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Fundada em 1535, essa cidade com mais de 20 igrejas barrocas é a segunda brasileira reconhecida pela UNESCO
História, arte barroca e patrimônio cultural.
Poucas cidades brasileiras conseguem reunir um centro histórico Patrimônio Mundial da UNESCO, o maior carnaval de rua do planeta e a herança do ritmo que virou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em raio de poucos quilômetros. Olinda, a apenas 7 km de Recife, no litoral de Pernambuco, faz isso todos os dias. Encravada em uma série de morros conhecidos como Cidade Alta dos Sete Montes, a antiga capital da Capitania de Pernambuco combina casarões coloridos, ladeiras de pedra portuguesa, ateliês de bonecos gigantes e ritmos de frevo escapando das ruas do centro histórico.
Como Olinda virou Patrimônio Mundial da UNESCO em 1982?
A resposta remonta ao ciclo do açúcar. Segundo o portal oficial do World Heritage Centre da UNESCO, o Centro Histórico de Olinda foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1982 sob os critérios (ii) e (iv). Fundada em 1535 pelos portugueses sobre colinas voltadas para o Oceano Atlântico, próxima ao istmo de Recife, a cidade tornou-se um dos principais centros da indústria açucareira, base da economia brasileira por quase dois séculos.
A área tombada inclui aproximadamente 120 hectares com zona de amortecimento de 920 hectares, com mais de vinte igrejas barrocas, conventos e pequenas capelas conhecidas como passos. Após ser saqueada e incendiada pelos holandeses no século XVII, Olinda foi reconstruída pelos portugueses, e o tecido urbano atual data majoritariamente do século XVIII. O monumento mais antigo preservado é a Igreja São João Batista dos Militares, do século XVI. Segundo o portal oficial do Ministério do Turismo, Olinda é o primeiro núcleo urbano de Pernambuco e um dos centros históricos mais bem preservados do Brasil.

Por que o Alto da Sé é o mirante mais visitado de Pernambuco?
A resposta está em quase 500 anos de história em um único ponto. O Alto da Sé, região mais elevada do centro histórico, reúne igrejas centenárias, ateliês de artistas, feirinhas de artesanato e um dos mirantes mais fotografados do Nordeste. Do alto, a vista panorâmica alcança os arranha-céus de Recife à distância, com telhados coloniais em primeiro plano.
A Catedral da Sé, principal templo católico da cidade, ocupa o ponto mais alto do bairro e virou parada obrigatória para quem sobe as ladeiras de pedra portuguesa. Ao lado, a Casa dos Bonecos Gigantes expõe algumas das figuras mais famosas do Carnaval de Olinda em ambiente aberto ao público durante o ano inteiro. Nos fins de tarde, a região concentra vendedores de tapioca preparada na hora, cachaça artesanal e apresentações espontâneas de músicos locais que testam repertórios de frevo, maracatu e ciranda enquanto o sol se põe sobre a costa.
Onde ver os bonecos gigantes fora do Carnaval?
A resposta está em ateliês e museus abertos o ano todo. O primeiro boneco gigante da cidade, o Homem da Meia-Noite, surgiu em 1931 e virou símbolo do Carnaval de Olinda, considerado um dos mais tradicionais do Brasil. Hoje, dezenas de bonecos passeiam pelas ladeiras durante os dias de folia e podem ser conhecidos em espaços culturais permanentes fora da temporada.
- Embaixada dos Bonecos Gigantes: exposição permanente que reúne réplicas de personalidades históricas, artistas, esportistas e políticos brasileiros e internacionais, todas em tamanho gigante.
- Casa dos Bonecos Gigantes: ateliê tradicional onde os visitantes conhecem a técnica de produção artesanal usada há gerações pelos artistas locais.
- Museu do Mamulengo: fundado em 1994 pela Prefeitura de Olinda, é o primeiro museu de mamulengos da América Latina, com mais de 1.200 bonecos antigos e contemporâneos organizados por temas específicos.
- Feiras de bonecos: eventos periódicos reúnem artistas locais em praças do centro, com demonstrações de confecção e venda direta ao público.
Quais outras atrações incluir no roteiro do Centro Histórico?
