Esportes
Crise na Série A: atletas entram na mira por relação com agência de luxo
Agência oferecia pacotes de festas com acompanhantes e óxido nitroso a atletas e famosos
A promotoria de Milão abriu uma investigação contra uma empresa suspeita de organizar festas com prostituição e uso de óxido nitroso, o chamado gás do riso. Cerca de 50 jogadores da Serie A aparecem no inquérito, entre eles atletas da Inter de Milão e do Milan, de acordo com a “Gazzetta dello Sport”.
Casal preso por exploração sexual e lavagem de dinheiro
A agência tinha sede em Cinisello Balsamo, área metropolitana de Milão, e era comandada por um casal. Os dois estão em prisão domiciliar, assim como outros dois associados, acusados de organização de serviços sexuais e lavagem de dinheiro.
Segundo a acusação, a operação começou em 2019 e seguiu funcionando mesmo durante a pandemia, quando uma testemunha relatou a existência de uma boate clandestina ativa dentro da sede durante o período de confinamento.
A investigação aponta que as festas aconteciam em hotéis e casas noturnas de luxo tanto na Itália quanto em Mykonos, na Grécia. Uma das pistas que levou aos jogadores foi o perfil da agência no Instagram, seguido por diferentes atletas.
As provas reunidas também indicam transferências de dinheiro entre os investigados e apontam a participação de empresários, celebridades e pilotos de Fórmula 1. Entre as escutas telefônicas, uma chamou atenção: “Vou mandar a brasileira para ele”, diz um dos áudios, referindo-se à negociação envolvendo uma mulher do Brasil.
Mais de 100 mulheres de diferentes países envolvidas
A denúncia descreve um esquema em que mulheres eram coagidas à prostituição e obrigadas a morar na sede da empresa, pagando pela própria hospedagem. Elas eram selecionadas pelos jogadores e recebiam metade do valor combinado, enquanto o restante ficava com Buttini e Ronchi. Estima-se que mais de 100 garotas, de idades e nacionalidades variadas, estejam envolvidas no caso.
O uso de óxido nitroso nas festas também está documentado nos autos. A substância age como sedativo leve em forma de gás, provoca euforia e não deixa rastros no organismo, o que impedia sua detecção em exames antidoping. Na Itália, a prostituição praticada de forma voluntária não é crime, assim como no Brasil. O que a lei italiana proíbe, porém, é a organização e a exploração sexual de terceiros, base das acusações contra os responsáveis pela agência.