Mundo
Aos 103 anos, veterano da 2ª Guerra mantém o mesmo bar desde 1963 e segue atrás do balcão até hoje, mas é a chegada do primeiro cliente que define um detalhe da rotina do local
Conheça Irvin Koch e seu bar em Maryland: um local que funciona desde 1963 sem celular ou cartão e virou item na lista de desejos de muitos
Com 103 anos, o veterano da Segunda Guerra Mundial Irvin E. Koch ainda abre seu bar quando o primeiro cliente chega. O Irv’s Basement Bar, localizado no porão de sua casa em Pasadena, Maryland, funciona desde 1963 sem horário fixo, site, celular ou cartão de crédito.
“Quando o primeiro chegar, é quando abre”, disse Koch, conhecido como Irv, ao jornal “Washington Post”. O fechamento segue a mesma lógica: ocorre quando os clientes vão embora ou quando Irv se cansa.
Como o bar foi parar na vida dele?
Koch nasceu em 1923 e cresceu em um bairro pobre de Baltimore durante a Grande Depressão. Ele serviu na Marinha americana nas Filipinas e, após a guerra, trabalhou como construtor e encanador. A virada aconteceu em 1963, ao comprar um imóvel em Pasadena que já tinha um bar no porão.
“Precisávamos de uma casa, então compramos a casa, e adivinhe? O bar veio junto”, contou Irv. Ele decidiu tocar o negócio e nunca mais teve outro emprego. “Fui presenteado com ele, então aceitei. Para o dinheiro!”, resumiu.
Jason Cook, neto por afinidade que mora na casa para ajudar a cuidar de Irv, acredita que o dinheiro é apenas parte da história. “Ele adora a interação, socializar com as pessoas. Gosta da atenção também. Definitivamente parece mantê-lo vivo”, disse Cook.
O que tem dentro do bar?
O Club Sunset Knoll, nome oficial do estabelecimento, mudou pouco desde sua abertura. Paredes, teto e cadeiras são cobertos por mensagens deixadas por clientes ao longo das décadas. Uma mesa de sinuca ainda aceita fichas de 25 centavos, e uma antiga caixa registradora Smith Corona continua em uso.
Por dentro do bar mais autêntico de Maryland
Detalhes que tornam o porão de Irv Koch uma cápsula do tempo viva
As luzes são baixas, as bebidas são baratas e uma jukebox toca Buddy Holly, Dean Martin e sucessos country dos anos 1960. Entre os itens mais curiosos estão os sutiãs pendurados no teto, muitos com o nome da mulher que o deixou ali. Irv recorda que a primeira foi Amy: “Ela fez isso. Eu não fiz.”
Por que as pessoas continuam indo?
Numa noite recente, clientes como policiais e casais comemorando datas especiais começaram a chegar por volta das 18h. Kathleen Hooper, de 48 anos, foi com o marido Robert para celebrar 17 anos de casamento.
“É quase como se o ‘Ripley’s Acredite Se Quiser’ encontrasse o ‘Coyote Ugly’ e encontrasse seu vizinho”, definiu ela. Para Hooper, a visita era urgente: “Isso é algo que as pessoas colocam na lista de desejos. Sentimos que precisávamos fazer antes de não ter mais chance.”
Irv nunca pensou em fechar, nem após a morte da esposa ou do irmão Harry. Questionado se mudaria algo, foi direto: “Não tem muita coisa que eu mudaria.” Agora, ele se prepara para completar 104 anos em agosto, e o bar segue com o mesmo horário de sempre.