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Os povos do Oriente Médio inventaram um sistema de refrigeração que não utiliza eletricidade, absorvendo todo o calor.
Novo sistema resfria de 25°C a 3,6°C sem consumir energia elétrica
Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (KAUST), na Arábia Saudita, desenvolveram o NESCOD, um sistema de refrigeração que não consome energia elétrica. A solução usa reações químicas e luz solar para resfriar ambientes, e já desperta interesse de setores industriais, logísticos e de infraestrutura ao redor do mundo.
Como o NESCOD funciona sem gastar um único watt?
O princípio é baseado em uma reação chamada dissolução endotérmica. Quando o nitrato de amônio (NH4NO3) é dissolvido em água, ele absorve calor do ambiente, reduzindo a temperatura ao redor. Em testes controlados, o sistema reduziu a temperatura de 25°C para 3,6°C em apenas 20 minutos, com capacidade de resfriamento de até 191 W/m².
O que diferencia o NESCOD de outras soluções passivas é o ciclo de regeneração. Após o processo de resfriamento, a luz solar evapora a água da solução salina e o nitrato de amônio volta ao estado sólido, pronto para ser reutilizado. Nenhuma tomada, nenhum compressor, nenhum gerador.
Qual é o impacto industrial dessa inovação?
O potencial comercial do NESCOD é amplo. O nome é uma sigla para “No Electricity and Sustainable Cooling on Demand”, e o conceito atende diretamente setores que dependem de cadeia fria sem acesso confiável à rede elétrica. Os principais mercados identificados pelos pesquisadores incluem:
- Armazenamento e transporte de alimentos perecíveis em regiões remotas
- Conservação de medicamentos e vacinas em comunidades sem infraestrutura elétrica
- Climatização de habitações em zonas de clima extremo com baixo poder aquisitivo
- Operações logísticas em áreas industriais isoladas ou em expansão

A publicação do estudo pela Royal Society of Chemistry confere credibilidade científica ao projeto e abre caminho para parcerias com fabricantes, investidores e governos interessados em escalar a tecnologia.
Por que o nitrato de amônio é a aposta certa para esse sistema?
O NH4NO3 é um composto amplamente disponível no mercado, com custo de produção baixo e cadeia de fornecimento consolidada globalmente. Isso torna a viabilidade econômica do NESCOD bem mais concreta do que tecnologias de resfriamento passivo que dependem de materiais raros ou de difícil obtenção.
O sistema opera em dois estágios: resfriamento por dissolução e regeneração por energia solar. Quando exposto a 1 sol de irradiação, o dispositivo evapora água a aproximadamente 2,2 kg/m² por hora, mantendo temperaturas entre 5°C e 15°C, uma faixa ideal para conservação de produtos e climatização de espaços.
Que oportunidades de negócio surgem com o NESCOD?
A tecnologia posiciona a KAUST como referência em inovação sustentável aplicada à indústria. Para empresas do setor de climatização, refrigeração industrial e eficiência energética, o NESCOD representa tanto uma ameaça disruptiva quanto uma janela de parceria estratégica. Os segmentos com maior potencial de adoção imediata são:
Públicos estratégicos para soluções off-grid
Refrigeração
Fabricantes que buscam diversificar portfólio com soluções off-grid.
Agritech e foodtech
Startups atuando em mercados emergentes com demanda por conservação eficiente.
Construção sustentável
Empresas focadas em edificações adaptadas a climas áridos.
Saúde pública
Organizações com operações em zonas rurais, periféricas ou de difícil acesso.
O que o NESCOD representa para a agenda de sustentabilidade corporativa?
Além do impacto operacional, o NESCOD se alinha diretamente às metas do Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030, especialmente no que diz respeito ao acesso à energia limpa, à redução de emissões e à adaptação climática. Empresas que adotarem ou investirem na tecnologia ganham um argumento concreto para relatórios ESG, diferencial competitivo em licitações públicas e acesso a linhas de financiamento verde.
Uma solução que redefinirá padrões de eficiência energética
O NESCOD não é apenas uma curiosidade científica. É uma resposta concreta a um problema que afeta bilhões de pessoas em regiões quentes e sem acesso à rede elétrica, e que representa um custo crescente para indústrias que dependem de controle de temperatura. A combinação de insumo barato, processo reversível e geração zero de carbono coloca essa tecnologia em posição rara: resolve um problema crítico sem criar outro.
Para o setor produtivo global, a pergunta não é se tecnologias como o NESCOD vão ganhar espaço, mas quais empresas estarão posicionadas para liderar essa transição quando a escala comercial for alcançada.