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Gata cega é adotada por engano e o novo dono passa meses sem entender por que ela nunca esbarra na mobília

O segredo por trás da gata cega que nunca esbarra nos móveis, mesmo sem enxergar nada

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Gata cega é adotada por engano e o novo dono passa meses sem entender por que ela nunca esbarra na mobília
Cerca de 40% do córtex sensorial do cérebro do gato é dedicado a processar informações captadas pelos bigodes - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A adoção começou como um mal-entendido. O anúncio não mencionava a condição da gata, e só depois de levá-la para casa o novo tutor percebeu que ela era completamente cega. O que mais chamou atenção, porém, não foi a cegueira em si, mas o fato de ela se mover pela casa como se enxergasse cada móvel, cada quina, cada degrau.

Como uma gata cega consegue se mover sem esbarrar em nada?

A resposta está nas vibrissas, os bigodes espalhados pelo focinho, acima dos olhos e nas patas dianteiras dos felinos. Cada fio está ligado a um folículo repleto de terminações nervosas, funcionando como um radar de curto alcance.

Gata cega é adotada por engano e o novo dono passa meses sem entender por que ela nunca esbarra na mobília
As vibrissas funcionam como um radar de curto alcance, informando ao cérebro do gato formato, distância e textura dos objetos ao redor – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quando uma vibrissa toca ou apenas se aproxima de um objeto, o cérebro do animal recebe informação sobre formato, distância e textura, formando uma espécie de mapa tátil do ambiente. Em gatos com boa visão, esse sistema já é usado o tempo todo, principalmente à noite. Em um gato cego, ele passa a ser praticamente a principal fonte de orientação espacial.

POR QUE AS VIBRISSAS SÃO TÃO EFICIENTES
CURIOSIDADE

Cerca de 40% do córtex sensorial do cérebro do gato está dedicado a processar informações captadas pelas vibrissas, tornando esse sistema extremamente sensível a variações no ambiente, incluindo mudanças mínimas de corrente de ar.

Segundo o Cornell Feline Health Center, centro de referência em saúde felina da Universidade Cornell, gatos que perdem a visão gradualmente costumam se adaptar tão bem ao ambiente que os tutores demoram a perceber o problema, justamente porque memória espacial e vibrissas compensam boa parte da função visual perdida.

Por que a memória espacial é tão importante nesse processo?

Além das vibrissas, gatos cegos dependem fortemente de memória. Uma vez que decoram a posição de móveis, tigelas de água e caixa de areia, param de precisar redescobrir o ambiente a cada movimento, desde que nada mude de lugar.

É por isso que especialistas recomendam manter a disposição dos móveis estável em casas com gatos cegos. Uma simples mudança de cadeira de posição pode ser suficiente para desorientar um animal que, até então, parecia enxergar perfeitamente.

Como identificar se um gato está perdendo a visão?

Os sinais costumam ser sutis no início: hesitação antes de pular de lugares altos, colisões ocasionais em objetos que mudaram de posição recentemente, ou pupilas que não reagem à mudança de luminosidade. Como o animal compensa bem, muitos tutores só percebem o problema em estágio avançado.

Diante de qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar avaliação veterinária o quanto antes. Algumas causas de cegueira em gatos, quando identificadas cedo, ainda podem ser tratadas antes de se tornarem irreversíveis.

Gata cega é adotada por engano e o novo dono passa meses sem entender por que ela nunca esbarra na mobília
O Código de Posturas municipal, não o Código Civil, costuma definir se a criação de aves é permitida em zona residencial – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Vale a pena adotar um gato com deficiência visual?

Vale, e a experiência costuma surpreender quem nunca conviveu com um animal assim. Gatos cegos levam vidas plenas, brincam, exploram e criam vínculo normalmente, desde que o ambiente ofereça previsibilidade e alguns cuidados extras, como evitar mexer nos móveis sem necessidade.

A história dessa adoção por engano acabou virando um lembrete de que a deficiência, muitas vezes, é bem menos limitante do que parece de fora.

Para desfazer outras ideias equivocadas sobre o comportamento felino, vale conferir a matéria abaixo.

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