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Essa cidade nasceu entre casas de palha, cresceu 62% na procura por moradia e hoje se destaca pela qualidade de vida
A transformação de um povoado de casas de palha em referência de bem-estar.
A proximidade de apenas 18 km de Florianópolis ajuda a explicar parte da transformação de Palhoça. Durante muito tempo, o município foi associado à função de cidade-dormitório, mas a expansão populacional mudou esse cenário e colocou a cidade entre as que mais crescem no Brasil. Sua história, por outro lado, começou em 1777, quando construções de palha foram erguidas para guardar mantimentos durante a invasão espanhola à Ilha de Santa Catarina. Essas estruturas deram origem ao nome do município.
Por que Palhoça atrai tantos novos moradores?
A velocidade da expansão aparece nos dados demográficos. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Palhoça tinha população estimada de 253.469 habitantes em 2025. No intervalo entre os censos de 2010 e 2022, o número de moradores aumentou 62,1%, uma das maiores taxas de crescimento do país entre municípios com mais de 100 mil habitantes.
O avanço populacional veio acompanhado de indicadores sociais considerados positivos. O município registra Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,757, classificado como alto pelo PNUD, com destaque para os resultados em longevidade e renda. A mudança de tamanho também se reflete na posição entre as cidades catarinenses: em dez anos, Palhoça passou do 10º para o 7º lugar no ranking populacional do estado.

Como um antigo terreno rural se tornou um bairro planejado?
Uma área de 250 hectares localizada aos pés do Morro da Pedra Branca começou a ganhar outra função no fim dos anos 1990. O terreno, antes ocupado por uma fazenda, deu origem à Cidade Criativa Pedra Branca, considerada o primeiro projeto de novo urbanismo da América do Sul. Com a Universidade do Sul de Santa Catarina como uma de suas âncoras, o bairro reúne atualmente cerca de 12 mil moradores, 8 mil trabalhadores e 7 mil estudantes.
A proposta foi pensada para reduzir a dependência do carro e facilitar os deslocamentos a pé. Calçadas amplas, fiação subterrânea, ciclovias e um lago central fazem parte do planejamento. A ideia é permitir que os moradores atendam às necessidades cotidianas em até 15 minutos de caminhada. Já o calçadão do Passeio Pedra Branca se consolidou como um espaço de convivência e gastronomia na região metropolitana.
Morar em Palhoça custa menos do que na capital?
A diferença no custo de vida é um dos fatores que ajudam a atrair novos moradores. As estimativas apontam que viver em Palhoça pode custar cerca de 25% menos do que em Florianópolis. Pela BR-101, a ligação com a capital facilita o deslocamento de quem trabalha na ilha, mas prefere não assumir os custos de moradia da cidade vizinha.
Parte dos novos imóveis está concentrada nos bairros Pagani, Pedra Branca e na região do Passa Vinte. Essas áreas contam com infraestrutura, shoppings, hospitais e campi universitários. Entre os grupos que impulsionam a expansão estão famílias jovens e profissionais ligados ao setor de tecnologia.
Quais atrações naturais fazem de Palhoça um destino de lazer?
Entre os principais patrimônios naturais do município está o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, cuja sede fica na Baixada do Maciambu, em Palhoça. Seus 84.130 hectares formam a maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina. A área também preserva cinco das seis grandes formações vegetais da Mata Atlântica encontradas no estado.
Além da proteção ambiental, o parque conta com centro de visitantes e trilhas educativas, além de conservar nascentes que abastecem rios da Grande Florianópolis. No litoral sul palhocense, a Guarda do Embaú ganhou reconhecimento internacional em 2016, quando foi escolhida pela ONG Save The Waves Coalition como a primeira Reserva Mundial de Surfe do Brasil.
Quais pratos representam a tradição gastronômica de Palhoça?
A influência açoriana permanece presente na culinária local, especialmente nos pratos preparados com peixes e frutos do mar. A pesca artesanal da tainha, realizada entre maio e julho, também faz parte dos costumes da região. Restaurantes especializados estão espalhados pelas praias e pelo eixo da Pedra Branca.
- Sequência de camarão: reúne diferentes preparos do crustáceo em um mesmo rodízio e aparece como especialidade em restaurantes da Praia da Pinheira.
- Tainha na brasa: símbolo da culinária do litoral sul catarinense, o peixe costuma ser encontrado em abundância nas comunidades pesqueiras durante o inverno.
- Ostras e mariscos: produzidos nas baías da região, chegam aos mercados e estabelecimentos gastronômicos ao longo de todo o ano.
- Cuca alemã: receita associada à imigração que se estabeleceu no litoral de Santa Catarina, presente em padarias e cafeterias do município.

Como é o clima na Grande Florianópolis?
O clima é subtropical úmido, com quatro estações bem definidas. Verões quentes na orla e invernos frios na serra, com possibilidade de geada nos morros mais altos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Palhoça?
Palhoça fica a 18 km do centro de Florianópolis pela BR-101 e a cerca de 25 km do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. A cidade também é cortada pela BR-282, que liga a região metropolitana à serra catarinense e ao oeste do estado.
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A cidade que cresce sem perder o mar
Palhoça reúne o que poucas cidades brasileiras conseguem oferecer no mesmo CEP: um bairro planejado com padrão internacional, a única Reserva Mundial de Surfe do país, a maior unidade de conservação de Santa Catarina e custo de vida que cabe no bolso. O crescimento é rápido, mas o ritmo nas vilas de pescadores continua o mesmo.
Você precisa atravessar o Rio da Madre numa canoa de pescador e entender por que tanta gente está trocando Florianópolis por essa cidade que ainda guarda o nome das casas de palha do século 18.