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Uma antiga vila de pescadores com piscinas naturais e corais foi eleita 10 vezes a melhor praia do Brasil
Um destino brasileiro impressionante entre recifes, águas calmas e piscinas naturais.
A 60 km do Recife, Porto de Galinhas tem mar morno o ano inteiro e piscinas naturais que aparecem entre os corais quando a maré recua. A antiga vila de pescadores acumula dez títulos consecutivos de Melhor Praia do Brasil pela revista Viagem e Turismo, da Editora Abril.
Por que essa praia ficou famosa no mundo todo?
O grande cartão-postal de Porto de Galinhas surge duas vezes por dia, no ritmo das marés. Quando o mar recua, os recifes a poucos metros da areia formam piscinas rasas de água transparente, onde peixes coloridos circulam ao redor de quem mergulha.
O reconhecimento veio dos próprios viajantes brasileiros. A vila de Ipojuca foi eleita por dez anos seguidos a Melhor Praia do Brasil pela revista Viagem e Turismo, somando o título mais recente em 2026. Águas mornas que beiram os 27°C, mais de 18 km de litoral em sequência e infraestrutura turística consolidada explicam o domínio do destino no ranking.

O nome que nasceu de um capítulo doloroso da história
Antes de virar sinônimo de paraíso tropical, a praia se chamava Porto Rico, em referência à abundância de pau-brasil e à riqueza da economia açucareira nos séculos XVI e XVII. A mudança veio depois da proibição do tráfico de pessoas escravizadas, no século XIX.
Os navios negreiros passaram a operar de forma clandestina e usavam galinhas-d’angola para disfarçar a carga humana. A senha que circulava entre os traficantes era direta: “tem galinha nova no porto”. O nome pegou e permaneceu, como registra o portal oficial Visit Brasil.
A ressignificação veio nos anos 1990, pelas mãos do artista piauiense Gilberto Carcará, que se mudou para a vila em 1997. Ele esculpe galinhas coloridas em troncos de coqueiros mortos e espalhou as peças pelas ruas e praças. Hoje as galinhas de Carcará são o símbolo visual do destino e podem ser vistas em frente à feira de artesanato.
O que fazer entre piscinas naturais e mangues?
O litoral do município de Ipojuca reúne praias de perfis bem diferentes em poucos minutos de carro. A maioria dos passeios depende da tábua de marés, então vale planejar o roteiro com antecedência.
- Piscinas Naturais da Praia da Vila: travessia de jangada a vela na maré baixa para nadar entre peixes coloridos. Visitação organizada pela Associação dos Jangadeiros de Porto de Galinhas.
- Praia de Muro Alto: paredão de recifes que cria uma piscina natural gigante quase sem ondas, ideal para crianças e stand up paddle.
- Pontal de Maracaípe: encontro do rio com o mar, com passeio de jangada pelos manguezais e o pôr do sol mais celebrado da região.
- Praia do Cupe: faixa de areia longa e ondas mais fortes, frequentada por surfistas.
- Ateliê Carcará: estúdio do escultor das famosas galinhas, na rua que leva o nome do artista, aberto de segunda a sábado.
A beleza natural de Pernambuco atinge seu ápice em um dos destinos mais cobiçados do litoral. O vídeo é do canal Partiu de Férias, com 73 mil inscritos, e detalha os custos atuais de passeios e as praias de Porto de Galinhas:
A maior área de conservação marinha do Brasil começa aqui
Toda a faixa costeira de Porto de Galinhas integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, criada por decreto federal em 1997. A unidade se estende por cerca de 120 km entre Pernambuco e Alagoas, indo até Maceió.
Em junho de 2025, o governo federal ampliou a APA em 89 mil hectares. A unidade passou a somar 495 mil hectares e segue como a maior área de proteção marinha costeira do país, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A gestão é feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Em Porto de Galinhas, a Biofábrica de Corais opera o Projeto Coralizar desde 2017. Mais de 3 mil corais quebrados já foram recuperados e reintroduzidos nos recifes da vila, em parceria com pesquisadores e a comunidade local.

O que comer na vila dos peixes frescos?
A cozinha local mistura frutos do mar do dia com a tradição sertaneja pernambucana. O calçadão concentra a maior parte dos restaurantes, mas vale buscar endereços fora do circuito principal.
- Peixe na telha: clássico à beira-mar, com peixe grelhado servido na própria telha de barro acompanhado de pirão.
- Galinha à cabidela: prato sertanejo de Pernambuco preparado com sangue da ave, arroz e farofa, especialidade do Cabidela da Natália, na Praia do Cupe.
- Camarão no abacaxi: camarão cremoso ao leite de coco servido dentro do abacaxi, presença constante nos cardápios da vila.
- Tapioca recheada: a versão pernambucana leva queijo coalho, coco fresco ou camarão seco, vendida em barracas e tapiocarias.
- Bolo de rolo: doce típico do estado, com finas camadas de massa e goiabada, encontrado em empórios da Rua Beijupirá.
Quando ir e o que esperar de cada estação?
O sol aparece o ano todo no litoral sul pernambucano, mas a transparência da água depende da estação. As marés baixas das luas nova e cheia favorecem o passeio às piscinas naturais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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Como chegar à vila pernambucana?
O Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes é a porta de entrada e fica a cerca de 60 km da vila. O trajeto leva aproximadamente 1 hora pela BR-101 seguida pela PE-009 (Rota do Atlântico, pedagiada) ou pela PE-060.
As opções incluem transfer privativo, táxi credenciado das cooperativas do aeroporto, transporte por aplicativo e os ônibus 191 e 195 da Viação Vera Cruz, que partem do próprio terminal de desembarque.
Vale a pena conhecer Porto de Galinhas
A vila combina piscinas naturais entre corais vivos, gastronomia farta de mar e uma história que pede atenção para ser entendida em camadas. Tudo isso a uma hora do Recife, com infraestrutura para todos os tipos de viajante.
Você precisa conhecer Porto de Galinhas e mergulhar em águas mornas que explicam, em uma única tarde, por que esse pedaço de Pernambuco é o destino de praia mais premiado do Brasil.