Esportes
Mais de R$ 100 milhões investidos e retorno abaixo: o balanço dos reforços do Vasco no primeiro semestre de 2026
O Vasco apostou alto para 2026. Com investimento superior a R$ 100 milhões na primeira janela de transferências
O Vasco apostou alto para 2026. Com investimento superior a R$ 100 milhões na primeira janela de transferências, o clube reformulou parte do elenco e trouxe seis reforços para elevar o nível competitivo da equipe: Johan Rojas, Alan Saldivia, Cuiabano, Brenner, Marino Hinestroza e Claudio Spinelli.
Entretanto, o retorno esportivo ficou distante do esperado.
Entre vaias em São Januário, cobranças no CT Moacyr Barbosa e dificuldades de adaptação, poucos conseguiram transformar expectativa em desempenho dentro de campo. O cenário ajuda a explicar o semestre irregular do Cruz-Maltino, que entrou na pausa do calendário ocupando a 17ª colocação do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento, com 20 pontos.
Enquanto alguns reforços ainda buscam espaço, outros tentam recuperar confiança e justificar o investimento realizado.
Marino Hinestroza: expectativa alta e perda de espaço

Entre todos os contratados, Marino Hinestroza talvez tenha sido quem chegou cercado pela maior expectativa.
Contratado por aproximadamente R$ 30 milhões, o atacante colombiano desembarcou no Rio com status de jogador capaz de desequilibrar ofensivamente. Porém, o impacto ficou muito abaixo do imaginado.
Até aqui, Marino disputou 18 partidas, mas começou apenas cinco como titular e ainda não participou diretamente de nenhum gol.
Além disso, o jogador vive relação desgastada com parte da torcida desde os episódios de cobrança na porta do CT no fim de maio.
Internamente, existe o entendimento de que sua utilização imediata após chegar ao clube pode ter sido precipitada. O atleta vinha de um longo período sem ritmo competitivo e encontrou dificuldades físicas e táticas para acelerar o processo de adaptação.
Ao mesmo tempo, houve desgaste nos bastidores após declarações de Renato Gaúcho sobre o período de adaptação de jogadores colombianos ao futebol brasileiro.
Hoje, Marino perdeu espaço na disputa pela ponta direita e tenta reconstruir seu caminho no elenco.
Brenner: investimento alto e pouca resposta em campo

Se Marino decepcionou pela falta de participação ofensiva, Brenner convive com outro problema: a dificuldade para transformar oportunidades em gols.
Também adquirido por cerca de R$ 30 milhões, o atacante chegou para assumir protagonismo no ataque vascaíno. Entretanto, desde os primeiros jogos passou a ouvir vaias por parte da torcida.
Apesar de um início animador com Renato Gaúcho — quando marcou duas vezes nos cinco primeiros jogos sob o novo treinador — o rendimento caiu rapidamente.
Desde então, já acumula 11 partidas sem marcar.
Ao longo do semestre, Brenner participou de 24 jogos, iniciou apenas 11 como titular e balançou as redes três vezes.
Mesmo diante das críticas, o clube mantém confiança na recuperação do atacante e entende que a pausa para a Copa pode ser decisiva para recuperar confiança e desempenho.
Saldivia: sequência como titular não eliminou desconfiança

Entre os reforços, Alan Saldivia foi quem mais esteve em campo.
Com 1.897 minutos disputados, o zagueiro uruguaio assumiu protagonismo na defesa e chegou a iniciar a era Renato Gaúcho como titular ao lado de Robert Renan.
No entanto, a sequência não foi acompanhada por estabilidade.
Saldivia alternou boas atuações com erros decisivos e virou alvo frequente de críticas. O ponto mais delicado aconteceu na derrota por 3 a 0 para o Bragantino, quando falhas individuais influenciaram diretamente no resultado.
Além disso, o defensor soma um dado negativo que chamou atenção: três gols contra na temporada.
Diante das oscilações, a diretoria passou a procurar um novo zagueiro pelo lado direito da defesa.
Spinelli entrega números, mas ainda divide opiniões

Claudio Spinelli chegou com perfil diferente dos demais.
A ideia inicial era ter uma alternativa para Vegetti e aumentar a profundidade ofensiva do elenco.
Dentro desse contexto, o argentino conseguiu entregar números importantes.
Com cinco gols marcados, divide a artilharia do Vasco em 2025 com Puma Rodríguez e Thiago Mendes.
Além disso, soma uma assistência em 22 partidas disputadas.
Por outro lado, ainda existe avaliação interna de que o atacante entrega muita entrega física e intensidade, mas precisa evoluir tecnicamente em momentos decisivos.
Ainda assim, seu semestre aparece entre os menos problemáticos entre os reforços.
Rojas virou exceção positiva e assumiu protagonismo

Se houve um reforço que conseguiu escapar das críticas, esse nome foi Johan Rojas.
O colombiano mostrou adaptação rápida ao futebol brasileiro e rapidamente ganhou espaço ainda durante o trabalho de Fernando Diniz.
Posteriormente, com a saída inesperada de Coutinho, seu papel cresceu dentro do elenco.
Além de assumir protagonismo criativo, Rojas herdou a camisa 10 e passou a carregar maior responsabilidade ofensiva.
Hoje, lidera isoladamente o número de assistências do Vasco em 2025 e ainda soma dois gols.
Mesmo sendo titular frequente com Renato Gaúcho, internamente existe a percepção de que o jogador, aos 23 anos, ainda possui margem grande para evolução, principalmente na recomposição defensiva.
Cuiabano começou em alta, mas lesão interrompeu crescimento

Cuiabano teve o início mais impactante entre todos os reforços.
Depois de um período para recuperar condição física, estreou justamente no primeiro jogo de Renato Gaúcho e rapidamente mudou o cenário da lateral esquerda.
Nos primeiros quatro jogos, acumulou um gol e quatro assistências.
Além disso, aproveitou o momento irregular de Piton para assumir definitivamente a posição.
Contudo, quando vivia seu melhor momento, sofreu uma lesão muscular na coxa que interrompeu sua sequência.
Ficou praticamente um mês afastado e voltou apenas na reta final antes da pausa.
Nos últimos compromissos, ainda apresentou dificuldade para recuperar ritmo.
Mesmo assim, seus números seguem positivos: 14 partidas, um gol e quatro assistências.
Segundo semestre será decisivo para justificar o investimento
O primeiro semestre deixou mais dúvidas do que respostas para o Vasco.
Apesar do alto investimento, apenas Rojas e Cuiabano conseguiram consolidar protagonismo em algum momento da temporada.
Agora, com pausa no calendário e possibilidade de ajustes internos, o clube espera recuperar jogadores, reorganizar o elenco e transformar expectativa em desempenho.
Porque, para um time que investiu mais de R$ 100 milhões e luta contra a parte de baixo da tabela, o segundo semestre passou a ser também um teste para o planejamento construído no início do ano.