Esportes
“Neymar na reserva não existe”: Dunga alerta para o risco de ‘sombra’ do craque na Copa do Mundo
Em entrevista reveladora, ex-comandante detalha por que a convocação do craque exige titularidade absoluta para evitar crise com torcida e imprensa
Para o ex-técnico da Seleção Brasileira, Dunga, a presença de Neymar na Copa do Mundo de 2026 é uma questão que ultrapassa as quatro linhas e esbarra na hierarquia e no psicológico do vestiário. Em entrevista ao canal do jornalista Duda Garbi, o capitão do tetra foi enfático: tecnicamente, o craque é indiscutível, mas sua convocação exigiria, obrigatoriamente, a titularidade. Confira os principais pontos da análise de Dunga sobre o futuro do camisa 10:
Técnica x Físico
Em primeiro lugar, Dunga destacou que o talento de Neymar o coloca em um patamar isolado. No entanto, ressaltou que a decisão final cabe ao próprio atleta, especialmente no que diz respeito à sua condição física para suportar um torneio de tiro curto.
“(Neymar) Como jogador, como técnica, não tem discussão. Não tem discussão. Quem vai dizer se ele vai ou não para a Copa do Mundo é ele. Para ir para uma Copa do Mundo, tem que estar (no mínimo) 80%. Não digo nem 100%, (tem que estar) 80% no mínimo um jogador da qualidade dele, porque tecnicamente ele é um espetáculo.”
O dilema da reserva
Diferente do que sugerem alguns analistas, Dunga acredita que levar Neymar para ser uma “opção de banco” é uma estratégia inviável. Segundo ele, o espírito competitivo do jogador não permitiria que ele aceitasse o papel de coadjuvante.
“E aí eu vejo os caras [comentaristas esportivos] falarem… Isso é outra coisa: vamos falar do coração do doutor, ‘leva ele para ficar na reserva’. Não vai ficar na reserva, filho… O cara é competitivo. Ele é competitivo, gosta de ganhar, gosta de desafio. Ele não vai aceitar (ficar na reserva).”
O treinador complementou que a pressão externa e o grande desejo de jogar tornariam a convivência no banco insustentável:
“(Neymar) Não vai aceitar por dois motivos: ele vai ver um cara errando uma jogada e vai falar ‘Pô, eu quero jogar, meu’. (…) Quem é que quer ir numa Copa do Mundo e ficar só assistindo? Ninguém… O cara quer jogar.”
O “Efeito D’Alessandro” e a pressão no grupo
Para ilustrar o peso de ter um ídolo no banco, Dunga relembrou sua passagem pelo Internacional, quando era cobrado para barrar o argentino D’Alessandro. Ele explicou que a presença de uma estrela na reserva pode desestabilizar quem está em campo, gerando uma sombra constante a cada erro cometido.
“Aí o cara erra uma jogada, olha para o banco e está o Neymar… P***, a imprensa e a torcida vão: ‘Aaaah, Neymar, Neymar’. (O jogador) Tem que ter estrutura.”
A conclusão do ex-técnico é direta: se Neymar for para a Copa, não há meio-termo possível.