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Há 276 anos, açorianos fundaram esta cidade que hoje preserva casarões coloniais, a arte do barro e um teatro de 1856
A poucos quilômetros de Florianópolis.
A formação de São José, no litoral de Santa Catarina, começou com a influência de famílias vindas dos Açores, em 1750. Séculos depois, os costumes trazidos pelos primeiros colonizadores continuam presentes em casarões, tradições populares e técnicas artesanais transmitidas entre gerações. Entre essas heranças está a olaria, responsável por transformar o barro em peças que também fazem parte da identidade cultural do município.
A chegada dos açorianos que fundou São José da Terra Firme
A data de 19 de março de 1750 marca o início da ocupação que deu origem a São José da Terra Firme. Na ocasião, 182 casais de seis ilhas dos Açores desembarcaram na costa catarinense, como parte da estratégia portuguesa de povoar o litoral sul e impedir o avanço espanhol. A influência açoriana ficou registrada na devoção ao padroeiro, nas fachadas geminadas das casas, projetadas para proteger os moradores dos ventos do sul, e nas técnicas de produção de peças de barro.
A diversidade cultural da região aumentou com a instalação do primeiro núcleo de colonização alemã de Santa Catarina, em 1829. Mais tarde, em 1845, a cidade recebeu a visita de Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina. Durante a passagem pelo município, o casal imperial se hospedou no Solar dos Neves, um sobrado histórico que continua preservado e integra o patrimônio arquitetônico local.

Como um dos teatros mais antigos do Brasil quase foi vendido por dois caminhões?
Poucos edifícios de São José atravessaram tantas mudanças quanto o Theatro Adolpho Mello. Considerado a casa de espetáculos mais antiga de Santa Catarina e uma das mais antigas do Brasil, teve sua pedra fundamental lançada em 1854 e abriu as portas em 21 de junho de 1856, no mesmo dia em que o município conquistou a condição de cidade.
O nome homenageia o violinista e maestro josefense João Adolpho Ferreira de Mello, descendente dos primeiros açorianos e conhecido na imprensa da época como “Deus da Música”. Ao longo dos anos, o prédio com capacidade para 150 pessoas também funcionou como cinema, primeiro como Cine York, em 1925, e depois como Cine Rajá, em 1945. Durante a Revolução de 1930, serviu de quartel e, nos anos 1980, quase foi vendido pelo equivalente ao preço de dois caminhões. Reconhecido como patrimônio histórico em 2005, hoje também recebe uma escola de artes cênicas.
Onde encontrar os principais registros históricos da cidade?
O passado de São José pode ser percorrido a pé pelo antigo núcleo colonial, onde casarões, igrejas e praças estão próximos uns dos outros. Uma manhã é suficiente para conhecer boa parte do Centro Histórico, enquanto as atrações naturais e os espaços de lazer podem completar o roteiro durante a tarde.
- Centro Histórico: concentra casarões luso-brasileiros dos séculos XVIII e XIX, calçamento de paralelepípedos e a Praça Hercílio Luz, onde teatro, museu e igreja ficam a poucos metros de distância.
- Museu Histórico Municipal: instalado no Solar dos Ferreira de Mello, construção de 1722 que funcionou como sede do Governo Provisório durante a Revolução Federalista de 1893. O acervo reúne porcelanas, armas, móveis e instrumentos musicais.
- Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros: fundada em 1992, é apontada como a única escola pública de olaria da América Latina. Aproximadamente 200 alunos frequentam cursos gratuitos. Na década de 1950, o município chegou a ter 29 olarias em funcionamento ao mesmo tempo.
- Bica da Carioca: construída em 1840, a fonte foi a principal alternativa de abastecimento de água de São José durante cerca de um século.
- Beira-Mar de São José: inaugurada em 2014, a área oferece ciclovia, pista de caminhada, parque infantil, academia ao ar livre e vista para a ilha de Florianópolis. Nas proximidades, restaurantes de frutos do mar e food parks completam as opções de lazer.
- Trilha da Pedra Branca: com 5 km de extensão entre ida e volta, o caminho liga os bairros Sertão do Maruim e Colônia Santana. Do ponto mais alto, é possível observar a Grande Florianópolis em um panorama de 360°.
O que experimentar na gastronomia de São José com vista para Florianópolis?
Peixes e frutos do mar ocupam lugar de destaque na culinária josefense, uma herança diretamente ligada à presença açoriana no litoral. Na região do Balneário Guararema, na Ponta de Baixo, embarcações de pesca compõem o cenário e ajudam a manter a ligação com essa tradição. À beira da areia, bares servem pratos com peixes e camarões acompanhados pela paisagem de Florianópolis.
A arquitetura histórica também aparece entre os endereços gastronômicos. No centro, o Café da Corte funciona em um casarão que recebeu Dom Pedro II em 1845. Outra opção é a Feira da Freguesia, organizada no segundo domingo de cada mês, com artesanato, apresentações musicais e comidas típicas na praça central. Para quem prefere ambientes mais atuais, a Beira-Mar reúne cervejarias artesanais e restaurantes contemporâneos.
Quando visitar a terra dos açorianos?
O clima subtropical garante estações bem definidas. O verão atrai quem quer aproveitar a Beira-Mar e as praias próximas. O inverno, mais seco, é ideal para explorar o centro histórico sem calor.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

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Qual é o caminho mais fácil para chegar a São José?
A proximidade com Florianópolis facilita o acesso a São José, separada por apenas 8 km do centro da capital catarinense. A rodovia BR-101 atravessa o município e permite chegar de carro tanto pelo norte quanto pelo sul do estado. Quem desembarca no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, na capital, percorre aproximadamente 20 km até a cidade.
Outra alternativa são as linhas de ônibus metropolitanos, que fazem a ligação entre os dois municípios ao longo do dia. Por estar fora da ilha, São José também pode funcionar como ponto de hospedagem para quem deseja conhecer as praias de Florianópolis e seguir viagem em direção à serra catarinense, muitas vezes com opções de estadia mais econômicas.
Por que São José merece mais do que uma passagem rápida?
A história de São José não está restrita aos livros ou aos monumentos do Centro Histórico. Ela permanece nos casarões construídos pelos açorianos, no Theatro Adolpho Mello, que sobreviveu a diferentes usos e quase foi vendido, e na tradição da olaria, mantida por artesãos que transformam barro em peças únicas.
Uma visita à cidade ganha outro significado quando inclui uma caminhada pelo núcleo colonial e uma parada na escola de oleiros para acompanhar o trabalho de quem domina a modelagem do barro. A poucos minutos da ligação com a ilha de Florianópolis, o município revela uma identidade própria, que vai muito além de sua posição no continente.