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Testemunhas afirmam que Julio Casares retirava até R$ 100 mil por mês em dinheiro dos cofres do São Paulo
A investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o ex-presidente do Julio Casares ganhou novos desdobramentos.
A investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o ex-presidente do Julio Casares ganhou novos desdobramentos. Duas testemunhas afirmaram à Polícia Civil e ao Ministério Público de São Paulo que Casares retirava cerca de R$ 100 mil por mês em dinheiro dos cofres do São Paulo Futebol Clube. Além disso, os depoimentos indicam que os valores saíam do Morumbis em sacolas e envelopes. Agora, as autoridades analisam a origem e a destinação desses recursos.
Testemunhas detalham retiradas em dinheiro
Segundo os depoimentos, Julio Casares solicitava recursos ao departamento financeiro alegando a realização de ações promocionais em eventos. No entanto, as testemunhas disseram que ele não detalhava como utilizaria o dinheiro.
Além disso, os funcionários retiravam os valores do cofre do Morumbis e os encaminhavam à presidência. Em seguida, representantes de Casares apresentavam documentos para justificar as retiradas.
Uma das testemunhas explicou que os comprovantes faziam referência à compra de ingressos para partidas do clube.
“Ele comprovava com o recibo que era encaminhado. É um recibo de aquisição de ingresso. Depois, o representante dele assinava um documento informando que eram ingressos adquiridos para dia de jogo.”
Enquanto isso, a Justiça mantém em sigilo a identidade das pessoas que prestaram os depoimentos.
Investigação aponta movimentação de R$ 1,5 milhão
Além dos relatos das testemunhas, os investigadores analisam a movimentação bancária atribuída a Julio Casares entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
Nesse período, a investigação identificou aproximadamente R$ 1,5 milhão em depósitos realizados em dinheiro na conta do dirigente. Por outro lado, os salários pagos pelo São Paulo representam apenas R$ 617 mil, cerca de 19,3% do total movimentado.
Dessa forma, promotores e policiais buscam esclarecer a origem dos demais recursos.
Coaf identifica padrão de depósitos fracionados
Outro ponto analisado envolve a forma como os depósitos ocorreram. Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), diversas operações apresentam características compatíveis com o chamado “smurfing”.
Nesse modelo, a pessoa divide grandes quantias em depósitos menores para reduzir o risco de alertas automáticos dos órgãos de fiscalização.
Além disso, a investigação encontrou registros de até 12 depósitos no mesmo dia. Da mesma forma, identificou várias operações de R$ 49 mil, valor inferior ao limite de R$ 50 mil que gera comunicação automática aos órgãos de controle.
Por isso, investigadores apuram se alguém utilizou essa estratégia para ocultar a origem do dinheiro.
Defesa ainda não apresentou posicionamento
A reportagem procurou a defesa de Julio Casares para comentar as acusações.
Entretanto, os advogados ainda não responderam aos questionamentos. Caso a defesa apresente uma manifestação oficial, novas informações poderão integrar a investigação.
Quebra de sigilo amplia investigação sobre camarotes

Além da apuração sobre as movimentações financeiras, a Justiça autorizou, no início de junho, a quebra do sigilo bancário dos investigados no caso da suposta venda irregular de camarotes do Morumbis.
Entre os investigados aparecem Julio Casares, Mara Casares, Douglas Schwartzmann, Marcio Carlomagno e Rita de Cassia Adriana Prado.
Segundo as autoridades, a investigação busca esclarecer um suposto esquema de comercialização clandestina de camarotes corporativos. Como consequência, o São Paulo expulsou os dirigentes envolvidos do quadro de sócios do clube.
Polícia e Ministério Público seguem com as apurações
O Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) conduz as investigações com acompanhamento do Ministério Público de São Paulo.
Enquanto isso, promotores e policiais continuam reunindo documentos, analisando movimentações financeiras e ouvindo testemunhas. Como o processo corre em segredo de Justiça, as autoridades preservam detalhes das diligências. Ainda assim, a expectativa é que novas informações apareçam conforme a investigação avance.