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O vilarejo escondido a 1.300 metros nas montanhas que só recebeu energia elétrica nos anos 70 e encanta com 14 cachoeiras
O paraíso nas montanhas onde a eletricidade chegou apenas nos anos 1970.
Na Serra do Espinhaço, a apenas 17 km de Ouro Preto, Lavras Novas guarda casinhas coloridas, ruas de pedra e uma capela de 1762 envolta em neblina. O distrito de pouco mais de 1.500 moradores reúne 14 cachoeiras catalogadas em um raio de 6 km e o ar de vilarejo parado no tempo.
A origem do nome no fim do ouro de Vila Rica
O povoado nasceu no fim do século XVIII, quando as minas de Vila Rica já se esgotavam e expedições partiram para a serra ao sul em busca de novas frentes de garimpo. O nome foi escolhido por contraste: aquelas eram lavras mais recentes que as de arraiais vizinhos como São Bartolomeu e Antônio Pereira, segundo a Prefeitura de Ouro Preto.
O documento mais antigo encontrado no vilarejo é o batistério de 1717 de uma menina chamada Maria dos Prazeres, filha de uma família paulista que garimpava na região. Em 1762, moradores ergueram a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, em torno da qual se desenhou o arruamento original. Quando o ouro secou, a população branca partiu, e as terras passaram a pertencer formalmente à santa padroeira.

Como um distrito ficou isolado até os anos 1970?
A energia elétrica só chegou ao vilarejo na década de 1970. Curiosamente, o reconhecimento oficial como distrito de Ouro Preto veio apenas em 2005. Esse isolamento involuntário alimentou a lenda, ainda hoje repetida pelos moradores, de que Lavras Novas teria nascido como um quilombo, embora não haja documentação que confirme a versão, segundo a Prefeitura.
O cotidiano se desenvolveu de forma quase autônoma. Casamentos aconteciam entre vizinhos e cestos de taquara serviam como moeda de troca para comprar mantimentos em Ouro Preto. Cerca de dez famílias ainda trançam cestos no mesmo modelo, tradição que atravessa gerações sem grandes mudanças.
Quais cachoeiras visitar no vilarejo?
As 14 quedas d’água catalogadas se espalham num raio de 6 km do centro histórico. Algumas ficam a 15 minutos a pé, outras pedem trilha longa e guia local.
- Cachoeira dos Pocinhos: a mais próxima, a 2,2 km do centro, com poços rasos e hidromassagem natural. Trilha de cerca de 15 minutos.
- Cachoeira Três Pingos: três quedas consecutivas a 4 km da vila, com poço raso ideal para famílias.
- Cachoeira dos Namorados: a 5,5 km do centro, com piscina natural de profundidade média e mata preservada em volta.
- Cachoeira do Falcão: escondida entre paredões rochosos, exige caminhada mais longa e recompensa com cenário de mata fechada.
- Represa do Custódio: construída nos anos 1940 dentro do Parque Estadual do Itacolomi, com cânions e área para caiaque e pesca esportiva.
- Mirante da Pedra: ao fim da Rua Nossa Senhora dos Prazeres, com vista de 360 graus do mar de montanhas no entorno.
Aventura na Estrada Real e Mega Tirolesa
O distrito integra o Circuito do Ouro e o Caminho Novo da Estrada Real, que liga Lavras Novas a Ouro Preto em 17 km de trilha. O percurso atravessa o Parque Estadual do Itacolomi, com fragmentos de Mata Atlântica e a Casa Bandeirista do século XVIII, uma das três construções em estilo paulista preservadas em Minas Gerais.
Quem busca adrenalina encontra a Mega Tirolesa, inaugurada em março de 2020 e considerada uma das mais altas do Brasil. Tem 400 metros de extensão, atinge 50 km/h e fica a 1.500 metros de altitude. O cardápio de aventuras ainda inclui rapel em paredões rochosos, rafting, quadriciclo e cavalgadas com vista da serra.
O sabor mineiro de fogão a lenha
A cozinha local segue receitas que sobreviveram desde o século XVIII. Restaurantes e cafés da rua principal trabalham com ingredientes frescos da própria serra.
- Feijão tropeiro: versão local servida com couve crocante e torresmo, presente em quase todos os cardápios.
- Frango com quiabo: clássico da roça mineira, preparado em panela de barro e acompanhado de angu.
- Doces artesanais: goiabada cascão, doce de leite e compotas vendidas nas lojinhas ao lado da capela.
- Cachaça mineira: produção artesanal das fazendas vizinhas, servida nos bares da Avenida Nossa Senhora dos Prazeres.
- Cerveja artesanal: microcervejarias do entorno trabalham com águas das nascentes da serra.
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Qual a melhor época para visitar Lavras Novas?
O clima é tropical de altitude com noites frias o ano todo. O inverno chega a registrar temperaturas próximas a zero, especialmente nos meses de junho e julho, e a neblina fecha o vilarejo logo cedo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Ouro Preto. Condições podem variar.

Como chegar à vila escondida na Serra do Espinhaço?
De Belo Horizonte, são cerca de 120 km pela BR-040, BR-356 e MG-129, em viagem média de 1h45. Os últimos quilômetros são em estrada de terra, segundo o Instituto Estrada Real.
De Ouro Preto, o trajeto é de apenas 17 km e 30 minutos. Ônibus municipais conectam a sede ao distrito, e várias agências oferecem day trips com saída de Belo Horizonte. Detalhe importante: o vilarejo não tem posto de combustível, caixa eletrônico nem hospital. Quem chega precisa abastecer e tirar dinheiro em Ouro Preto.
Suba a serra e descubra Lavras Novas
Poucos lugares no Brasil conseguem reunir a herança do ouro mineiro, uma capela do século XVIII, 14 cachoeiras a curta distância e a tranquilidade de uma vila que viveu sem luz elétrica até os anos 1970. A pequena Lavras Novas guarda o ritmo mineiro mais autêntico em um cenário de neblina e fogão a lenha.
Você precisa subir a Serra do Espinhaço e dormir em Lavras Novas para entender como uma vila de pouco mais de mil habitantes virou o refúgio mineiro mais autêntico para quem foge da agitação das cidades históricas.