Mundo
Um barco romano que afundou há mais de 2 mil anos revelou uma antiga técnica de proteção. Cientistas encontraram piche e cera de abelha no casco da embarcação
Estudo na Croácia revela técnicas navais usadas na Antiguidade.
A arqueologia subaquática no mar Adriático trouxe à tona segredos valiosos sobre o passado. O estudo de um naufrágio antigo localizado na costa da Croácia revelou detalhes impressionantes de como a engenharia naval funcionava no Império Romano.
Como o naufrágio Ilovik–Paržine 1 foi descoberto no mar Adriático?
A embarcação romana do achado arqueológico Ilovik Paržine 1 foi encontrada submersa na baía de Paržine, perto da ilha de Ilovik. Essa descoberta histórica permitiu aos cientistas examinar de perto as técnicas construtivas de um barco do século II a.C.
Os pesquisadores constataram que os antigos marinheiros aplicavam camadas protetoras de adesivos orgânicos na estrutura do casco. Esse trabalho rigoroso garantiu excelente impermeabilização contra o desgaste causado pela água do mar e ataques de organismos marinhos nocivos.
Quais materiais os marinheiros romanos usavam na impermeabilização dos barcos?
Análises químicas mostraram que o piche obtido pelo aquecimento de madeira de coníferas era o principal componente utilizado. Essa substância densa e pegajosa formava um escudo hidrofóbico durável, essencial para manter a navegabilidade das embarcações de madeira.
Além do piche de coníferas, a cera de abelha também era misturada ao composto para ajustar a textura e a aderência. Essa combinação tradicional, conhecida desde a Antiguidade como zopissa, oferecia alta resistência e proteção contra os danos contínuos.

De que maneira a ciência moderna analisa a estrutura dessas embarcações antigas?
A investigação arqueológica avançada empregou técnicas bem modernas de espectrometria e cromatografia para examinar as amostras coletadas no mar. Essas ferramentas identificam moléculas específicas e diagnosticam a composição exata das substâncias usadas no revestimento do casco romano.
Tecnologia e Análise Molecular
Identificação de biomarcadores químicos em achados navais
O uso de espectrometria de massa e cromatografia gasosa permite identificar a origem biológica exata dos adesivos aplicados nos barcos.
Essas análises avançadas mostram como os materiais sofreram alterações químicas ao longo dos séculos sob a água do mar.
A integração dos métodos analíticos permitiu compreender os processos de degradação sofridos pelos revestimentos ao longo do tempo. Esse avanço metodológico oferece uma visão abrangente sobre os recursos naturais e a tecnologia empregada pelos marinheiros antigos.
A análise detalhada dos revestimentos orgânicos antigos revelou dados científicos bastante cruciais para a compreensão da história naval da Antiguidade. As principais contribuições da pesquisa molecular e do estudo palinológico incluem os seguintes aspectos observados no naufrágio:
- Mapeamento preciso da composição molecular das misturas adesivas.
- Compreensão dos efeitos da oxidação provocada pelo ambiente aquático.
- Caracterização das espécies vegetais utilizadas na produção de piche.
O que a análise de pólen revela sobre o contexto histórico desse naufrágio?
O estudo palinológico bastante rigoroso identificou grãos de pólen aprisionados dentro das camadas de piche e cera de abelha. Essa descoberta permitiu reconstruir a vegetação local das áreas onde os adesivos foram fabricados ou aplicados no barco.
Ao cruzar dados botânicos e químicos, os cientistas conseguiram traçar rotas de navegação e identificar os estaleiros utilizados na época. Essa metodologia inovadora conecta o uso de materiais navais ao ambiente ecológico que cercava o Império Romano.
Os dados palinológicos obtidos na pesquisa recente trouxeram importantes revelações sobre os processos de fabricação e manutenção das embarcações antigas. Os principais achados científicos sobre a flora regional e as práticas da época incluem as seguintes informações:
- Mapeamento das plantas presentes ao redor dos locais de aplicação do piche.
- Diferenciação entre a vegetação nativa do litoral e das florestas do interior.
- Confirmação da manutenção periódica efetuada em estaleiros do mar Adriático.

Qual é a importância dessa descoberta para a arqueologia subaquática mundial?
A investigação minuciosa realizada no naufrágio Ilovik Paržine 1 estabelece um novo padrão analítico para a arqueologia marítima. Ao integrar química, botânica e história, os pesquisadores obtiveram respostas profundas sobre o comércio e a tecnologia da Antiguidade.
Compreender com total clareza como as antigas civilizações marítimas construíam e mantinham suas embarcações amplia nosso conhecimento histórico. A análise multidisciplinar desses achados demonstra que a preservação do patrimônio arqueológico exige o constante aperfeiçoamento da ciência moderna.