Esportes
Morre Coronel Nunes, dirigente paraense que chegou ao comando da CBF
Antônio Carlos Nunes de Lima morreu aos 88 anos, em Belém, após meses com a saúde debilitada; dirigente comandou a FPF e presidiu a CBF
O futebol brasileiro perdeu neste domingo (13) um dos dirigentes mais conhecidos de sua história recente. Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, morreu aos 88 anos, em Belém, após passar os últimos meses com a saúde debilitada. Natural de Monte Alegre, no Oeste do Pará, ele estava internado no Hospital Amazônia devido a complicações relacionadas a uma cirurgia realizada anos atrás para a retirada de um tumor na cabeça.
A morte foi confirmada pela família e por pessoas próximas ao dirigente. O velório está marcado para começar às 13h, na capela da Max Domini, em Belém. Os detalhes sobre o sepultamento ainda seriam divulgados ao longo deste domingo.
Trajetória começou no interior do Pará
Coronel Nunes construiu sua carreira esportiva a partir da atuação em ligas e entidades do futebol do interior do Pará. Sua relação com o esporte ganhou força principalmente na região do Baixo Amazonas, onde participou da organização e do incentivo às competições locais.
O dirigente posteriormente chegou à Federação Paraense de Futebol (FPF), entidade que comandou por mais de duas décadas, em diferentes mandatos. Durante o período à frente da federação, tornou-se uma das principais figuras da administração do futebol no estado e teve participação na organização do Campeonato Paraense e de outras competições estaduais.
A longa permanência na FPF também fez com que Coronel Nunes ganhasse influência no cenário nacional. A partir da atuação no futebol paraense, ele passou a ocupar espaço na estrutura da Confederação Brasileira de Futebol.
Chegada ao comando da CBF
Coronel Nunes chegou à vice-presidência da CBF e posteriormente assumiu a presidência da entidade em períodos de transição. Sua primeira passagem pelo comando aconteceu em 2017, em meio à crise política que atingia a confederação.
Ele também voltou a ocupar a presidência da CBF de forma interina em 2021, após o afastamento de Rogério Caboclo. Dessa maneira, o dirigente paraense esteve no principal cargo administrativo do futebol brasileiro em diferentes momentos.
A trajetória de Nunes também o levou a participar de importantes eventos internacionais. Um dos episódios de maior repercussão aconteceu durante a votação para a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026.
Na ocasião, enquanto representante da CBF, Coronel Nunes votou pela candidatura do Marrocos. A escolha chamou atenção porque a candidatura formada por Estados Unidos, Canadá e México era apoiada pela Conmebol. O trio norte-americano acabou vencendo a votação e recebeu o direito de sediar o Mundial.
Legado no futebol paraense
A maior parte da trajetória de Coronel Nunes, entretanto, esteve ligada ao futebol do Pará. Sua passagem pela FPF marcou uma longa era de influência nos bastidores do esporte estadual e fez dele uma das figuras mais conhecidas entre clubes, dirigentes e federações.
Natural de Monte Alegre, ele levou o nome do interior paraense ao cenário nacional e chegou a representar o futebol do Norte em importantes encontros da Conmebol e da Fifa.
Nos últimos anos, mesmo afastado do protagonismo cotidiano da administração do futebol, Coronel Nunes voltou a ter o nome envolvido em disputas políticas relacionadas à CBF. Em 2025, sua assinatura apareceu em um acordo que se tornou parte importante da crise envolvendo o comando da entidade e Ednaldo Rodrigues. O caso levantou questionamentos judiciais sobre a validade do documento e sobre a capacidade do dirigente de manifestar sua vontade naquele momento.
Com a morte de Coronel Nunes, aos 88 anos, o futebol paraense e brasileiro perde um personagem que atravessou décadas de história do esporte. De Monte Alegre à presidência da CBF, sua trajetória ficou marcada pela longa passagem pela Federação Paraense de Futebol e pela presença nos principais bastidores da administração do futebol nacional.