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Quais são as diferenças entre pombas e rolinhas e quais doenças eles podem transmitir?
Ave exótica e parente nativa dividem as praças do Rio, e o maior risco à saúde vem da poeira das fezes secas, ligada à criptococose e à psitacose
Quem passa pelas praças do Rio vê os dois o tempo todo: o pombo-doméstico, grandalhão e acinzentado, e a rolinha, pequena e de tom avermelhado. São parentes, mas têm origem e hábitos diferentes. A dúvida que mais preocupa o ouvinte, porém, é outra: o que essas aves podem passar para as pessoas, principalmente pelas fezes secas em telhados e janelas.
Como diferenciar o pombo-doméstico da rolinha na rua?
Pelo tamanho, pela cor e pela origem. O pombo-doméstico (Columba livia) não é brasileiro: veio da região do Mediterrâneo, na Europa e no norte da África. Segundo a veterinária Terezinha Knöbl, professora da USP, ele chegou ao país como ave doméstica e ornamental na colonização portuguesa, como registra o Jornal da USP.
Já a rolinha (Columbina talpacoti) é uma ave silvestre brasileira, comum em quintais, praças e ruas. Pesquisadores da Uerj e do IFRJ contam, na revista Ciência Hoje das Crianças, que Columbina quer dizer “que se parece com um pombo”. Talpacoti é o nome indígena da ave.
As duas pertencem à família Columbidae, a mesma de todas as pombas. Na rua, o pombo é maior e vive em bandos perto de restos de comida. A rolinha é bem menor e mais discreta, e também atende por rolinha-vermelha, rolinha-juruti e pomba-café.

Quais doenças as fezes do pombo-doméstico podem transmitir?
Criptococose, psitacose, histoplasmose e salmonelose estão entre as principais. O risco vem sobretudo das fezes secas: quando o material resseca e é varrido, partículas de fungos e bactérias sobem no ar e podem ser inaladas.
Cada doença tem causa e gravidade diferentes. Entenda como elas chegam ao organismo:
- Criptococose: micose causada por um fungo presente nas fezes de aves, sobretudo de pombos. Segundo o Ministério da Saúde, pode afetar pulmões, pele e sistema nervoso.
- Psitacose: infecção pela bactéria Chlamydia psittaci, chamada de clamidiose nas aves. Provoca febre, calafrios, dor de cabeça e tosse seca.
- Histoplasmose: outra micose profunda, ligada à inalação de fungos das fezes secas.
- Salmonelose: transmitida por alimentos contaminados, com risco maior onde se produz ou armazena comida.
A criptococose não passa de uma pessoa para outra: o contágio vem da inalação do fungo no ambiente. Em pessoas com aids, ela é a principal causa de meningoencefalite. A psitacose costuma ser leve e é tratada com antibióticos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).
Quem já sofre com essas aves no telhado tem alternativa sem veneno nem crueldade. A Tupi mostrou barreiras físicas que funcionam melhor que objetos brilhantes.
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Como limpar fezes de pombos sem colocar a saúde em risco?
O primeiro cuidado é nunca varrer o material seco. O Ministério da Saúde orienta umedecer as fezes antes da limpeza, para não levantar poeira, e usar máscara e outros equipamentos de proteção em locais com muitos pombos.

A prevenção também passa por tirar da ave comida, água e abrigo. A professora da USP recomenda não alimentar os pombos, porque isso aumenta a colônia, e instalar telas em vãos de telhado e de ar-condicionado. Armadilhas, cola e medidas que matem as aves estão fora: o controle cabe às autoridades sanitárias.
Rolinha e pombo-doméstico pedem o mesmo cuidado em casa?
Em boa parte, sim. Os cuidados com fezes valem para as duas aves da família Columbidae, e o CDC associa a psitacose à poeira de excrementos secos de aves em geral. A diferença é que a rolinha é nativa e silvestre, enquanto o pombo é exótico e forma grandes colônias urbanas.
Conhecer os dois bichos ajuda a conviver com eles sem pânico e sem maus-tratos. Se o seu prédio ou quintal sofre com acúmulo de fezes, procure o centro de controle de zoonoses da sua cidade e passe essas dicas para os vizinhos: cuidar do ambiente é proteger a família inteira.
Quais dúvidas sobre pombos e doenças são mais comuns?
Algumas perguntas sobre o tema se repetem entre os ouvintes. As respostas abaixo seguem a USP e o Ministério da Saúde.
Pombo transmite leptospirose, raiva ou toxoplasmose?
Não. Segundo a professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, essas três doenças não são transmitidas por pombos.
Quem tem criptococose precisa ficar isolado?
Não. O Ministério da Saúde informa que a doença não passa de pessoa para pessoa e que o paciente não precisa de isolamento.
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