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Âmbar mais antigo do mundo é encontrado por cientistas chineses em bloco de carvão: ele tem cerca de 385 milhões de anos

Pequenos fragmentos revelam como plantas antigas protegiam seus tecidos

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Âmbar mais antigo do mundo é encontrado por cientistas chineses em bloco de carvão: ele tem cerca de 385 milhões de anos
Âmbar de 385 milhões de anos revela uma defesa vegetal muito antiga

Um grupo de pesquisadores encontrou fragmentos de âmbar escondidos dentro de uma camada fina de carvão na região de Xinjiang, no noroeste da China. Os pedaços, a maioria menor que meio milímetro, têm cerca de 385 milhões de anos e representam o registro mais antigo já confirmado quimicamente dessa substância, segundo estudo publicado na revista Science Advances em 15 de julho.

DESTAQUES

Fragmentos de âmbar com cerca de 385 milhões de anos revelam que plantas do Devoniano já produziam resinas defensivas.

1O material encontrado em Xinjiang é o registro de âmbar mais antigo já confirmado quimicamente.

2Testes moleculares identificaram compostos terpenoides característicos de resinas vegetais.

3A descoberta antecede as plantas com sementes e recua em cerca de 65 milhões de anos a origem conhecida do âmbar.

Como surgiu esse pedaço de resina fóssil?

O âmbar nasce da resina produzida por plantas, uma substância que ajuda a fechar ferimentos e resistir a fungos, insetos e incêndios. Com o tempo, sob soterramento, pressão e calor, essa resina se transforma na pedra amarelada ou acastanhada que conhecemos hoje. Por isso, cada fragmento carrega não só vestígios de organismos antigos, mas também pistas químicas sobre a planta que o originou.

Os cristais encontrados no norte da China variavam entre 0,1 e 0,5 milímetro, com o maior chegando a 1,5 milímetro. Sob luz ultravioleta, algumas amostras emitiram um brilho azulado nítido, destacando-se do carvão escuro ao redor.

Que testes confirmaram a origem vegetal do material?

Segundo Bo Wang, diretor do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing e autor principal do estudo, cor e brilho não bastam para provar que uma amostra é âmbar de verdade. A equipe recorreu a duas técnicas químicas, a espectroscopia de infravermelho e a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa, para ler a assinatura molecular do material.

Os resultados mostraram compostos terpenoides característicos de resinas vegetais, com composição próxima à de coníferas atuais. Essas moléculas fazem parte da defesa química que plantas usam para cicatrizar ferimentos e resistir a micro-organismos.

Por que a idade da amostra intriga os pesquisadores?

A descoberta empurra a data conhecida de surgimento do âmbar cerca de 65 milhões de anos para trás, já que o registro aceito anteriormente remontava ao Carbonífero Superior, há cerca de 320 milhões de anos. O detalhe mais intrigante, porém, é que a amostra é anterior ao surgimento das plantas com sementes, principal fonte conhecida de resinas fósseis.

Os cientistas sugerem que a resina possa ter vindo de plantas vasculares sem sementes que existiam no período Devoniano, como árvores primitivas ou licopsídeos gigantes. Se confirmado, isso indicaria que a capacidade de produzir goma defensiva surgiu bem antes do que se imaginava.

Âmbar mais antigo do mundo é encontrado por cientistas chineses em bloco de carvão: ele tem cerca de 385 milhões de anos
Âmbar de 385 milhões de anos revela uma defesa vegetal muito antiga

O que isso revela sobre a vida vegetal do Devoniano?

No período Devoniano, as plantas passavam por uma de suas maiores transformações, desenvolvendo caules mais altos, raízes mais profundas e corpos mais complexos, além de se espalharem por áreas maiores da superfície terrestre. Essa expansão trouxe novos desafios, como ferimentos, incêndios e fungos.

Produzir resina pode ter sido uma das ferramentas usadas para fechar feridas e evitar infecções, numa época em que os insetos herbívoros ainda não representavam a mesma pressão que exerceriam em eras posteriores. Para o pesquisador, o pequeno fragmento pode registrar um momento inicial em que as plantas começaram a criar escudos químicos para sobreviver fora da água.

Quais limitações o estudo reconhece?

Apesar da relevância do achado, os autores apontam algumas restrições importantes:

1Planta não identificada
Não há tecidos vegetais, canais de resina ou estruturas secretoras preservadas que revelem com precisão qual planta produziu o material.
2Origem ainda incerta
Não é possível afirmar se os fragmentos vieram de um único grupo de plantas devonianas ou de várias espécies.
3Sem parentesco comprovado
A semelhança química com coníferas atuais não indica relação direta, pois as plantas com sementes ainda não existiam.
4Amostras raras e minúsculas
O tamanho reduzido e a raridade sugerem que outros registros possam estar escondidos em rochas e carvões ainda não analisados.

Uma janela química para o passado da vida terrestre

O achado reforça como fragmentos microscópicos podem carregar informações sobre etapas decisivas da história da vida na superfície do planeta, muito antes de florestas e sementes dominarem a paisagem. A combinação entre carvão, resina fossilizada e testes moleculares mostrou que uma defesa química complexa já existia entre os primeiros organismos que colonizavam o solo firme.

Esse tipo de análise abre caminho para que outros depósitos antigos sejam reexaminados com métodos mais sensíveis, revelando pistas que escaparam de observações feitas apenas a olho nu. Cada nova amostra confirmada quimicamente reescreve um pouco a linha do tempo de como a vida terrestre desenvolveu suas primeiras estratégias de sobrevivência.