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Por que carregamos o celular na mão mesmo sem usar e o que isso revela sobre nossa mente
O celular virou extensão do corpo
Você já reparou como muita gente caminha pela rua com o celular firme na mão, mesmo sem olhar para a tela? Esse gesto aparentemente banal não é aleatório. Do ponto de vista psicológico, ele revela padrões de atenção, ansiedade e busca por controle que afetam desde o foco até a segurança ao caminhar.
Por que sentimos necessidade de manter o celular sempre à mão?
Segurar o celular funciona como uma extensão do corpo. Psicologicamente, ele transmite a sensação de estar disponível, conectado e pronto para reagir a qualquer estímulo externo.
Para muitas pessoas, isso reduz o desconforto do silêncio, da espera ou do tédio. O uso automático do celular vira um pequeno ritual de segurança emocional, mesmo quando não há nenhuma notificação real.

O celular virou uma forma rápida de aliviar ansiedade?
Sim, em muitos casos. Aplicativos são desenhados para recompensar verificações rápidas com estímulos visuais e sociais. O cérebro aprende que basta um toque para receber algo novo.
Com o tempo, esse padrão cria um comportamento de checagem constante. Segurar o celular antes mesmo de usá-lo reduz a ansiedade antecipatória, aquela sensação de que algo pode estar acontecendo agora.
O que o ambiente digital faz com nossa atenção?
O fluxo contínuo de informações online favorece uma atenção fragmentada. Em vez de sustentar o foco, o cérebro se adapta a alternar rapidamente entre estímulos.
Esse padrão não fica restrito às telas. Ele é levado para atividades comuns, como caminhar, conversar ou esperar. Assim, o impacto do celular na atenção aparece até fora do ambiente digital.
Por que andar com o celular muda a forma como caminhamos?
Caminhar parece automático, mas exige coordenação e percepção do ambiente. Quando adicionamos o celular, o cérebro passa a dividir recursos entre dois estímulos.
Estudos mostram redução da velocidade, maior desvio lateral e pior percepção sonora. O uso do celular ao caminhar compromete a atenção espacial e aumenta riscos no dia a dia.
FoMO e nomofobia explicam esse comportamento?
Dois conceitos ajudam a entender o fenômeno. O primeiro é o medo de ficar de fora, conhecido como FoMO, que gera a sensação de que algo importante pode ser perdido.
O segundo é a nomofobia, relacionada ao desconforto de ficar sem acesso ao telefone. Mesmo não sendo um diagnóstico formal, ela explica por que segurar o celular traz alívio imediato para muitas pessoas.
O Dr. Rafael Gratta explica, em seu TikTok, como o celular já é quase parte do nosso corpo e molda nosso cotidiano:
@rafaelgrattap A disponibilidade e recompensa intermitente do celular torna ele um grande “sugador” da sua energia e atenção. Não é que seja ruim, mas vamos usar as redes sociais de forma consciente e orientada aos nossos objetivos e felicidade. Mais Foco Menos Ansiedade 🙏🏽 #saúdemental #ansiedade #dopamina #celular ♬ som original – Rafael Gratta
Como mudar esse hábito sem radicalismo?
Não é preciso abandonar o celular, mas criar limites conscientes. Pequenos ajustes reduzem a dependência sem gerar frustração.
Algumas estratégias simples incluem:
- definir momentos específicos para checar o celular
- guardar o aparelho no bolso ou na bolsa durante parte do trajeto
- parar em local seguro antes de responder mensagens
- perceber o ambiente ao redor como exercício de atenção
O que esse hábito diz sobre nossa relação com o mundo?
Segurar o celular sem usá-lo não é sinal de fraqueza, mas de adaptação a um ambiente hiperestimulante. Ele preenche lacunas de atenção e oferece sensação de controle.
Ao reconhecer esse padrão, o uso consciente do celular deixa de ser uma luta e se torna uma escolha. Às vezes, guardar o aparelho por alguns minutos já muda completamente a experiência de estar presente.