Além do Alto da Sé e da tradição carnavalesca, o Centro Histórico concentra conventos, mercados e um circuito religioso barroco único no país. Boa parte fica em raio caminhável e permite roteiros de meio dia a pé pelas ladeiras.
- Igreja e Mosteiro de São Bento: um dos conjuntos barrocos mais impressionantes do Brasil, com altar de madeira dourada esculpido no século XVII, virou obrigatório para quem quer conhecer a arte sacra colonial.
- Igreja do Carmo: templo barroco português do século XVI, com fachada imponente e uma das vistas mais bonitas para o oceano e para os telhados vermelhos de Olinda.
- Convento de São Francisco: complexo religioso com convento franciscano, museu de arte sacra e coleção de azulejos raros do período colonial português.
- Quatro Cantos: cruzamento no centro histórico rodeado de casarões coloridos e palco frequente de manifestações culturais espontâneas, especialmente ao entardecer.
- Mercado da Ribeira: espaço tradicional dedicado ao artesanato pernambucano, com cerâmica de Alto do Moura, rendas de bilro e apresentações regulares de música regional.
- Festival MIMO: evento cultural anual que reúne apresentações de música, cinema, oficinas e atividades em diferentes espaços históricos da cidade.
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O que provar na gastronomia pernambucana?
A mesa combina raiz nordestina, herança africana e influência portuguesa dos primeiros colonizadores. Restaurantes tradicionais convivem com bares de tapioca no Alto da Sé e cafeterias contemporâneas espalhadas pelas ladeiras.
- Tapioca preparada na hora: tradição das barracas do Alto da Sé, com recheios doces e salgados servidos direto do fogo, virou uma das experiências obrigatórias do fim de tarde em Olinda.
- Bolo de rolo: doce tradicional pernambucano com camadas finas enroladas de goiabada e massa, presença certa em confeitarias e cafeterias do centro histórico.
- Carne de sol: prato símbolo do sertão nordestino, preparado com manteiga de garrafa, macaxeira e queijo coalho em restaurantes tradicionais do centro.
- Cachaça artesanal: produção regional abastece bares e restaurantes locais, com rótulos exclusivos servidos em copos pequenos ao entardecer no Alto da Sé.
- Frutos do mar: peixes e mariscos frescos servidos em restaurantes próximos às praias, com receitas simples que valorizam os ingredientes do litoral pernambucano.
Como é o clima e a melhor época para visitar Olinda?
O clima é tropical litorâneo, quente o ano inteiro. As temperaturas ficam estáveis entre 24°C e 30°C ao longo dos doze meses. Os meses mais chuvosos vão de maio a julho, com temporais rápidos que costumam dar espaço ao sol ainda no mesmo dia, e o segundo semestre é o período mais seco. A alta temporada acontece durante o Carnaval, em fevereiro ou março.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Olinda?
De carro, o acesso mais direto a partir de Recife é pela Avenida Governador Agamenon Magalhães, com trajeto de cerca de 7 km e viagem média de 20 minutos até o Centro Histórico. A cidade integra a Região Metropolitana do Recife, o que a torna acessível também por ônibus municipais e intermunicipais que ligam os dois centros históricos.
Quem prefere avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre, com voos nacionais e internacionais frequentes. Do aeroporto até Olinda, o trajeto por rodovia leva cerca de 40 minutos. Ônibus regulares saem várias vezes ao dia do Terminal Integrado Rio Doce, em Recife, e serviços de transfer privado também operam entre a capital pernambucana e o Centro Histórico.
O berço do frevo e Patrimônio da UNESCO
Olinda reúne uma combinação difícil de encontrar em outro município brasileiro: o segundo centro histórico do país reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1982, mais de vinte igrejas barrocas em um perímetro de 120 hectares, o primeiro Museu de Mamulengos da América Latina, um Carnaval considerado o maior de rua do planeta e o legado do frevo, ritmo tornado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A antiga capital da Capitania de Pernambuco fundada em 1535 continua sendo um dos destinos culturais mais completos do Brasil.
Você precisa conhecer Olinda e subir as ladeiras de pedra do Centro Histórico até o Alto da Sé ao entardecer, provar uma tapioca quente com vista para Recife e entender por que a antiga capital do açúcar continua sendo um dos endereços culturais mais completos do Nordeste brasileiro.