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Fundador da Ricardo Eletro, que teve 1.100 lojas e R$ 12 bilhões em vendas, rejeita volta ao setor: “Nunca mais”
Após deixar o varejo tradicional, empresário cria projeto de mentoria executiva; iniciativa capacita líderes e já assessora centenas de marcas
O fundador da antiga Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, descartou qualquer retorno ao comércio físico tradicional. Aos 57 anos, o empresário direciona sua atuação ao Grupo R1, focado em treinamentos executivos para donos de negócios.
A nova operação emprega 130 colaboradores e assessora centenas de marcas por meio de consultorias. O projeto comercializa o conhecimento prático acumulado por Nunes ao longo de três décadas de carreira.
Gargalos do comércio tradicional
A competição com os canais digitais e os juros elevados inviabilizaram a manutenção de grandes estruturas físicas. Nunes aponta o descompasso entre pagar fornecedores em 70 dias e receber do cliente em dez parcelas sem juros como um fator que asfixia os caixas empresariais.
“Varejo nunca mais. Mudou muito. Aquele varejo, como eu fiz, não é mais o varejo”, garantiu o executivo em entrevista à revista EXAME. O empresário avalia que a sobrevivência no segmento exige focar na experiência do cliente e integrar as lojas aos marketplaces digitais.
Dificuldades econômicas enfrentadas entre 2014 e 2018 geraram 2,6 bilhões de reais em dívidas e frustraram a abertura de capital da rede. Nunes vendeu sua participação total em 26 de dezembro de 2018. Posteriormente, a Justiça paulista decretou a falência do conglomerado em julho de 2026, com passivo financeiro de 5,3 bilhões de reais.
Metodologia e serviços do Grupo R1
Incentivado pelo falecido Abilio Diniz, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar, Nunes passou a compartilhar estratégias corporativas nas redes sociais, onde reúne 3 milhões de seguidores. Com antigos diretores, formatou o método RGV, fundamentado em resultados, gestão e vendas.
O atendimento contempla negócios com faturamento mensal de 100 mil reais até companhias com receitas anuais de 50 milhões de reais. O programa Clube R1 estrutura o suporte aos membros em etapas específicas:
imersão: treinamento presencial de três dias na capital paulista, com fluxo de 300 participantes por mês;
diagnóstico: avaliação detalhada dos dados da companhia feita por executivos para elaborar planos de ação;
mentoria: orientação contínua abrangendo logística, tecnologia, recursos humanos, tributos, marketing e finanças;
encontros e viagens: realização de quatro reuniões presenciais por ano e missões internacionais exclusivas.
O programa reúne 560 participantes ativos e taxa de renovação de 94%. Juntos, os negócios atendidos somam receitas superiores a 5 bilhões de reais. Sem divulgar valores absolutos por falta de balanços auditados, Nunes relata saltos anuais de 80% a 100% desde 2021, projetando expansão superior a 120% em 2027.
O momento delicado das redes físicas em 2026 reforça a postura do empresário. O Grupo Toky protocolou recuperação judicial alegando passivo superior a 1 bilhão de reais, enquanto o Grupo Casas Bahia renegociou 17,3 bilhões de reais com aval judicial. Já a Americanas conquistou a decisão de encerramento da sua recuperação judicial após a fraude contábil descoberta em 2023.