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Onde um sambaqui de 4 mil anos encontra o maior festival de jazz gratuito da América Latina
Da arqueologia ao jazz.
A 170 km da capital fluminense, Rio das Ostras guarda um pedaço da Costa do Sol que quase escapou da fama das vizinhas. A cidade concentra 15 praias em 28 km de litoral, um sítio arqueológico com ocupação humana estimada em 4 mil anos e um festival internacional de jazz e blues que atrai mais de 100 mil pessoas por edição.
De aldeia dos sambaquianos a vila de pescadores
A região era chamada pelos indígenas de Leripe, “lugar de ostra” em tupi-guarani, e foi ocupada por povos pré-históricos que deixaram sob a areia um dos sítios arqueológicos mais antigos do Rio de Janeiro. O local foi registrado em 1967 pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) com o nome de Tarioba, tipo de concha encontrada em abundância no terreno.
Séculos depois, o litoral virou vila de pescadores portugueses, com casas simples voltadas para o mar e economia baseada na captura de peixes e frutos do mar. A urbanização acelerou a partir dos anos 1970, mas o município só se emancipou de Casimiro de Abreu em 1992. O crescimento vertical veio depois, com a instalação de operadoras do setor petrolífero na região.

Costazul, Tartaruga e Bosque: quais praias visitar?
Segundo a Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, os 28 km de litoral concentram 15 praias com perfis muito diferentes entre si. Umas são urbanas, outras selvagens, algumas alternam águas calmas com pontos ideais para o surfe.
- Praia de Costazul: a mais famosa da cidade, com 2,3 km de extensão, mar aberto e ondas frequentadas por surfistas e pescadores de caniço. Concentra pousadas, restaurantes e o pier turístico.
- Praia da Tartaruga: enseada de águas calmas, cercada por costões e vegetação nativa, boa para famílias com crianças e um dos melhores pontos para pôr do sol.
- Praia do Bosque: uma das mais tranquilas, com faixa larga de areia, quiosques e sombra natural das árvores da orla.
- Praia do Abricó: primeira praia no sentido de quem chega do Rio, com águas cristalinas e clima praticamente rural.
- Praia da Joana: pequena enseada rodeada por costões rochosos, ideal para banho e mergulho livre em dias de mar calmo.
- Praia do Centro: coração da cidade, com concha acústica, figueira centenária, quiosques e a orla mais movimentada nos fins de semana.
O museu que expõe o passado onde ele foi encontrado
Inaugurado em 1999, o Museu de Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba é um dos poucos museus in situ do Brasil, o que significa que os materiais estão expostos exatamente onde foram achados. Segundo a Fundação Rio das Ostras de Cultura, o acervo reúne restos de esqueletos, ostras gigantes, conchas, pedras de trabalho e objetos de adorno de uma civilização que habitou a região entre 4 mil e 2 mil anos atrás.
O termo sambaqui vem do tupi-guarani e significa acúmulo de conchas. As visitas são guiadas e gratuitas, com horários pela manhã e pela tarde de segunda a sexta e programação também aos sábados. É a chance de andar sobre o mesmo solo pisado pelos primeiros habitantes da costa fluminense há milênios.
Jazz & Blues Festival: o maior gratuito da América Latina
Desde 2003, a cidade recebe o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, considerado o maior festival gratuito do gênero na América Latina e um dos dez maiores do mundo. Segundo o site oficial do evento, cada edição reúne de 100 mil a 130 mil pessoas em quatro dias, com mais de 30 atrações nacionais e internacionais distribuídas em cinco palcos ao ar livre.
Os shows acontecem entre maio e junho na Concha Acústica da Praça São Pedro, no anfiteatro da Lagoa de Iriry, no palco da Boca da Barra e na Cidade do Jazz, em Costazul. A força do evento levou a cidade a ganhar o título de Capital Estadual do Jazz & Blues pela Lei Estadual nº 6.056, de 2011. Já passaram pelo palco nomes como Stanley Jordan, Naná Vasconcelos, Richard Bona, John Scofield e Spyro Gyra.

O que fazer além das praias?
Costões, lagoas, parques e mirantes completam o roteiro. Muitas atrações ficam a poucos minutos do centro e não pedem carro.
- Monumento Natural dos Costões Rochosos: unidade de conservação municipal entre a Praia da Joana e a Praça da Baleia, boa para caminhadas e observação do nascer do sol.
- Lagoa de Iriry: espelho d’água ao lado de Costazul, com anfiteatro, ciclovia e vegetação preservada. Também abriga um dos palcos do Jazz & Blues.
- Praça da Baleia: escultura em bronze de uma jubarte em tamanho natural, com 20 metros de comprimento, obra do artista Roberto Sá.
- Parque Municipal de Rio das Ostras: antigo horto florestal com quase 130 mil metros quadrados de área verde, trilhas e parque infantil.
- Casa de Cultura Bento Costa Júnior: casarão do fim do século XIX tombado como patrimônio histórico municipal, no centro.
- Pier de Costazul: passarela que avança 200 metros mar adentro, ponto tradicional de pesca e mirante para o pôr do sol.
Onde comer bem à beira-mar?
A gastronomia da cidade combina a tradição pesqueira portuguesa com o cardápio contemporâneo dos restaurantes de orla. Frutos do mar dominam o cardápio.
- Ostras frescas: servidas nos quiosques da orla e nos restaurantes especializados, com limão e molhos leves, marca registrada que dá nome à cidade.
- Moqueca de peixe: preparo tradicional do litoral fluminense, com pescado do dia, leite de coco, dendê e pimentões.
- Camarão na moranga: prato clássico servido dentro da abóbora, comum nos restaurantes do centro e de Costazul.
- Pastel de camarão: presente em quase todos os quiosques da praia, tradição de fim de tarde na Costa do Sol.
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Como é o clima ao longo do ano
Rio das Ostras tem clima tropical litorâneo, com verão quente e chuvoso e inverno seco e ameno. As chuvas se concentram em janeiro e fevereiro, e o resto do ano é dominado pelo sol.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio das Ostras
A cidade fica a 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101 e pela RJ-106, cerca de duas horas e meia de carro. Do centro do Rio, ônibus regulares de várias empresas fazem a linha diariamente. Quem chega de avião pode desembarcar no Aeroporto de Macaé, a cerca de 30 km, ou no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio, e seguir por estrada.
Vá conhecer a Costa do Sol sem multidão
Rio das Ostras entrega em um só endereço aquilo que a Região dos Lagos costuma parcelar entre suas cidades vizinhas: praias variadas, arqueologia milenar, festival internacional e sossego de vila de pescadores. Tudo isso a menos de três horas do Rio.
Você precisa conhecer Rio das Ostras num fim de semana de junho, quando o jazz toma a cidade e o mar amanhece calmo para o primeiro mergulho.