Botafogo

Consultor do estudo dos Moreira Salles para o Botafogo diz: ‘Trinta anos é um prazo bem adequado’

Confira a entrevista com Alexandre Rangel, sócio da EY e formatador do estudo encomendado pelos irmãos Salles

Por Thiago Veras

O estudo encomendado pelos irmãos Moreira Salles foi apresentado na sexta-feira aos dirigentes alvinegros pela Ernst & Young. O plano consiste na criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), através da instauração de uma nova empresa, uma sociedade anônima (S/A), com um prazo estipulado em 30 anos. A empresa ficaria responsável por todos os ativos do futebol profissional do Botafogo. Em contrapartida, teria que levantar dinheiro para sanear as dívidas de curto prazo.

Alexandre Rangel, sócio da EY e um dos responsáveis pela formatação do estudo encomendado pelos Irmãos Moreira Salles, explicou em entrevista à Super Rádio Tupi o prazo que foi estipulado para a realização do projeto.

“30 anos é um prazo bem adequado, porque no caso do Botafogo esse aporte para pagar às dívidas é um valor bem significativo. Estamos falando em quitar ao longo do tempo R$ 700 milhões em dívidas como está no balanço do clube em dezembro de 2018. O Botafogo sinalizou que vão ser contraídas dívidas novas ao longo de 2019 para poder fechar a operação e eventuais parceiros ocultos que ainda não estejam identificados, além da construção do CT e investimentos no futebol, que pode passar de R$ 800 milhões. O prazo de retorno é longo. Se a gente não der para os investidores o tempo deles pelo menos recuperarem o investimento inicial que está sendo feito provavelmente não vamos ter grandes atratividades. Claro que a maioria é botafoguense e tem a inteção de ajudar o clube, mas não é uma doação. Tem que existir um prazo mínimo para que os investidores e novos investidores que entrem em um segundo ou terceiro momento queiram aportar dinheiro no Botafogo. Quanto mais interessante for o projeto e retorno ele puder dar, mais dinheiro o Botafogo irá receber e vai aumentar a competitividade do clube”.

Confira outros trechos da entrevista

Criação da Sociedade de Propósito Específico (SPE)
“O objetivo da (SPE) é criar uma estrutura nova para os investidores que estão aportando o dinheiro dentro da nova operação de futebol do Botafogo fazerem os investimentos. A contrapartida deles, que são os sócios da (SPE), é quitar todas as dívidas do Botafogo de curto e longo prazo, além de gerar uma remuneração adicional com a construção do CT e melhoria da competitividade do futebol. Ao final desses 30 anos a (SPE) se encerra e todas as operações voltam a ser administradas pelo Botafogo”.

Participação dos Irmãos Moreira Salles
“O engajamento deles nesse projeto formal terminou na sexta passada. Eles têm agora interesse em entender os detalhes do projeto, assim como todos os investidores. Se for um projeto bem formatado e com características que eles entendam ser adequadas com a profissionalização do clube, colocação de boas práticas de governança, responsabilidade social, e for algo interessante do ponto de vista do retorno, eles comentaram que estão dispostos a avaliar e eventualmente serem investidores. Nesse momento não existe deles e de qualquer outro possível investidor nenhuma garantia firme”.

Valor do aporte
“O projeto abrange aportar todo o dinheiro necessário para quitar de forma completa o passivo do Botafogo. Algo como R$ 300 milhões tem que ser aportado no início, que é fundamental para esse projeto decolar. Todas as dívidas de curto prazo precisam ser quitadas o mais rápido possível para dar tranquilidade a quem operar o clube sobre o risco de penhoras, antecipações e o comprometimento do fluxo de caixa. Os primeiros cinco anos seriam utilizados para finalizar o saneamento e fazer investimentos. A partir do 6º e 7º ano o clube vai ter uma situação bastante confortável do ponto de vista de receitas e rentabilidade para poder competir de maneira mais agressiva junto aos outros clubes”.

Investimento no futebol
“Esses investimentos só começariam quando a (SPE) estiver ativa. Se tudo der certo só em 2020, ou seja, não teremos nenhum investimento em 2019. O objetivo é a gente olhar um pouco das experiências que Flamengo e Palmeiras passaram no processo de profissionalização. Os primeiros dois anos foram muito difíceis. Ambos os clubes passaram por forte risco de rebaixamento porque demora um tempo para que toda essa engenharia de profissionalização comece a surtir efeito. Para evitar esse tipo de risco ao Botafogo, nos três primeiros anos pretende-se fazer um investimento na casa de R$ 20 ou 30 milhões/ano. Para além daquilo que o Botafogo vai estar gerando de receitas, vai existir um complemento de fundos para que o clube tenha pouquíssima chance de correr risco de queda. É um orçamento confortável para se manter competitivo ou no mínimo em uma posição intermediária na tabela. A partir do 4º ano já se entende que os efeitos da profissionalização e da geração de receitas já vão estar muito mais claros e não seria mais necessário esse aporte adicional. Esse aporte é mais um compromisso dos investidores para fazer parte desse processo”.

Futuro após os 30 anos
“É óbvio que é uma decisão que não precisa e nem vai ser tomada agora. Isso tem que ser avaliado no futuro, mas nada impede que ao final dos 30 anos ou até um pouco antes, não só esse acordo seja renovado, mas como todo aprendizado obtido nesse período possa ser feito outro tipo de acordo, alguma evolução de modelo, já que tudo evolui com o tempo. O mais importante é que agora temos uma perspectiva de sobrevida a curto prazo com uma expectativa de que dentro do modelo profissional-empresarial não só o futebol do Botafogo vai sobreviver e continuar evoluindo, mas o clube social tenha uma saída de crescimento e estabilização financeira. Lá na frente acredito que vão achar um modelo qualquer que seja para manter e tornar esses ganhos perenes. Duvido que os sócios, a torcida, daqui há 20 ou 30 anos depois de experimentar o modelo de grande evolução profissional, que vai trazer grandes resultados financeiros e esportivos, vão querer voltar a passos atrás”.

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