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Uma lagoa apelidada de Coca-Cola, uma baleia de bronze e uma figueira centenária fazem desta cidade um destino fora do comum
Rio das Ostras reúne a Lagoa de Iriry.
Toda cidade de praia guarda algum vestígio do tempo em que era apenas uma vila de pescadores. Em Rio das Ostras, no litoral norte fluminense, esse passado tem nome tupi, Leripe, e uma figueira que abrigou Dom Pedro II em 1847. Entre lagoa escura, costões rochosos e uma estação de trem do Império, a cidade revela um roteiro que começa muito antes do jazz.
Por que Rio das Ostras se chamava Leripe?
O nome vem do tupi e quer dizer “lugar de ostra”, de acordo com a Prefeitura de Rio das Ostras. Bem antes dos colonizadores, caçadores e coletores deixaram no terreno os sambaquis, montes formados pelo acúmulo de conchas. No Sambaqui da Tarioba, a datação por radiocarbono indica ocupação entre 4.070 e 3.520 anos atrás, segundo estudo publicado na Archaeofauna por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF). O museu montado sobre o sítio original está fechado para manutenção.
A área virou sesmaria dos jesuítas em 1630 e, no século XIX, o arraial de Baía Formosa servia de rota a tropeiros e comerciantes. Em 1847, o imperador descansou à sombra da Figueira Centenária, que segue no calçadão da Praia do Centro. Perto dali, o Poço de Pedras, erguido por escravizados no século XVIII para abastecer navegadores, foi demolido nos anos 1990 e reconstruído em 2000 a partir de fotografias antigas. A vila só virou município em 1992, quando se separou de Casimiro de Abreu.

O que visitar em Rio das Ostras além da faixa de areia?
A orla concentra boa parte dos passeios, mas o guia oficial de pontos turísticos do município inclui parques, costões protegidos e até um pedaço da antiga ferrovia. Quase tudo fica a poucos minutos de carro do Centro.
Como o jazz transformou a antiga vila de pescadores?
O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival virou a principal marca cultural da cidade, com palcos ao ar livre no feriado de Corpus Christi. Segundo estudo publicado na RECIIS, revista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a música ajudou, ao lado dos royalties do petróleo, a gerar empregos e a melhorar a qualidade de vida da população local.
Levar shows para dentro de uma área protegida exige cuidado. Em 2021, o uso do anfiteatro da Lagoa de Iriry pela 18ª edição passou pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA), que exigiu cercamento da vegetação ao redor do palco e mensagens ao público sobre os objetivos da unidade de conservação.

Como é o clima de Rio das Ostras durante o ano?
O verão é quente e chuvoso, e o inverno quase não tem chuva, com máximas que raramente passam dos 30°C. Entre junho e agosto, cada mês soma menos de 40 mm de chuva, de acordo com as médias do Climatempo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio das Ostras saindo da capital?
A cidade fica a cerca de 170 km do Rio de Janeiro. De carro, o trajeto segue pela BR-101 até Rio Dourado e continua pela RJ-162 até a RJ-106, a Rodovia Amaral Peixoto. Há ônibus diretos a partir da Rodoviária Novo Rio, e a vizinha Macaé tem aeroporto.
A vila de Leripe que segue viva à beira-mar
Rio das Ostras cresceu rápido depois da emancipação, mas deixou à vista as marcas de cada época. A figueira do imperador, o poço refeito a partir de fotos antigas e a estação de pedra de Rocha Leão contam a história de uma vila que aprendeu a conviver com o próprio passado.
Você precisa caminhar pela orla de Rio das Ostras no fim da tarde e entender por que um imperador escolheu parar justamente ali.