Depois de anos, pessoas mudam, acumulam experiências e desenvolvem novas necessidades. Uma vida compartilhada precisa incorporar essas transformações. Conversar sobre expectativas atuais, revisar acordos e perguntar se ainda existem projetos comuns pode revelar se o vínculo possui espaço para uma nova etapa ou se apenas sua estrutura externa permaneceu intacta.

A reflexão inspirada em Søren Kierkegaard ganha força justamente porque desloca a pergunta de “há quanto tempo estamos juntos?” para “o que estamos escolhendo construir agora?”. Permanecer pode ser uma decisão profunda quando existe vontade de continuar criando uma história comum. Mas deixar que medo, hábito ou silêncio decidam indefinidamente significa entregar às circunstâncias uma escolha que afeta diretamente a vida das duas pessoas.