Uma aldeia esquecida a 1.200 metros onde há só um morador e muitos vão lá apenas pelo restaurante - Super Rádio Tupi
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Uma aldeia esquecida a 1.200 metros onde há só um morador e muitos vão lá apenas pelo restaurante

Esse vilarejo quase vazio atrai visitantes por um restaurante famoso.

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Uma aldeia esquecida a 1.200 m de altitude onde há só um morador e muitos vão lá apenas pelo restaurante
O lugar está a 1.200 metros de altitude, à entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês. / Imagem ilustrativa

No alto da serra da Peneda, em Portugal, há um conjunto de casas de granito onde mora uma única pessoa. Val de Poldros é uma “aldeia” que resiste ao abandono porque um homem decidiu voltar e abrir um restaurante.

Uma aldeia que nasceu para ficar quase sempre vazia

Val de Poldros fica em Riba de Mouro, no concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo. O lugar está a 1.200 metros de altitude, à entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e o caminho até lá é uma estrada estreita que vai ficando solitária à medida que sobe a serra.

Apesar do que dizem os mapas, Val de Poldros não é exatamente uma aldeia. É uma branda, um tipo de povoado de montanha do Alto Minho que só era usado nos meses quentes do ano. Os pastores subiam com o gado na primavera, ficavam até o fim do verão e desciam de novo quando o frio chegava. Por isso a branda nunca teve gente o ano todo. O silêncio sempre fez parte da identidade do lugar.

Uma aldeia esquecida a 1.200 metros onde há só um morador e muitos vão lá apenas pelo restaurante
Val de Poldros não é exatamente uma aldeia, é uma branda. / Créditos: Wikimedia Commons

O sistema das brandas e das inverneiras

Para entender Val de Poldros é preciso entender como funcionava a vida na serra. As famílias do Alto Minho dividiam o ano entre dois endereços. No verão, ficavam nas brandas, lá em cima, perto dos pastos verdes que só apareciam com o calor. No inverno, desciam para as inverneiras, casas em zonas mais baixas e protegidas do vento.

Era um vai e vem antigo, ligado à transumância e ao ritmo do gado. As cardenhas, que são as casas típicas das brandas, foram construídas com essa lógica em mente. Pedra de granito empilhada sem argamassa, paredes grossas para segurar o frio, espaço mínimo dentro. Tudo pensado para durar e para ser usado só por alguns meses por ano.

O vídeo do canal 360portugal apresenta a Branda de Santo António de Vale de Poldros, localizada em Monção, Portugal.

O homem que voltou de Andorra para morar sozinho

O único habitante permanente de Val de Poldros se chama Fernando Gonçalves. Ele passou anos como emigrante em Andorra e voltou em 2004 com uma decisão incomum: ficar morando ali em cima, sozinho, no meio das cardenhas vazias.

Para não ficar isolado, abriu um pequeno restaurante na branda. O nome do lugar é o mesmo da aldeia. A regra é simples e virou parte do encanto: não existe menu fixo. Quem chega come o que houver no dia, feito com produtos da época. A especialidade da casa é o costelão grelhado na brasa, mas cabrito, vitela e bacalhau aparecem dependendo do que o Sr. Fernando decidiu preparar. Vale reservar antes de subir.

Por que chamam de aldeia dos hobbits?

Quem chega à branda costuma ter a mesma reação. As casas baixas de pedra, agrupadas no meio da serra, lembram demais os cenários de O Senhor dos Anéis. O apelido pegou. Hoje muita gente sobe a Val de Poldros já chamando o lugar de aldeia dos hobbits.

A semelhança não é coincidência total. As cardenhas foram feitas para se misturar à paisagem, com janelas pequenas, telhados baixos e granito da própria serra. A arquitetura nasceu da necessidade, não da estética, mas o resultado final acabou virando atração turística. Segundo a Câmara Municipal de Monção, o conjunto tem valor patrimonial reconhecido e está em processo de salvaguarda.

Uma aldeia esquecida a 1.200 metros onde há só um morador e muitos vão lá apenas pelo restaurante
Val de Poldros é prova de que basta uma pessoa para manter uma terra inteira viva. / Imagem ilustrativa

Leia também: A metrópole do império romano preservada em 3 mil anos que recebe 2,5 milhões de visitantes todos anos.

O dia em que Val de Poldros enche de gente

A branda passa quase o ano inteiro com um morador só. Em meados de junho, isso muda por alguns dias. A festa de Santo António, padroeiro do lugar, leva centenas de peregrinos serra acima.

O programa mistura o religioso e o popular, e leva gente de Monção, Melgaço e Arcos de Valdevez para a serra. As atrações principais são poucas e bem tradicionais.

  • Missa de Santo António: celebração religiosa que reúne os peregrinos vindos dos vales.
  • Bênção do gado: ritual antigo ligado à tradição pastoril das brandas.
  • Encontro de concertinas: tocadores de toda a região se juntam para tocar o dia inteiro.
  • Corridas de cavalos: prova popular que fecha o programa da festa.

Os mais antigos contam que, em outros tempos, quem não arranjasse namorado na festa ficaria sem namorar o verão inteiro.

Quando subir a serra da Peneda?

O clima da região é serrano e muda rápido. Os verões são curtos e amenos, ideais para quem quer caminhar pela branda sem encarar frio. Os invernos são longos, úmidos e frios, com risco de neve no alto da serra. Quem planeja subir até Val de Poldros precisa olhar a previsão antes de pegar a estrada.

🌸 Primavera

Mar – Mai

8-20°C

Temperatura
Contemple os pastos verdes e aproveite os dias mais longos para caminhadas ao ar livre.
🌦️ Chuva Média

☀️ Verão

Jun – Ago

14-28°C

Temperatura
A melhor época para visitar, marcada pela tradicional e animada festa de Santo António.
☀️ Chuva Baixa

🍂 Outono

Set – Nov

9-22°C

Temperatura
Encante-se com as cores quentes da paisagem e a tranquilidade de uma estação com menos turistas.
🌦️ Chuva Média

❄️ Inverno

Dez – Fev

2-12°C

Temperatura
Prepare-se para o frio intenso e a real possibilidade de ver neve cobrindo a região.
🌧️ Chuva Alta

Temperaturas aproximadas com base em dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para o distrito de Viana do Castelo. Condições na serra podem variar.

Vale a viagem até Val de Poldros

Val de Poldros é prova de que basta uma pessoa para manter uma terra inteira viva. A branda guarda um pedaço de Portugal rural que quase desapareceu, e ainda recebe quem sobe a serra com comida feita na hora e vista para o vale.

Você precisa subir até a serra da Peneda uma vez na vida e provar o costelão do Sr. Fernando antes de descer.