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Pobres na Suíça vivem em “favelas” que parecem outro mundo e oferecem uma qualidade de vida acima da média global

Como essas “favelas” são tão diferentes das que conhecemos.

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Pobres na Suíça vivem em “favelas” que parecem outro mundo e oferecem uma qualidade de vida acima da média global
O brasileiro comum abre o vídeo de um viajante mostrando o "bairro pobre" na Europa e trava.

Quem cresceu no Brasil sabe o que a palavra favela carrega: rua sem asfalto, esgoto correndo a céu aberto, tiroteio, luz puxada no gato. Quando essa mesma palavra vira apelido para bairros pobres da Suíça em redes sociais, o choque bate diferente. As chamadas favelas na Suíça, como algumas regiões periféricas de Basileia, têm saneamento em dia, transporte no horário e ruas seguras, e mostram como a palavra pobreza muda de significado dependendo do lugar do mundo.

Por que essa comparação faz tanto barulho nas redes?

O brasileiro comum abre o vídeo de um viajante mostrando o “bairro pobre” na Europa e trava. Vê prédio limpo, calçada inteira, escola pública próxima, e não entende como aquilo pode ser considerado periferia. A cena entra em conflito com tudo que a palavra favela desperta em quem viveu no Rio, em São Paulo ou em Salvador.

Essa dissonância revela um ponto importante: pobreza não significa a mesma coisa em qualquer lugar do planeta. Em países com forte estrutura pública, ser pobre é ter menos dinheiro do que a média, mas continuar tendo acesso a serviços básicos. Em muitos lugares do mundo, incluindo grande parte do Brasil, ser pobre significa não ter esses serviços.

Basileia encanta com museus icônicos e Reno vibrante, inspire sua alma cultural na capital artística da Suíça. Créditos: depositphotos.com / Xantana

O que caracteriza esses bairros populares em Basileia?

A cidade suíça de Basileia, na fronteira com a Alemanha e a França, é conhecida pelas grandes indústrias farmacêuticas e por um centro histórico bem preservado. Nos bairros afastados do centro, como o Klybeck, moram trabalhadores de renda mais baixa e famílias de imigrantes, e é justamente essa parte que ganhou o apelido de favela em redes brasileiras.

O que as pessoas costumam observar nesses bairros:

1
Prédios funcionais em vez de chalés Blocos simples de linhas retas concentram várias famílias, com foco na eficiência do espaço em vez do visual turístico dos cartões-postais.
2
Presença forte de imigrantes Comunidades vindas da Turquia, dos Bálcãs, da Ásia e da América Latina moram nessas áreas, o que dá às ruas mais movimento que aos bairros tradicionais.
3
Serviços básicos que não faltam Água potável, coleta de lixo, rede de esgoto, energia constante e transporte público chegam a essas áreas com o mesmo padrão do centro.
4
Aluguel mais em conta Morar nessas regiões é uma estratégia econômica, já que a Suíça está entre os países mais caros do mundo e o custo de moradia pesa muito no orçamento.

Que dados sustentam essa qualidade de vida na região?

O norte da Suíça, onde fica Basileia, aparece bem no ranking mundial de desenvolvimento humano. Segundo dados do Índice de Desenvolvimento Humano por região, referenciados por bases internacionais, a região Noroeste da Suíça (que inclui Basel-Stadt) registrou IDH de 0,964 em 2023, um dos mais altos do planeta.

Alguns pontos que ajudam a entender essa marca:

  • O IDH da Suíça como país inteiro é de 0,970, entre os três maiores do mundo.
  • A cidade de Zurique tem o maior IDH regional entre mais de mil áreas subnacionais analisadas.
  • Todos os cantões suíços estão na categoria de desenvolvimento humano muito alto.
  • Mesmo os bairros mais pobres da Suíça têm indicadores acima da média mundial.
  • Essa marca resulta de décadas de política pública com foco em serviços universais.

Isso não significa que não haja desigualdade dentro da Suíça, ela existe e é objeto de debates políticos frequentes no país. O ponto é que a diferença entre um bairro rico e um bairro pobre suíços aparece principalmente no tamanho do apartamento, no visual do prédio e na renda das famílias, e não na presença ou ausência de serviços essenciais.

Leia também: Um pequeno vilarejo nas montanhas a 1.300 metros com vida boa e sossegada chama atenção pela beleza colonial.

Como o padrão de moradia se compara ao brasileiro?

A comparação com o Brasil precisa ser feita com cuidado, sem transformar uma cidade europeia em paraíso nem culpar o brasileiro individualmente pelo que é resultado de escolhas históricas do país. O que muda são as bases de infraestrutura, saúde e segurança que uma sociedade oferece a quem tem menos.

Um resumo comparativo entre situações comuns:

Aspecto do dia a dia Bairro popular em Basileia Realidade
Saneamento básico Água tratada, esgoto e lixo Rede completa que atende todas as áreas urbanas com o mesmo padrão de qualidade Universal
Transporte público Bondes, ônibus e trens Sistema pontual conecta bairros periféricos ao centro com frequência alta o dia inteiro Eficiente
Segurança pública Sensação nas ruas Índices baixos em comparação global, com policiamento discreto e presença comunitária Estável
Custo de vida Aluguel e alimentação Suíça é um dos países mais caros do mundo, e mesmo com renda alta o orçamento aperta Elevado
Basileia encanta com museus icônicos e Reno vibrante, inspire sua alma cultural na capital artística da Suíça! / Créditos: depositphotos.com / matteocozzi

O que essa comparação pode ensinar a quem olha de longe?

Voltando ao começo: o vídeo do brasileiro mostrando a “favela suíça” viraliza porque desestabiliza uma ideia enraizada de que ser pobre é sinônimo de viver sem serviço básico. Na Suíça, e em vários países com forte estrutura pública, ser pobre significa ter menos dinheiro, mas continuar tendo água limpa, transporte na porta e escola perto de casa.

Isso não faz de Basileia um lugar perfeito, nem transforma a Suíça num modelo copiável do dia para a noite. O que a comparação escancara é uma pergunta importante: até que ponto o sofrimento associado à pobreza em muitos lugares do mundo é resultado do pouco dinheiro em si e até que ponto é resultado de escolhas coletivas sobre onde o Estado chega e onde não chega.

O que você achou dos bairros pobres da Suíça em comparação com a realidade brasileira?
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